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A Caça · Capítulo 4: Unidos (4)
A Caça
arco 1 · St.Dennis · cap. 4

Capítulo 4: Unidos (4)

por PsyBRYsp3.717 palavras~17 min

Cadence’s Gym Center - 9:00 A.M - 4 dias para o desfile

Kyle estava quase terminando sua sessão de treino. A sensação de seus músculos queimando lhe ajudou a se distrair dos problemas e pensamentos ruins, principalmente os que envolviam a destruição de Brasa Ardente.

— A vida continua… — murmurou o rapaz, tentando se convencer disso.

Depois de ter finalizado o treino, ele seguiu o caminho de casa, a caminhada foi leve e o ambiente favoreceu a sensação de paz, com o parque ensolarado e as pessoas focadas em suas vidas.

De repente, uma jovem mulher, cabelos castanhos que alcançavam os ombros, olhos grandes de mesma cor, e vestindo roupas de investigadora, parou na frente dele. Seu olhar era calmo, mas ao mesmo tempo penetrante, como se estivesse tentando ler através de Kyle.

— Bom dia, senhor! Meu nome é Faith Sanders, sou uma detetive e estou fazendo uma investigação particular.

Ela mostrou o distintivo para ele, que ainda estava de boca semi aberta e olhos arregalados com a repentina abordagem, mas rapidamente se recompôs e lhe deu um sorriso travesso.

— Sem essa de senhor, Sou Kyle Denvers, mas pode me chamar de Kyle.

Faith sorriu ao ouvir o nome dele, um sorriso lindo e natural que deixou o rapaz sem ar.

— Certo, Kyle… eu estou atrás de um certo grupo suspeito, eles foram vistos nessa região da cidade, você viu alguma atividade suspeita? Pessoas encapuzadas, ou algo assim?

Denvers congelou, lutando para não desviar o olhar.

— P-Pessoas encapuzadas? Não, não vi, eu não saio muito de casa a noite.

Ela se aproximou um pouco mais, o encarando diretamente, com um olhar que tentava parecer intimidador, mas acabou sendo adorável na visão do jovem.

— Tem certeza?

— Sim, tenho.

Sanders estreitou os olhos levemente, porém se afastou e liberou seu caminho.

— Obrigada pelo seu tempo, me perdoe pela abordagem… às vezes eu me empolgo, sabe?

— Sem problemas, eu entendo. Bem… boa sorte com sua investigação.

Ele se despediu da mulher com um toque leve no ombro e seguiu o caminho o mais rápido que pôde. ela o observou de longe com um sorriso leve, colocando a mão onde Kyle tocou.

Chegando em casa, ele pegou o seu celular e ligou para Lacey, relatando o que aconteceu mais cedo.

— Lacey, Lacey!

— O que houve, Kyle?

— Uma detetive me abordou na volta pra casa, ela desconfia da nossa existência.

— Droga… Você se manteve calmo?

— Sim, na medida do possível.

— Ok… Por enquanto apenas tome cuidado e não se descuide quando sair novamente.

— Tá certo!

Eles terminaram a ligação, e o rapaz se preparou para tomar banho.

Brightway Market - Elmshade Lane - 10:30 A.M

John estava fazendo compras no supermercado com sua esposa, vestindo uma camisa polo azul e bermuda simples, contrastando com a aparência fria e imponente de seu disfarce. Enquanto colocava os alimentos no carrinho, ele observou a mulher, sentindo-se calmo em vê-la segura.

Ela percebeu o olhar do marido, colocando a mão em seu braço e sorrindo levemente.

— Tudo bem, querido?

— Sim… só estou tranquilo em te ver bem, depois do que aconteceu em Brasa Ardente eu fiquei um pouco paranoico, sabe?

A mulher o abraçou, depositando toda a confiança que tinha no marido.

— Eu não me preocupo, eu sei que você sempre vai proteger a mim e aos nossos filhos, eu te amo.

— Também te amo, querida.

Após as compras, os dois colocaram tudo no carro e seguiram para casa. Nos primeiros minutos, a viagem foi tranquila, com os dois apenas conversando sobre as crianças e o trabalho, porém John ficou desconfiado quando viu um carro preto atrás deles.

A mulher parecia estar distraída e não percebeu o veículo, John desconfiou estar sendo seguido, então pegou outra rota para confirmar isso.

— Nós nunca pegamos essa rota, querido, o que está acontecendo?

— Não é nada, meu bem, fique tranquila.

Mesmo desconfiada, a mulher decidiu ignorar isso, voltando o foco na estrada. Quando conseguiram chegar em casa, o carro sumiu de vista, ele suspirou aliviado, mas ainda se manteve alerta para qualquer anormalidade.

ETPD - Sala do delegado - 11:00 A.M

Faith retornou e seu suspiro pesado foi a primeira coisa que os seus colegas perceberam. Ela bufou e se aproximou da mesa do chefe para relatar tudo.

— Não consegui nada, senhor…

O homem franziu a testa, passando a mão na cabeça com evidentes sinais de calvície, ele a dispensou com a mão e um olhar carregado de estresse.

— Volte ao seu posto, Sanders.

Ela acenou e saiu da sala.

Poucos minutos depois, Michael Core chegou ao departamento, deixando todos surpresos em verem o líder da cidade visitando o posto.

Ele e Elizabeth foram diretamente para a sala do delegado, que os recebeu com um sorriso e a cabeça levemente curvada.

— G.S! Que prazer recebê-lo aqui.

— Vejo que estão fazendo um excelente trabalho, delegado Smith, ainda bem que temos um ótimo departamento para proteger a população.

Smith soltou um riso e balançou a cabeça em negação.

— Não, apenas faço o que deve ser feito… Então, qual o motivo de sua sublime visita, senhor?

Core permitiu que Stones passasse para mostrar seu notebook ao homem. Ele ficou de olhos arregalados ao ver o blog de Edward.

— O que é isso?

— Esse indivíduo mascarado tem informações sigilosas sobre o governo, e espalhou para centenas de pessoas — disse Elizabeth, navegando por todo o blog.

O delegado ficou assustado, esfregando as mãos sem perceber.

— Como ele conseguiu isso? São dados extremamente importantes!

— Como, ainda não sabemos, mas a minha secretária conseguiu descobrir o nome do autor deste blog, e agora precisamos da polícia para investigá-lo.

Smith arregalou os olhos e encarou a ruiva, impressionado com a inteligência de Elizabeth.

— Então… Quem devemos investigar?

— Edward Keaton, esse é o nome dele.

Sem perder tempo, Faith surgiu na sala do homem. Sua respiração estava ofegante e seus olhos bem abertos, o nome Keaton chamou-lhe a atenção, e ela queria ir mais a fundo nisso.

— S-Senhor, me deixe investigar esse homem!

— Xeretando reuniões de seu chefe, Sanders?

A mulher desviou o olhar, porém Core riu alto e acenou com a cabeça.

— Não seja duro com ela, Smith, dá pra ver a empolgação de sua subordinada, isso é bom para o progresso da nossa cidade, ter jovens promissores dispostos a trabalhar pelo que é certo.

O comportamento do delegado mudou, espelhando o bom humor do G.S. Então ele disse:

— Tudo bem, Sanders, pode investigá-lo, conto com você.

— Obrigada, senhor!

Ela saiu da sala novamente e correu para fazer o seu trabalho.

Casa do Kyle - 11:15 A.M

O rapaz continuou paranoico, andando de um lado para o outro com a intenção de se acalmar. Ele se assustou ao ouvir uma batida em sua porta, lentamente se aproximou do olho mágico e viu que era apenas seu amigo da vizinhança, Son Jung.

Ele abriu a porta e recebeu o rapaz com um aperto de mão firme.

— E aí, cara!

— Fala aí! Kyle, por que você está pálido, mano?

— N-Não é nada, Jung, relaxa!

O amigo estreitou os olhos com o nervosismo de Denvers, mas deu de ombros e foi até o sofá, deixando o hacker aliviado.

— Uma partida de Tekken, bora?

Son se ajustou no sofá.

— Vai se arrepender de ter escolhido esse jogo.

Kyle sorriu e se juntou ao amigo para jogar.

Horas depois, os dois estavam bastante exaustos, latas de refrigerante e caixas de pizza dominaram a sala do rapaz. Ele se alongou e bocejou alto.

— Cara, como você é tão bom nesse jogo?

Jung se sentiu um pouco orgulhoso de si mesmo, após ter vencido mais de 100 partidas no jogo de luta, ele tinha direito a isso.

— Jogo a franquia desde que morava em Sangbuk, você precisa treinar mais.

— É… vou fazer isso.

Os amigos se despediram, Son saiu da casa de Kyle e o mesmo fechou a porta e trancou. O relógio da parede marcava onze horas da noite.

— Hora de dormir…

Assim, ele subiu para seu quarto e assim que deitou na cama, adormeceu tranquilo.

00:50 A.M - 3 dias para o desfile

Ele acordou abruptamente com um barulho alto vindo da cozinha, sem perder tempo, ele saiu do quarto e desceu as escadas, com passos leves para não chamar a atenção de quem poderia ter invadido.

Tomara que seja apenas um guaxinim…

Chegando no cômodo, ele não encontrou ninguém. O homem coçou a nuca e imaginou ter ouvido coisas.

POW!

A cabeça dele ficou pesada, a visão borrada e seu equilíbrio sumiu em questão de segundos. Kyle sentiu algo quente atrás da cabeça, mas foi incapaz de se mover para ver quem lhe acertou.

A escuridão dominou sua visão, e ele desmaiou.

????? - 4:00 A.M

Kyle acordou em um local estranho e com pouca luz, suas mãos e pernas estavam amarradas na cadeira e sua cabeça latejou de dor por causa do golpe que lhe foi desferido.

— Cadê minha grana, moleque? — disse um homem mexicano de cabeça raspada, tatuagens por todo o corpo e com a mão no bolso da calça.

— Ah… Oi, Sting, como você tá?

O criminoso ficou de boca aberta com a forma que Kyle brincou com a situação, sorrindo de forma sarcástica.

— Não abuse da sorte, não vou repetir duas vezes.

— Bem… receber dinheiro como hacker não é tão simples, eu ainda estou esperando o bitcoin cair na minha carteira, tenha um pouco de paciência, eu vou lhe pagar.

Sting socou o rosto do rapaz com um soco inglês — repetidas vezes — irritado pelo sorriso debochado e a atitude despreocupada dele.

Ele parou de socar. O rosto de Denvers estava inchado, mas se manteve tranquilo, não querendo demonstrar medo na frente do agiota.

— 4 horas… você tem 4 horas para me trazer o dinheiro, e não quero saber de desculpas esfarrapadas.

O mexicano acenou para um de seus capangas, que colocou um saco na cabeça de Kyle e o levou de volta para sua casa, o deixando na entrada e saindo da área em alta velocidade.

Droga… não consigo me levantar…

John estava fazendo uma ronda particular na área, algo que sempre fez para garantir a segurança de Kyle e Lacey, mesmo que os dois fossem aptos a se defenderem sozinhos.

O homem viu o companheiro caído na calçada, tentando se levantar.

— Kyle! — gritou Conan e saiu do carro para resgatar o jovem.

Ele o levou para o hospital rapidamente, e lá Kyle foi cuidado pelos médicos. As feridas não eram muito profundas e para sua sorte, Sting não machucou o resto de seu corpo.

Assim que a tontura passou, Denvers foi levado por John para a casa de Kushina, que abriu a porta com certa lentidão por causa do sono.

— O que estão fazendo aqui tão ce-

Ela se assustou ao ver o rosto do amigo cheio de pontos e curativos, permitindo que os dois entrassem.

— Mas que droga aconteceu com ele, John?

— Ele se envolveu com agiotas e agora precisa arrumar dinheiro para pagá-los.

— Qual é, John! Você disse que não iria contar pra ela…

Lacey se aproximou dele e beliscou seu braço.

— Você tá maluco, seu idiota? Pra quê você foi se envolver com agiotas, hein?

Ele massageou o braço e fixou o olhar no chão.

— Estava precisando de dinheiro, tá bom? Minha família em Cedarvale estava precisando…

A mulher coçou a nuca, sentando-se ao lado dele e o envolvendo em seus braços.

— Nunca mais faça isso de novo, ouviu? Você pode contar com a gente para te ajudar…

— Obrigado, Lacey.

Ela suspirou, um pouco mais tranquila, voltando a John que estava de pé e com braços cruzados.

— O que vai fazer, John?

— O que for necessário.

Lacey fica assustada com o tom do companheiro.

— Não faça nada imprudente.

O motorista sorriu levemente e disse:

— Imprudência é meu nome do meio.

Assim, ele saiu da casa da takamorinesa e dirigiu em direção a sua para buscar o disfarce.

Casa do John - 7:00 A.M

O homem deixou tudo pronto para a família, o café da manhã, as roupas das crianças bem passadas, e um beijo na testa da esposa, um ritual diário que não podia faltar. A mulher acordou com o gesto e envolveu o marido em um abraço preguiçoso.

— Onde você vai?

— Fazer alguns serviços, querida.

— Fique aqui um pouco… por favor…

John sorriu e segurou a esposa em seus braços, deixando-a confortável e a mesma repousou a cabeça em seu ombro.

— Eu prometo te compensar quando voltar, querida.

— Tá bom… vai lá trabalhar, e na volta me traga um presentinho, viu?

— Combinado.

Eles se beijaram e relutantemente se afastaram. O homem saiu da casa com o disfarce em uma sacola de plástico, pronto para finalizar seu serviço secreto.

— Parado! — disse um homem atrás de John. Ele se virou lentamente ao ouvir o som de uma arma sendo destravada. A pessoa que o abordou era um detetive, longos cabelos preto, olheiras e cigarro na boca foram as características que Conan logo observou.

— Posso ajudá-lo, detetive?

O homem mostrou o distintivo.

— David Lands… venha comigo, você está preso.

— O qu-

Sem esperar que terminasse de falar, Lands o algemou e pegou a sacola com seu disfarce.

Seguindo pela estrada — com uma música country repetitiva no rádio — a caminho do departamento de polícia, o detetive suspirou e decidiu conversar com John.

— John Conan… estive te investigando por anos, imagino que não estivesse esperando que alguém seria louco o suficiente para reabrir um caso arquivado, hein?

O homem engoliu em seco, sabendo exatamente do que o detetive estava falando, depois de algum tempo quieto, ele encarou David pelo espelho.

— Aquilo foi um acidente, estava no lugar errado e na hora errada.

— Sim… com toda certeza, John. Mas me diz, o que estava indo fazer antes de eu te abordar?

— Lidar com uma pessoa.

Lands riu, diminuindo um pouco o volume do rádio.

— Imagino que “lidar” significa matar alguém, não é? Quer ter mais uma vítima como troféu?

— Eu não sabia que vítimas ameaçam jovens de morte.

O detetive levantou a sobrancelha.

— Do que está falando?

— Um agiota quer matar um conhecido meu, caso não pague o que deve.

— Então agora você quer salvar os outros? Logo alguém que decidiu se envolver com criminosos?

— Se o garoto acabar morrendo, vai ser culpa sua.

David resmungou e apertou o volante um pouco mais. De repente, ele parou o veículo, e se virou para encarar John.

— Onde esse agiota fica escondido?

— Eu mostro o caminho, vamos!

Lands pisou no acelerador e foi para a localização de Sting sendo guiado por John.

Joseph Street - 7:50 A.M

Eles chegaram no local, um prédio de dois andares com leves indícios de abandono. Os dois desceram do carro e observaram do outro lado da rua.

— Tem certeza que é aqui? — perguntou o detetive.

— Já trabalhei como segurança particular do pai dele, esse era o ponto principal antes da prisão.

— Tch! Pelo visto o filhinho quer seguir os passos do papai…

Depois de equipados com armas e coletes, os dois homens não perderam tempo e derrubaram o capanga que vigiava a entrada, o nocauteando e entrando no prédio. Os outros criminosos entraram em alerta ao ver a cena.

— Quem são vocês?

— Amiguinhos do seu chefe, vamos festejar! — disse David, apontando a arma para eles na mesma hora.

Os capangas reagiram e começaram a atirar na direção dos dois, que se esconderam atrás de paredes de salas opostas.

— Você é maluco? — perguntou Mike.

— Um pouco, sempre me divirto nessas horas.

— Beleza… vamos terminar isso de uma vez.

Eles atiraram de volta, com miras perfeitas acertando cada um dos criminosos, em pontos específicos para imobilizá-los. Os dois seguiram subindo a escada para o segundo andar.

Sting ouviu o barulho dos tiros e ficou em alerta, segurando sua arma e encarando a porta para qualquer invasor.

— O que é isso?

De repente, Mike e David surgiram no escritório do agiota, suas armas apontadas para o mexicano.

— Acabou, Sting.

— Largue a arma e se renda.

Ele não obedeceu, atirando desesperadamente nos dois que corriam para os lados e desviavam dos tiros que passavam de raspão por suas orelhas.

David atirou na mão dele, que largou a arma e caiu no chão, agonizando de dor.

— Quem são vocês?

Mike avançou e se ajoelhou próximo a Sting.

— Ninguém, agora fique quietinho e espere a prisão.

Ele retornou para Lands, que observava a interação, intrigado.

— Achei que você iria matá-lo.

— Achei que fosse me impedir.

Os homens riram e o detetive ligou para a polícia, com o intuito de levar todos os criminosos do prédio.

— Obrigado pela ajuda, Lands.

— Não precisa agradecer, apenas fiz meu trabalho — disse David, acendendo um cigarro — Ficarei de olho em você por mais algum tempo, mas não vou te prender.

— Obrigado, eu acho…

Assim, John foi dispensado e deixou o resto com o detetive, que aguardou a polícia chegar no prédio decadente.

Ashveil Street - Apt.104 - 09:00 A.M

Keaton saiu do apartamento, já seguindo em direção ao trabalho. Completamente distraído de seus arredores, ele não percebeu que havia uma pessoa do outro lado da rua o vigiando.

Faith saiu de seu veículo e entrou no prédio, conseguindo facilmente acesso ao apartamento 104 e entrando sem perder tempo.

A primeira coisa que Sanders observou foi a bagunça que é o apartamento de Edward, balançando a cabeça negativamente.

Inacreditável…

Andando pelos cômodos, ela viu as fotos de família do homem, com sua mãe, com Christy na formatura e com o pai dele, que acendeu um alerta na moça, por ser muito familiar para ela.

Ela rapidamente ignorou a foto quando viu o computador de Keaton, correndo para ligá-lo.

Ela se frustrou quando viu a tela de bloqueio, tentando várias senhas aleatórias, porém não conseguindo acertar.

A dica da senha chamou a sua atenção: Data do fim.

— O que poderia ser isso?

Para sua sorte, a prateleira acima do monitor continha alguns pedaços de jornais e artigos antigos. Investigando todos, ela encontrou uma folha de jornal da data de 10/03/2030, e a matéria cobria a unificação do governo mundial.

Digitando os números, ela conseguiu desbloquear o computador, ficando livre para mexer nos arquivos pessoais do homem.

Vamos ver o que você esconde, Edward Keaton…

Ela ficou cada vez mais perplexa ao mexer em todos os sites, links e arquivos que ele manteve armazenado.

Faith descobriu que, além de Edward ser o dono do blog, ele também tinha contato com o grupo que ela estava investigando por meses.

— Não acredito que consegui!

A mulher guardou o que conseguiu descobrir em um pen-drive e se levantou da cadeira para ir embora, porém deu um pulo de susto ao ver o próprio Keaton a observando em silêncio da porta de entrada.

— Quem é você e o que está fazendo aqui? — Ele perguntou, se aproximando lentamente, visivelmente irritado.

Faith sorriu e imitou seus movimentos, até que eles se encararam no meio da sala, um pouco mais próximos.

— Olá, Sr.Keaton, eu sou Faith Sanders, detetive da ETPD.

Ela lhe mostrou o distintivo, fazendo com que Edward engolisse em seco.

— Detetive, hein? E por que estava mexendo nas minhas coisas?

— Não se preocupe, eu tenho o mandado bem aqui, além disso, o tanto de coisa que descobri com certeza te deixa em uma situação péssima.

Ele respirou fundo e andou de um lado para o outro, pensando no que fazer, a mulher continuou com um sorriso leve no rosto, sentindo-se confiante de ter conseguido se dar bem nessa história.

— O que você vai fazer, me prender?

O sorriso da mulher se desfez um pouco.

— Pra falar a verdade, eu só aceitei te investigar porque o seu sobrenome me chamou a atenção.

Keaton levantou uma sobrancelha.

— Meu sobrenome?

— Sim… Eu já ouvi o sobrenome Keaton antes, quando meu pai ainda estava presente.

Com a menção do pai dela, Edward desviou o olhar, compartilhando da mesma dor de não ter o pai presente.

— Ele conhecia o meu pai?

— Eu não sei… eu era muito pequena, e só tenho memórias fragmentadas sobre isso.

o moreno respirou fundo de novo, ajustando os óculos antes de abrir a boca para falar novamente.

— Você estava investigando os Unidos?

— Unidos? é assim que eles se chamam?

Edward acenou.

— Acho que não fará mal te levar a eles, mas se tentar qualquer coisa, é melhor se preparar para as consequências.

Faith paralisou com o tom ameaçador na voz de Keaton, mordendo o lábio inferior, mas ao mesmo tempo ficou animada com a oportunidade de finalmente conhecer os mascarados misteriosos que se tornaram uma lenda urbana pela cidade.

— Tudo bem, e prometo não te denunciar, quero saber primeiro se eles são criminosos ou não.

— Então, está combinado! 10 horas no antigo parque Funtime, não leve ninguém da polícia e não mostre o seu rosto, discrição é tudo.

— Beleza! O que será que vai ficar legal? Talvez uma máscara para ficar igual a eles, ou quem sabe uma maquiagem pra esconder o rosto… ai, são tantas opções…

O homem pigarrou de leve, chamando a atenção da jovem mulher que estava perdida em seus próprios pensamentos.

— Me desculpe, acabei me empolgando.

— Não se preocupe, bem… eu preciso ir trabalhar, precisa de mais alguma coisa antes de eu ir?

— Não, não, era só isso mesmo, obrigada por me deixar vê-los.

Faith entregou o pen-drive com as provas para ele, que ficou intrigado e sorriu levemente.

— Te vejo mais tarde, detetive.

— Até mais tarde, Edward.

Os dois saíram do apartamento, e Edward passou o resto do dia pensando no encontro da noite com a intrigante detetive, torcendo para que tenha feito uma boa escolha.

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