Starqueens - 06:00 P.M
Dentro da região, a primeira coisa que o grupo notou foi a atmosfera musical, e ficaram cada vez mais impressionados ao passarem por eventos particulares com clipes sendo gravados.
— Ok… essa cidade é melhor do que eu imaginava — comentou Edward, perplexo.
— Não é? Foxglove não cansa de me surpre-
Lacey interrompeu a resposta para soltar um suspiro alto e exagerado, com o olhar fixo em um prédio ao lado.
— O que houve? — perguntou Faith.
— Para tudo! São os Shibuya Bers se apresentando ali?
Eufórica, ela apontou para o interior do prédio, onde a famosa banda de T-Rock estava se apresentando.
— Quem são esses? — perguntou Kyle.
Kushina o encarou, de olhos arregalados.
— Você não conhece os S.B? É a minha banda de rock favorita! Eu sempre te mostro as músicas deles, Kyle.
Ele estalou os dedos e olhou para ela de novo.
— Ah! É aquela banda com o vocalista de voz estranha?
Edward deixou escapar um riso abafado, e a expressão no rosto de Kushina era perigosa, o que fez com que Denvers se arrependesse do que disse.
— Tá querendo levar uma surra, Kyle? Você tá pedindo por isso.
— Eu não! Foi mal aí.
— Ótimo!
— Algumas pessoas não têm um bom gosto musical — sussurrou ele para Faith.
— Kyle…
— Beleza, retiro o que disse, Lacey.
— Acho bom.
Lyrics Street - Wave Records - 06:10 P.M
Os Unidos chegaram à gravadora, atônitos com o prédio enorme e profissional. Eles entraram, os corredores de paredes brancas tinham apenas alguns funcionários, alheios à presença do grupo.
— Droga! — exclamou Edward.
— O que foi? — perguntou Lacey.
— Tem várias câmeras por aqui, vão acabar nos expondo para os seguranças.
Ele apontou para os dispositivos nas paredes, porém Kyle sorriu confiante e deu tapas leves no ombro do líder.
— Não se preocupe, chefinho, apaguei nossos rastros do sistema, somos praticamente invisíveis para as câmeras.
— Sério!? Isso é irado!
— Não subestime minhas capacidades.
Depois do momento de inflação de ego, eles continuaram a procura pelo comandante da região.
— Como vamos encontrar esse cara? Esse lugar é enorme — reclamou Faith.
— Não sei… Mas o Emil disse que era aqui, então não podemos desistir — respondeu Keaton.
— Do jeito que o Em se engana com as coisas, não duvido que ele possa ter dado a localização errada. — comentou Denvers, bocejando de tédio.
— Não, ele não seria tão desligado assim… Bem… — disse Kushina, balançando a cabeça.
— Relaxem, ele não se enganou — disse uma voz masculina irreconhecível atrás deles.
Todos se viraram ao mesmo tempo, e ficaram boquiabertos ao verem o homem que era o comandante da região — o cantor de música pop, Justin Allen — que exprimiu seu sorriso encantador, deixando as garotas paralisadas.
— É ele… — disse Lacey, que engoliu em seco.
— O Justin Allen… — continuou Faith, mordendo o lábio inferior.
Edward se aproximou e apertou a mão do homem.
— Prazer em te conhecer, Justin, sou Edward Keaton, o líder do grupo.
— O prazer é todo meu, líder, fico feliz em te conhecer pessoalmente.
— Eu não esperava que um famoso seria um membro desse grupo.
— Pois é… É uma surpresa pra mim também, mas fico feliz em fazer parte disso.
Eles saíram do estúdio, e os Unidos seguiram o famoso para sua casa. Eles tentaram acompanhar a velocidade do carro esportivo dele com o antigo veículo de John.
Alguns minutos depois, a mansão de Justin se tornou visível na rua Banks, onde viviam os mais poderosos de Foxglove Hollow.
A principal característica da moradia era sua tecnologia de alto nível. Assim que entraram, tudo era impressionante e moderno à vista.
Dentro da mansão, Edward e sua equipe não conseguiram deixar de analisar a sala de estar e sua estética.
— Que lugar maneiro! — comentou Keaton.
— Nunca estive em uma casa dessas… — continuou Lacey.
— Que TV enorme! — exclamou Faith.
— Até agora não consegui hackear o sistema de segurança, estou impressionado — disse Kyle, concentrado em seu celular.
Sanders puxou o aparelho da mão dele.
— Que foi, Faith?
— Quem vai chegando na casa dos outros invadindo o sistema desse jeito?
— Ah… é só um hábito, eu não pego nada importante — respondeu ele, colocando as mãos nos bolsos.
— Melhor parar com isso.
De repente, uma mulher loira — delicada ao extremo — e vestindo traje de empregada clássica, se aproximou do grupo, com um olhar amigável, porém faltando um certo toque de humanidade.
— Boa noite, Sr.Allen, quem são seus amigos?
— Boa noite, Samantha, esses são os Unidos, meus companheiros de batalha.
Samantha os encarou com polidez.
— Prazer em conhecê-los.
— O prazer é nosso, Samantha. — respondeu Edward.
— Sam, pode preparar a mesa pra gente?
— É pra já, senhor.
Com o comando de Justin, a mulher foi à mesa da sala de jantar, em uma velocidade anormal, o que assustou o grupo.
— O-O que foi isso? — perguntou Keaton.
— Ela sumiu — respondeu Kyle.
— Eu estou sonhando? — comentou Lacey, beliscando o próprio braço.
— Devo estar enlouquecendo — complementou Faith.
Soltando uma risada sincera, Justin começa a andar despreocupado.
— Não se assustem, ela é minha empregada robô, maneiro, né?
A explicação aliviou as mentes deles, que foram de assustados, para impressionados.
— Com certeza é maneiro.
— Esse modelo deve ser da Central, nunca vi nada tão avançado.
As meninas trocaram olhares confidentes entre elas.
— Vamos precisar de uma dessas.
— Seria incrível ter uma amiga robô que ainda poderia fazer a comida.
— Pra quê? Nós já temos vocês duas pra esse serviço.
Ao mesmo tempo, as duas mulheres socaram os braços de Kyle.
— Você é machista demais, Kyle — comentou Lacey, com o canto da boca levantado.
— Se soltar outra dessas, eu vou te dar um gancho de direita — adicionou Faith.
Ignorando o aviso, Denvers decidiu se arriscar mais uma vez.
— Por que não usa essa energia toda pra lavar uma trouxa de roupas, Faith?
Antecipando o ataque, o rapaz riu e correu para a cozinha, sendo perseguido pela detetive, que estava segurando o riso com dificuldade.
— Volte aqui, Kyle!
— Tente me pegar se for capaz!
Edward desviou o olhar de Allen, passando a mão na nuca.
— Me desculpe por isso, Justin.
— Não se preocupe, gosto quando as pessoas ao meu redor são autênticas, a bagunça me atrai.
Eles se sentaram à mesa, e esperaram a empregada trazer a comida, assim como a volta de Kyle e Faith.
Os três retornaram em uma cena cômica. Faith acompanhou Samantha, que trouxe Kyle em seu braço esquerdo, com o direito trazendo o jantar.
A robô colocou o rapaz na cadeira e deu tapinhas leves em sua cabeça.
— Se comporte, tá bem? — disse ela com um sorriso tranquilo.
Todos riram de Kyle, o que o deixou com a cara emburrada.
— Parem de rir, não tem graça…
— É o que merece por fazer piadas irritantes — retrucou Kushina.
Após terem se acalmado, eles aproveitaram o jantar proporcionado por Justin, e a comida melhorou a noite.
— Há quanto tempo está no grupo, Justin?
— Fazem 5 meses, líder. Sou novato, mas com os meus recursos eu faço o máximo que posso para ajudar.
Edward acenou com a cabeça, voltando a comer lagosta.
— Como se juntou ao grupo, Justin? — perguntou Faith.
O homem ficou em silêncio por alguns segundos, a pergunta tinha despertado uma lembrança ruim, e ele estalou a língua como reação.
— Bem… fui resgatado por Emil e sua equipe da tentativa de homicídio que sofri. Foi assustador, sinceramente.
Eles congelaram, surpresos com o que acabaram de ouvir.
Allen suspirou e continuou — A Guardiã Collins tentou me matar, ela é bem narcisista, e odeia ver outros famosos crescendo na cidade. Eu não sou a única vítima, tem um monte de gente que está na mira dela…
Keaton ajustou seus óculos e respirou fundo.
— Caramba… temos que fazer alguma coisa, tem algo mais que queira nos contar?
— Sim, tenho uma pessoa infiltrada no grupo de tecnologia, Nexus, ela me passou a informação de que esse grupo recebeu a missão de vir atrás da gente.
Lacey se levantou da mesa, assustada.
— Da gente!? Mas o que um grupo de tecnologia tem a ver com o nosso objetivo?
— Vocês não sabem? A Nexus é um grupo de mercenários, eles utilizam a fachada de trabalharem com tecnologia, mas na verdade são contratados para se livrarem de pessoas indesejadas.
Os membros tinham expressões mistas nos rostos, mas todas em conjunto representavam a energia pesada que aquela informação nova trouxe no ambiente.
— Por essa eu não esperava… mas não é de se admirar que o mesmo grupo que criou a Lonestar tenha dentro dela um bando de assassinos, direta ou indiretamente.
— Pois é, líder… Aliás, tenho outra informação importante.
— Diz aí! — exclamou Kyle.
— Minha informante também me relatou que alguém dentro da Nexus passou o link do blog para a secretária de Core, temos até a ligação gravada, mas é difícil identificar a voz da pessoa.
— Estávamos pensando nisso há alguns dias! Lembra, Lacey?
— Sim! Até achamos que era a Faith, mas no final ainda tivemos dúvidas.
Justin acenou com a cabeça, prestando atenção nos comentários cheios de dúvidas dos Unidos.
— Ainda não temos provas definitivas, mas uma coisa eu tenho certeza, há um traidor no grupo.
— Não descarto essa possibilidade… — comentou Edward, mexendo em seu cavanhaque — Ninguém esperava que o Cypher faria o que fez em Matrix.
— Pois é, e não se preocupem, eu farei o possível para desmascarar essa pessoa, não vou descansar até conseguir isso.
— Obrigada pela ajuda, Justin, é bom ter alguém tão lindo e corajoso no grupo — disse Lacey, que não perdeu a chance de flertar com o famoso.
— D-De nada, Lacey.
— Cuidado pra não babar na mesa toda, Lay!
— Cala a boca, Kyle!
Entre risadas e provocações, os amigos aproveitaram o momento na mansão com o membro famoso.
Centro de entretenimento de Foxglove - Lucky Bastards - 10:00 P.M
Dentro do maior cassino da cidade, Sophia Collins desfrutou do dinheiro da população nos jogos de azar.
Todo o interior era brilhante e cheio de máquinas de jogos, as pessoas estavam eufóricas e gastando tudo o que levaram, dominados pela ganância que somente o Lucky Bastards poderia despertar.
— Ganhei de novo! — gritou a mulher, que puxou as fichas depois de vencer a aposta com os outros jogadores do lugar.
— Você joga muito bem, Guardiã!
— É impossível te vencer…
— Vou seguir as dicas dela a partir de agora.
Enquanto era elogiada pelos apostadores, uma pessoa surgiu, um homem alto, esguio, de cabelos grisalhos longos e uma cicatriz no olho esquerdo.
— Guardiã, aqui estou eu, à sua disposição.
Em um gesto tranquilo, o homem beijou a mão de Sophia, que sorriu de leve.
— Você é um cavalheiro, Lance. Obrigada por cuidar de tudo.
— Eu que agradeço a boa oferta, madame. A Nexus fará de tudo para capturar aquele grupo, disso você pode ter certeza.
Em seguida, um homem jovem e sério entrou no cassino e se aproximou dos dois, mantendo o olhar fixo na mesa onde Collins estava jogando com outras pessoas.
— Esse é Damian Kane, madame, nosso melhor agente.
Kane apertou a mão da Guardiã, e a mulher não perdeu tempo, se aproximou dele com um olhar intenso.
— Está solteiro, lindinho? Não que isso importe realmente.
A pergunta foi acompanhada de um riso sedutor, tentando capturar a atenção dele, que continuou firme e sem expressão aparente.
— Estou, madame.
— Ah, ótimo! Podemos conversar melhor depois, aposto que vou adorar te conhecer, Dam.
Ela acariciou o braço dele e se afastou para continuar o jogo.
Com um suspiro, o homem se virou para Lance.
— Vou fazer uma patrulha agora mesmo, senhor.
— Estou contando com você, agente, lembre-se de agir com cautela a todo momento.
— Me lembrarei disso, agente Shadow saindo, Salve Nexus.
— Salve Nexus.
Assim, Damian se afastou do lugar, e quando chegou do lado de fora, apertou em um dispositivo no peito. Uma armadura preta com detalhes em vermelho cobriu o seu corpo. Com os foguetes nos pés ativos, ele voou e saiu à procura de Edward e seus companheiros.