ETPD - 09:30 A.M
Faith foi diretamente para o escritório de seu chefe. ela simulou com perfeição uma expressão de derrota, disposta a mentir para proteger o grupo por enquanto.
O homem levantou a cabeça e lhe perguntou sem perder tempo.
— Conseguiu descobrir algo?
— Não… eu investiguei o apartamento dele, mas não encontrei nada além de sujeira e jornais velhos.
Ele respirou fundo e tomou um gole de café, dispensando a jovem mulher com a mão.
— Volte ao trabalho, se descobrir alguma coisa, eu quero saber imediatamente, o G.S está muito interessado nesse caso.
Sanders obedeceu e sai do escritório, ficando muito irritada com o fato de que o único motivo de seu chefe ter ficado interessado, foi o envolvimento do governo.
Baba ovo preguiçoso…
Ela entrou no escritório de seu mentor, David Lands, que estava fumando como de costume, em meio a tosses e espirros, a mulher conseguiu chegar à janela para escapar da prisão tóxica.
— Ei… eu gosto da sala fechada, por que abriu?
— Porque eu não vou sufocar até a morte com seu vício.
Lands murmurou baixo, mas decidiu apagar o cigarro e voltou a atenção a caixa de donuts em sua mesa.
A mulher ignorou e se sentou na cadeira à frente dele, suas mãos estavam agitadas, deixando-o curioso.
— Aconteceu alguma coisa?
— Eu vou conhecer os membros daquele grupo anônimo, não é legal?
O detetive levantou levemente a sobrancelha, comendo um donut antes de falar.
— Ah é?
Faith ficou decepcionada com a falta de reação, mesmo sabendo que David não se impressionava com nada, ela esperava pelo menos alguma frase de repreensão.
— Só isso!? Ah é?
— Queria que eu falasse outra coisa?
— S-Sim!? Eu vou encontrar o grupo que estive investigando por meses, finalmente meu trabalho vai ter valido a pena!
Com um riso sarcástico, o detetive abriu a gaveta da mesa, pegando sua revista favorita e uma arma.
Ele deixou a pistola na mesa para que a jovem pegasse.
— O que é isso?
— Uma arma… para você se proteger.
Sanders ficou de boca aberta, incrédula com a sugestão. Umas das coisas que ela mais odiava eram armas, por isso suas táticas envolviam disfarces e persuasão.
— Eu não vou usar uma arma, nem adianta deixar isso aí.
— Deixa de ser teimosa, garota, você nem sabe o que aqueles caras podem fazer.
— Não me importa, além disso eu sei me cuidar, não preciso atirar em ninguém.
David desistiu de tentar argumentar com a subordinada, soltando um suspiro longo.
— Você quem sabe, pirralha.
Ela sorriu de canto, saindo da sala dele logo em seguida. Assim que a jovem mulher saiu, o homem voltou a fumar e ler sua revista de modelos.
Ela puxou seu gênio forte, parceiro…
One Vision - Estúdio de filmagens - 09:50 A.M
Chegando no prédio para mais um dia de trabalho, Edward não conseguiu esquecer o encontro inusitado com a detetive, e temeu o que poderia acontecer a noite. Ele foi para seu posto, com os outros funcionários completamente focados em seus próprios.
Pelo menos ninguém percebeu que estou atrasado…
— Tá atrasado!
O homem se assustou quando Christy se aproximou dele com um olhar reprovador.
— Você não deixa nada passar, hein? — disse ele, coçando a nuca, envergonhado.
— Realmente achou que eu não perceberia se meu melhor amigo faltasse?
— É… tem razão.
Em meio a risadas e trocas de farpas, eles trabalharam juntos, uma sinergia poderosa entre grandes amigos que impulsionaram o desempenho de ambos.
Em um certo momento, Keaton percebeu o olhar distante da loira, aproveitando o momento de pausa das atividades para poder conversar com ela. Os dois se sentaram em um banco no estúdio e ele colocou a mão no ombro dela.
— O que houve?
— Nada…
— Christy Summers… Eu te conheço bem, não adianta tentar esconder de mim.
— Uff… Tá bem. eu estou triste com o que aconteceu comigo e a Jennifer, eu não queria bater nela, mas ela me acusou de coisas terríveis, não pude aguentar mais.
O fotógrafo acariciou o cabelo dela, que fechou os olhos e inclinou a cabeça em direção a mão dele. Apesar do momento não ter sido muito diferente de outros no passado, quando eram crianças, dessa vez aparentou ser algo novo, um afeto que nenhum dos dois havia sentido antes.
— Você é forte, Christy, não deixe aquela mulher te abalar assim.
— Eu sei… mas ainda dói.
— Sim, isso é verdade, mas diferente dela, você tem um bom coração, e ninguém pode competir com isso.
A mulher riu e se apoiou ainda mais em seu braço.
— Você sempre sabe o que dizer pra me fazer sentir melhor.
Ele sorriu de volta e bagunçou seu cabelo antes de se levantar do banco.
— Sempre estarei contigo, loirinha.
— Obrigada, quatro-olhos.
Assim, os dois retornaram ao trabalho, e Christy se sentiu mais leve depois de receber afeto de Edward.
Ainda no escritório do CEO, George terminou a maior parte de seu trabalho, decidindo acessar o blog de Edward logo em seguida.
O CEO colocou o primeiro vídeo publicado no site, que foi lançado em 2031, e Keaton expôs a morte suspeita de um jornalista chamado Henry Matsunaga, um homem que era um crítico extremo do Governo Supremo.
Ferrera não conseguiu deixar de sentir a revolta com a injustiça sofrida pelo falecido homem. Os jornais e informações da polícia citavam suicídio, porém as pessoas que observavam esse caso de perto sabiam que havia algo muito errado, e Corvus deixou isso bem claro no vídeo:
— Eles nos disseram que foi apenas um suicídio, mostrando essa carta fajuta para comprovar a mentira. Porém, mesmo tentando simular a letra de Matsunaga, eles não conseguiram copiar algo único dele, sua assinatura característica.
De repente, a porta do escritório se abriu, George se assustou com o barulho, fechando o notebook por instinto.
— O que está acontecendo aqui?
Core e alguns policiais entraram no cômodo, o sorriso satisfeito do Governador deixou o homem irritado.
— Estou decepcionado, George, ser cúmplice de um criminoso não era algo que eu esperava de você.
Suzane ficou perto da porta.
— M-Me desculpe, George, eu tentei impedi-los…
Os policiais seguraram o CEO e um deles mexeu em seu notebook.
— Estava certo, G.S, ele estava acessando o blog suspeito.
Michael riu e se aproximou do CEO, o encarando de forma estranha, o sorriso torto em seu rosto fez com que George suasse frio.
— Me diga, você sabe quem é o dono deste site?
— Não…
— Ah… Mas eu sei, Sr.Ferrera, e a revelação vai ser um choque para você.
O líder da cidade foi para a janela do escritório, observando os prédios à frente e o trânsito abaixo.
— O dono do blog… é Edward Keaton, seu melhor amigo.
O homem congelou, engolindo em seco com a revelação.
E-Eddie!? Como assim?
— Você está só querendo me zoar, não é? Eu não acredito em você.
Core ficou sério, se virando lentamente para encará-lo.
— Com certeza isso não é brincadeira, George.
Os pensamentos de Ferrera focaram no melhor amigo, que estava no andar de baixo, trabalhando, e a preocupação lhe preencheu.
Suzane percebeu o olhar do chefe, uma medida silenciosa de alertá-la para sair imediatamente da sala.
A loira saiu da entrada do escritório e desceu em passos largos para o estúdio, o som dos saltos batendo no chão reverberaram pelos corredores vazios da agência.
Chegando no estúdio, ela não perdeu tempo e se aproximou do fotógrafo, que estava bebendo água em um canto mais afastado.
— Suzane, precisa de algo?
— Edward, você precisa sair daqui.
A voz dela estava um pouco alterada, sua respiração pesada e a ansiedade visível no toque em seu braço.
— Q-Quê? Como assim? Eu fiz alguma coisa?
— Não, não! Não dá tempo para explicar, confie em mim, e corra, o mais rápido que puder.
Keaton sentiu o peso das palavras dela, e confiando nisso, ele largou o copo de água em uma mesa e saiu correndo do estúdio, deixando os outros funcionários confusos, Christy observou o melhor amigo indo embora e se preocupou.
O que está acontecendo?
Quando chegou na recepção, ele logo entendeu porque Suzane lhe pediu que fugisse. Edward passou pelos dois policiais fazendo perguntas aos recepcionistas, e saiu do prédio em alta velocidade.
— Ei! Parado aí!
Os dois homens correram atrás dele, chamando por reforços pelo comunicador.
A perseguição começou pelas ruas, o fotógrafo correu o mais rápido que pôde. Sua respiração vacilou em alguns momentos, o coração atingiu picos altos de batimento.
Droga… eu deveria ter me exercitado mais…
Para sua sorte, a adrenalina lhe impulsionou a continuar correndo, e nem mesmo a visão escurecendo ou o suor cobrindo seus óculos lhe impediam.
Keaton estava prestes a ceder e a ser capturado pelos policiais, porém John surgiu no seu carro passando pelo quarteirão e buzinou para ele.
— Rápido! Entre!
Conan abriu a porta do passageiro na frente e Keaton pulou com tudo, quase acertando o motorista com o impacto, mas conseguindo fechar a porta no último segundo antes que os policiais conseguissem abri-la.
John pisou fundo no acelerador e os tirou daquela área, os agentes ficaram no local e relataram ao departamento que eles fugiram, entretanto não conseguiram identificar o número da placa do carro.
Red Maple Loop - 10:05 A.M
Chegando no esconderijo, John escondeu seu carro na garagem e eles foram até o subsolo.
Lacey e Kyle ficaram surpresos ao ver os dois homens ofegantes.
— O que aconteceu?
— Não sei… Suzane me pediu para fugir, e quando me dei conta, dois policiais estavam me perseguindo, graças ao John eu não fui pego.
— Acha que descobriram sobre a gente?
— Isso seria a pior situação possível.
— Galera! olha aqui!
Com o apelo do hacker, todos se reuniram no centro e olharam para a TV, que estava na transmissão do canal de notícias.
A repórter estava no prédio da One Vision, cercada por várias pessoas curiosas, e a cena seguinte chocou a todos.
“Estamos na agência de modelos, One Vision, onde o CEO, George Ferrera, está sendo preso por envolvimento com criminosos conspiracionistas”
Keaton segurou com força na mesa para se equilibrar, tendo visto a prisão de seu velho amigo, ele não conseguiu parar de pensar no que levou a essa situação.
— Isso não faz sentido… Eu achei que a One Vision tinha conexão direta com o governo.
— Bem… pelo visto era apenas uma coincidência — comentou Lacey.
— Esse rapaz é inocente, senão o governo não teria deixado isso acontecer — complementou John.
Algum tempo depois, Core surgiu na entrada do prédio, com seu sorriso forçado, ele se aproximou da repórter.
— G.S, poderia nos dar suas opiniões sobre o que aconteceu? Você era conhecido do CEO?
— Sim, George era um grande parceiro, tão jovem e inteligente, uma pena alguém como ele estar envolvido com pessoas ruins.
Edward socou a mesa, descontando a raiva que subia pelo seu corpo.
— Isso é obra desse maldito, eu tenho certeza!
Os outros membros compartilharam da revolta, acenando com suas cabeças.
A situação ficou ainda pior, o canal colocou o rosto de Edward com a palavra procurado, logo abaixo.
“Se virem esse homem, denunciem à ETPD imediatamente, ele representa uma ameaça ao governo supremo”
— Que ótimo! Agora sou um criminoso procurado.
— Isso é estranho… como conseguiram descobrir sua identidade? — perguntou a takamorinesa.
— Provavelmente da mesma forma que vocês me descobriram.
— Ainda assim, como tiveram acesso ao blog? — adicionou Kyle.
— Pelo que vocês me disseram, esse site é oculto não é?
— Exatamente, John.
O grupo se calou, focando em encontrar respostas para esse enigma.
Finalmente, Lacey soltou um suspiro alto e puxou a manga da camisa do blogueiro.
— A detetive! Eddie, com certeza foi ela que te entregou!
— Não tenho tanta certeza… Ela deixou o pen-drive comigo antes de sair.
— Então quem mais poderia vazar essas informações?
— Não adianta quebrar a cabeça com isso agora, vamos nos organizar para mais tarde — disse John.
Com as palavras do homem, eles finalmente se acalmaram e decidiram esperar pelo inevitável encontro com a detetive.
One Vision - Estúdio de filmagens - 10:45 A.M
Os funcionários já estavam sabendo das últimas notícias, inclusive Christy, abalada com a prisão de George e a perseguição contra Edward. Suzane ficou ao lado dela, oferecendo apoio ao mesmo tempo que se segurava para não chorar também.
— Eles não são criminosos, não são…
— Claro que não, Christy, vai dar tudo certo, eu conheço o George, ele vai querer nos ver sorrindo pra grande volta dele.
A loira riu com a fala otimista, sentindo uma pontada de nostalgia ao lembrar dos momentos que ela e os dois amigos brincavam juntos na floresta.
— O George é exatamente assim, e o Eddie sempre fazia alguma palhaçada pra me deixar alegre novamente…
— Tá vendo? Você confia nos dois, logo vocês três vão poder conversar novamente, não perca a esperança.
Christy secou as lágrimas e encarou Suzane com um sorriso leve.
— É mesmo, obrigada Suzane.
— Não precisa agradecer, querida, continue forte, por você, e por eles.
A modelo se levantou e caminhou até o bebedouro, seus olhos se fixaram no copo descartável, uma pausa para os pensamentos se organizarem.
De repente, Jennifer se aproximou dela, retraída e com a cabeça inclinada levemente para a frente, o que deixou a loira surpresa.
— O que foi?
— Podemos conversar?
— Não sei se isso é uma boa ideia…
— Por favor, prometo não demorar muito.
Christy ficou indecisa, a raiva que ainda estava sentindo da ruiva misturada com a empatia ao ver a mulher implorando. Algo inédito desde que se viram novamente depois de anos.
— Tá bom.
Jennifer sorriu e respirou fundo antes de começar.
— Me desculpe pelas acusações.
— Eu não entendo, por que você sente raiva de mim? O que eu te fiz?
A modelo mordeu o lábio, envergonhada de expor o que estava passando em sua mente há muito tempo.
— Tudo começou quando éramos crianças…
Brook’s Elementary School - 16 anos atrás
Mais um dia de aula se iniciou para as crianças, todas espalhadas pelo pátio durante o recreio. Edward e Christy brincaram de pega-pega com outros alunos.
— Você é muito lenta!
— Calado!
Uma garota ruiva, um pouco acima do peso, estava sentada em uma mesa com um livro na mão, observando as outras crianças se divertindo. Ela pensou em se aproximar deles para se enturmar, mas a timidez venceu e ela voltou a ler.
Algum tempo depois, Keaton se aproximou dela, com um sorriso gentil, o que a deixou envergonhada.
— O que está lendo?
Ela ficou surpresa com o interesse dele, e aproveitou a oportunidade, oferecendo espaço para ele se sentar.
— É um livro de fábulas que ganhei do meu pai, quer ler também?
— Fábulas? Claro!
Eles se sentaram juntos e leram, a garota lia mais rápido, então esperava com paciência a leitura do colega. Os dois passaram um bom tempo juntos, curtindo o momento em que estavam se conhecendo.
— Meu nome é Edward, e o seu?
— Jennifer.
— Espero que possamos ser grandes amigos.
A ruiva sorriu de canto.
— Eu também.
O sinal tocou e eles precisaram voltar para a sala de aula, porém, o jovem Keaton não foi junto de Jennifer, o que a deixou um pouco decepcionada.
— Te vejo depois.
— O-Ok.
A expressão no rosto da garota se fechou levemente quando Christy surgiu e foi junto com ele para a sala, despertando ciúmes na criança. Ela ficou para trás, observando os dois amigos irem juntos.
Christy ficou quieta ao ouvir sobre o passado, Jennifer fixou o olhar no chão, mantendo o silêncio enquanto a loira voltou a falar.
— Então… Você gostava do Eddie?
— S-Sim… por vários anos.
— Você já tentou falar com ele sobre isso?
— Uma vez… na adolescência.
St.Dennis High School - 8 anos atrás
Os jovens estavam ansiosos para o baile de formatura. O prédio ficou cheio de alunos procurando pares em suas turmas, e Jennifer reuniu coragem para convidar Keaton. Sua aparência melhorou bastante desde a infância, mais magra, seu rosto bem definido, tirou o aparelho e seu cabelo ruivo estava arrumado para o evento.
Ela o avistou na biblioteca, focado em um livro de mistério. O coração da ruiva bateu mais forte enquanto entrava na sala, fingindo estar procurando algum livro. Antes que pudesse abrir a boca para chamá-lo, Summers entrou e se sentou ao lado dele.
A raiva tomou conta da jovem, principalmente ao ver Christy encostando o rosto no ombro do melhor amigo.
— Eu não sei o que fazer, Christy, a situação só piora…
— Eu estou aqui, sempre estarei…
Jennifer saiu da biblioteca. Ela não precisou de mais nenhuma evidência para saber que seus esforços seriam inúteis, a frustração é o que sobrou naquele momento.
Summers sentiu uma pontada de culpa pelo que aconteceu no passado, desviando o olhar da ruiva rapidamente.
— Me perdoe, Jennifer, eu não sabia.
— Não precisa se desculpar, Christy, você não teve culpa de nada. Eu que peço desculpas por ter te ofendido sem motivo nenhum, não posso controlar quem o Edward gosta ou não.
A loira ficou de olhos arregalados.
— Espera, você acha que o Eddie gosta de mim?
— Claro, vocês estão sempre juntos e provavelmente foram ao baile anos atrás.
— Quem disse que fomos juntos para o baile?
Louis travou, procurando nos olhos da colega algum tipo de mentira.
— V-Vocês não foram juntos?
— Aquele homem não gosta de sair muito, não depois do que aconteceu com a família dele, além disso, sempre deixamos claro que nos vemos como irmãos, e apenas isso.
— Caramba… e pensar que não fui para o baile por causa disso, eu sou muito tonta.
A loira riu e bateu de leve no ombro da modelo. Em seguida, se virou para voltar às suas atividades.
— Fico feliz em saber que você ainda gosta do Eddie. Por que não tenta falar com ele? Nunca se sabe o que pode acontecer.
Assim, Christy voltou para seu posto, deixando Jennifer pensativa e ao mesmo tempo tranquila. A ruiva ajeitou o vestido e se preparou para suas seções.
Escritório do CEO - 09:25 P.M
Core se sentou na cadeira e suspirou lento, ele encarou Elizabeth com um sorriso satisfeito.
— Deu tudo certo, Elizabeth.
— Com certeza, Sr.Core.
— Agora que George está na cadeia, só precisamos cuidar do outro rapaz… Edward, não é?
— Isso mesmo.
— Ah! E avise a secretária do Ferrera que não vou precisar dos serviços dela, eu já tenho você para cuidar das coisas.
Stones acenou com a cabeça e saiu do escritório, o Governador mudou o foco para o cofre trancado na sala, imaginando o que teria dentro.
Depois de algumas tentativas, o homem desistiu de tentar abrir o cofre, dando um soco de frustração na parte de cima e saindo da sala logo em seguida.
Parque Funtime - 10:00 P.M
A detetive esperou pacientemente no local combinado, o seu disfarce era simplesmente uma máscara de mímico barata e seu uniforme padrão.
O carro preto dos Unidos chegou no parque, e Corvus desceu, Faith recuou um pouco ao perceber o andar apressado e nada amigável do estranho mascarado.
— Vocês vieram…
O mascarado ficou cara a cara com Sanders, sua presença era fria e intimidadora, fazendo com que a mulher sentisse um arrepio na espinha.
— Venha com a gente.
Ele se virou e voltou ao veículo, sem dizer mais nada. Encurralada, a detetive obedeceu e sentou no banco de trás.
Red Maple Loop - 10:05 P.M
Eles entraram no esconderijo, com Mike guiando a jovem para uma das cadeiras, assim que Faith se sentou, ela ficou espantada com a aparência do lugar e os membros do grupo a encarando de perto.
— Essa é a detetive? — perguntou Kodama.
Snake retirou a máscara dela, vendo o mesmo rosto da pessoa que o abordou anteriormente.
— É ela mesmo.
Sanders finalmente quebrou o silêncio.
— Escuta… eu não disse nada para a polícia, eu também fiquei indignada quando vi as notícias, precisam acreditar em mim.
Corvus se sentou na frente dela, e inclinou-se para a frente.
— É difícil acreditar em você, detetive, você esteve no meu apartamento mais cedo, esqueceu?
Edward tirou a máscara imediatamente, deixando os outros membros perplexos.
— O que você está fazendo?
— A essa altura do campeonato, eu não preciso esconder minha identidade para ela, Kodama.
— Tá… faz sentido… Mesmo assim acho que era melhor não fazer isso.
Faith ficou em silêncio por alguns segundos, então retomou a fala.
— Edward, eu deixei o pen-drive com você, lembra?
— Eu sei, mas ainda é possível que você tenha usado outros meios para nos entregar, você é detetive, lembra?
— Se fosse assim, eu não me sujeitaria a aparecer sozinha no parque.
— Ela tem um ponto — comentou Mike.
Com um suspiro de alívio momentâneo, Edward decidiu acreditar na mulher e lhe deu espaço para que se sentisse confortável.
— Você tem alguma ideia de quem possa ter nos entregado? — perguntou Kodama.
— Foi o Governador e a mulher que o acompanhou. Eles estavam no departamento mais cedo e levaram para o meu chefe, a identidade do Edward como dono do blog.
Os presentes ficaram espantados com a revelação, e Keaton apertou os dentes.
— Eu sabia! não me admira que agora querem me prender por expor as falcatruas deles.
— Ele deve tá morrendo de medo com tanta exposição — disse Snake.
— A única coisa que eles temem é a verdade — complementou Mike.
Kodama retirou a máscara, revelando sua identidade para Faith.
— Olha… eu ainda estou um pouco desconfiada, mas consigo ver no seu olhar que é uma mulher honesta, então quero saber, podemos confiar em você, detetive?
A jovem acenou com a cabeça e encarou a takamorinesa com um olhar sério.
— Eu, Faith Sanders, prometo ajudar vocês no que precisarem!
— Boa! Então contamos com sua ajuda, Phantom.
— Phantom!?
— Seu novo codinome, gostou?
Faith riu e brincou com a máscara em sua mão, testando a sonoridade da palavra em sussurros.
— Gostei, Phantom combina com meu estilo.
Os membros se reuniram na mesa do centro, Keaton se viu empolgado com a possibilidade de fazer parte de algo maior, lutando pela verdadeira justiça ao lado de companheiros que desejavam o mesmo.
Lacey limpou a garganta.
— Vamos pensar no que fazer para expor a verdade à população. Vai ser difícil, mas acredito que dessa forma, podemos colocar mais medo no Core e ainda libertar o amigo de Edward da cadeia.
— Eu posso tentar conseguir informações do governo que estão guardadas no departamento, meu mentor pode me ajudar nisso.
— Isso seria muito bom, contamos com você, Fay.
— E qual será o local onde executaremos o plano? — perguntou Edward.
— O desfile de moda. Como aquele vagabundo tomou o lugar de seu amigo na agência, podemos aparecer no dia para mostrar quem ele é para os convidados, além disso tudo vai ser gravado, teremos um alcance gigantesco! — respondeu Lacey.
— Faz sentido. Eu posso conversar com algumas pessoas de dentro, que podem facilitar nosso acesso ao prédio.
— Faça isso, Eddie.
— Eu vou junto com ele, assim aprendo sobre o sistema do lugar para hackear.
— Boa, Kyle.
— Kyle é o nome dele? — perguntou Sanders.
O rapaz retirou seu disfarce, revelando o rosto para a detetive, ela ficou de boca aberta ao reconhecê-lo.
— Você!?
— Eu.
— Sabia que você estava agindo estranho ontem, devia ter pressionado mais um pouquinho.
— Esse bobão quase revelou nossa identidade por não conseguir fingir naturalidade.
— Não diga isso, Lacey! Foi difícil pelo jeito que ela me encarava no parque.
— Tudo pra você é difícil, cabeçudo. Aposto que foi igual daquela vez com a garota do shopping.
— Ei! Foi um deslize, ok? Ela foi muito gentil.
— Ela estava tentando te vender perfume e você confundiu tudo, baka!
Isso foi o suficiente para tirar gargalhadas de todos presentes. O hacker virou o rosto de vergonha, Faith em especial estava rindo de forma controlada, observando o rapaz com certa admiração — um olhar delicado e sem julgamentos.
Quando finalmente pararam para respirar, retornaram ao tema importante que estavam discutindo.
— A partir de amanhã, nós começamos a organizar tudo para o grande dia, e tomem cuidado, não queremos que mais pessoas saibam de nosso segredo.
Eles concordaram com Kushina e se despediram para voltar às suas casas.
