15 anos atrás
— Pai! Onde você vai?
— Não se preocupe, campeão. Vou conversar com alguns amigos.
— Cuide dele, Hanna, amo vocês.
— Volte logo, querido.
Aos poucos, a visão da criança foi desaparecendo em um limbo negro, até que ela dormiu.
Edward acordou suado, apertando o travesseiro e os dentes, ele piscou seus olhos algumas vezes, então pegou seus óculos e colocou no rosto.
— Tive esse sonho de novo.
Ele se levantou e viu uma notificação no celular. Era uma mensagem de Lacey.
Lacey Kushina: Bom dia! Não se esqueça da missão, sua função será a mais arriscada.
Red Maple Loop - 10:54 P.M - Noite anterior
— Beleza! Vamos discutir nossa missão de amanhã?
— Vocês já tem um plano?
— Já tem semanas que a gente debate o plano, te convocar sempre foi parte dele, aliás.
— Entendi.
Lacey apontou para um quadro branco na parede.
— Esta será uma missão de reconhecimento. Temos que entender a dinâmica do local que iremos atacar e construir nossa estratégia a partir disso.
— Eu consegui pegar um monte de informações da One Vision, de nomes de funcionários a senhas criptografadas— disse Kyle, digitando algo em seu computador.
— Espera! One Vision? Nós vamos atacar a One Vision!? — exclamou Edward, preocupado.
— Qual o problema? — perguntou Lacey.
— Eu tenho uma amiga que acabou de se tornar modelo lá. Nunca foi minha ideia envolver conhecidos nessa loucura.
— Nós não iremos fazer nada que prejudique sua amiga. Mas essa missão é extremamente necessária — disse a takamorinesa, encarando o quadro negro — Você já deve saber que a One Vision tem ligação com o Governo Supremo, certo?
— Sim, eu sei…
— Pois bem, temos que fazer isso, pelo menos pra sabermos se essa empresa vai nos dar dor de cabeça ou não.
— Eu entendo. Vamos prosseguir então.
Kushina sorriu e voltou à explicação do plano.
— A One Vision é a maior agência de modelos do mundo. Sua influência é assustadora, ao ponto que a simples reprovação de uma das modelos contra um jornalista local, foi capaz de fazer com que ele perdesse seu emprego, alvo de ataques da população.
— E o pior é que esse cara nem era um péssimo jornalista, a modelo cismou porque ele foi rígido em um assunto e ela levou pro coração — adicionou John.
— Aquele post dele sobre anorexia?
— Esse mesmo, rapaz.
A mulher apontou para o centro comercial da cidade, onde estava a agência principal.
— Essa agência está localizada no melhor lugar pra gente.
— Vamos invadir a One Vision? — perguntou Edward.
— A gente não, você! Precisamos que se disfarce de fotógrafo e entre no prédio.
— Como é!?
— Isso mesmo.
Edward soltou uma risada nervosa, cruzando os braços e balançando de um lado pro outro.
— Quer que eu simplesmente aceite esse plano arriscado sem mais nem menos?
— Nós vamos estar em contato o tempo todo, por favor, Eddie…
As mãos da ruiva nos braços do blogueiro serviram como uma pressão adicional. Keaton hesitou, e Kushina baixou os braços.
— Cada um aqui vai fazer algo, eu vou te passar as instruções, Kyle vai gravar tudo e John vai estar por perto para te salvar caso algo dê errado.
Os olhares firmes de Kyle e John fizeram com que Edward mudasse de perspectiva. Ele deixou os braços caírem ao lado do corpo e suspirou.
— Ok! Vamos fazer isso!
— Eba! É assim que eu gosto! — exclamou Lacey, apontando para Kyle logo em seguida — Ele vai te mostrar o mapa da agência, assim você pode ter uma ideia dos lugares para onde ir.
Analisando o mapa, Keaton descobriu que o prédio continha doze andares, mas o foco permaneceu no quinto andar, onde ficava o estúdio de filmagens e a sala de descanso das modelos, o décimo primeiro andar, onde eram organizados os eventos e desfiles, e principalmente, o último andar, onde estava localizado o escritório do CEO.
— Você deve entrar na One Vision como fotógrafo para ter acesso aos locais do prédio, ter contato com os funcionários e, finalmente, adquirir informações confidenciais do CEO.
— Beleza!
Prédio da One Vision - 8:30 A.M
Após semanas de pura burocracia e entrevista bem avaliada, Edward conseguiu a vaga de trabalho, a ajuda de Lacey e os outros deu certo, e ele apenas teve que lutar contra o nervosismo e fingir que estava fazendo um bom serviço.
Ele chegou à recepção e parou diante da máquina de café. Queria começar o dia com o pé direito. Enquanto esperava a bebida, limpou a câmera com um pano. Com um sorriso satisfeito, aproximou-se da recepcionista.
— Bom dia, onde fica o estúdio de filmagens mesmo?
— No quinto andar, a segunda porta à direita.
— Muito obrigado.
Depois de colocar o crachá, Keaton entrou no elevador, encostando em uma das barras de suporte. Sua mão repousou na gola de sua camisa, ajustando a câmera escondida para melhor visão do grupo.
— Estou subindo.
— Boa! Agora você deve focar em manter as aparências e ganhar a confiança de todo mundo, em algum momento o CEO vai dar as caras, esteja preparado.
Entretanto, assim que a porta do elevador abriu, Keaton deu de cara com uma pessoa completamente inesperada, cabelos castanhos, boa aparência, uma postura confiante, não lhe restavam dúvidas, e a expressão no rosto do outro homem apenas lhe confirmou o que já sabia.
— Eddie!?
— George!?
Sem perder tempo, George envolveu o velho amigo em um abraço.
— Cara, é você mesmo!
Embora paralisado, Edward retribuiu o gesto, os Unidos observaram a interação, eles também não esperavam que o recém fotógrafo daria de cara com o CEO tão cedo.
— Ok… Isso está andando muito rápido, eu nem sei o que dizer.
— Mas isso é bom, não é, Lacey?
— Eu sei, Kyle, mas ainda é repentino.
— Não falem muito alto, ele está de fone — sussurrou John.
Os dois se calaram no mesmo instante.
Edward coçou o ouvido, queria retirar o fone que incomodava sua audição com o chiado constante.
— Cara, há quanto tempo a gente não se vê, eu não esperava que você viria trabalhar aqui.
— Pois é… aconteceram algumas coisas, e precisei arrumar um emprego logo, mas e aí? Tô vendo que o seu lado empreendedor deu bastante frutos.
O CEO riu e balançou a cabeça.
— Foi complicado, mas o esforço compensou.
George olhou para seu relógio, ficando agitado de repente, ele tocou no ombro de Edward e disse,
— Eddie, é bom te ver, mas preciso cuidar de algumas coisas, a gente pode conversar depois?
— Sem problemas, vai lá.
Eles se despediram e o homem entrou no elevador. Keaton suspirou e colocou a mão no fone de novo.
— Não consegui muita coisa, foi mal.
— Não se preocupe, agora que a gente sabe quem é o CEO, o resto vai ficar mais fácil, apenas continue mantendo o disfarce.
— Ok.
Quando chegou no estúdio, o homem ficou nervoso ao ver os outros funcionários e modelos trabalhando a todo vapor, ele ficou um pouco desorientado, tomando um leve susto ao sentir uma mão encostar em seu ombro. Ele se virou e viu Suzane Spencer.
— Você é o novo fotógrafo?
— Sou eu.
— Ótimo! Você pode esperar ali, e esteja pronto para tirar as melhores fotos.
Edward foi para o seu posto, esperando as modelos.
O homem abriu um sorriso ao ver Christy, que era a próxima a ser fotografada por ele. A loira quase não conteve a empolgação, ajeitando o cabelo com certa intensidade e se preparando para as fotos.
— Mais pra esquerda.
Ela o obedeceu, entretanto fez algumas expressões e olhares para provocá-lo, o que não funcionava com ele.
— Boba.
— Acho que vou pedir para você ser meu fotógrafo particular.
— Aprenda a compartilhar, Christy.
— Não quero.
Entre insultos e risadas, eles finalizaram a sessão, com um suspiro e leve inclinar para a frente, Christy lentamente saiu do set.
— Próxima!
Com o seu comando, a próxima modelo se aproximou do set, e os dois trocaram um olhar estranho. A ruiva piscou algumas vezes e arregalou os olhos, e o moreno franziu o cenho, tentando reconhecê-la.
— Levante um pouco a cabeça.
Ela obedeceu enquanto o encarava maliciosamente, os Unidos observaram tudo com reações mistas.
— Já não gostei dessa aí — disse Lacey.
— É linda demais, o Eddie é um cara sortudo.
A mulher encarou Kyle, ele sentiu um calafrio na espinha, aceitando seu destino inevitável. O punho dela em sua cabeça atingiu como um martelo em um prego.
— Ai! Pra quê isso?
— Fecha a boca, babão.
— Tu sempre faz isso, sua chata.
— Quer apanhar de novo?
John observou tudo em silêncio, se segurando para não rir.
Durante a sessão, a mulher finalmente se apresentou.
— Sou Jennifer Louis, você é Edward Keaton, certo?
— Caramba! você está muito diferente, eu quase não te reconheci.
Jennifer sorriu e mexeu o cabelo para o lado enquanto fazia outra pose.
— Sim, você também, mas certas coisas não mudaram, hein?
— Como assim?
— Você ainda é amigo de Christy Summers, observei o jeito que estavam se olhando mais cedo.
O homem engoliu em seco, captando uma energia estranha vindo de Louis. Ele apertou a câmera, e encarou o rosto da ruiva pela tela digital.
— Bem, nós somos amigos de infância, obviamente vamos continuar nos falando.
Jennifer revirou os olhos, uma pontada de decepção a atinge, e Edward percebe pelo tique inconsciente em seu olho esquerdo.
— Como consegue ser amigo de uma falsa como aquela?
— Próxima!
Com o comando dele, ela foi obrigada a avançar. A mulher abriu a boca e cruzou os braços, dividida entre continuar falando e sair em silêncio.
— Idiota… — sussurrou a mulher, enquanto andava com pressa para outro lugar.
Saída do prédio - 04:50 P.M
Após o trabalho, todo mundo se despediu e seguiram seus rumos. Edward caminhou tranquilo para a entrada, um sorriso leve apareceu em seu rosto, e ele cantarolou uma de suas músicas favoritas. Uma mão massageou seu ombro tenso, e o homem se virou para ver quem era.
— Gostou do trabalho?
Ele abraçou Christy e os dois saíram juntos do prédio.
— Olha… gostei sim, foi divertido.
— Eu também gostei, eu tava meio apreensiva, mas ser modelo não parece tão mal.
— Pois é. Ei, você viu aquela modelo ruiva? A Jennifer?
— Sim… Ela se acha demais, e parece que me odeia.
— Ela te chamou de falsa na minha frente, mas eu cortei na hora.
— Aquela…
— Relaxa, não vai ser uma aleatória que vai me fazer perder a confiança em você.
— Obrigada… Ter seu apoio aqui já é suficiente.
Os dois pararam na calçada, esperando os carros passarem e o semáforo abrir para eles.
— Christy, já viu o CEO?
— Não, você já?
— Sim, e você não imagina quem é.
Ela segurou o braço dele ainda mais forte.
— Me conta! Quem é?
— O George!
Uma pausa permaneceu por alguns segundos, cortada pelos pulos curtos da loira, algo esperado pelo fotógrafo.
— Gente, o George? Por onde esse menino andou?
— Eu fiquei tão surpreso quanto você, mas aquele cara sempre foi o maluco do grupo, com certeza iria fazer algo desse nível.
— Pois é! Tô doida pra conversar com ele de novo.
Quando o sinal fica verde, os dois seguem em frente, avistando o restaurante.
— Bora comer?
— Tô faminta! Você paga?
— Você recebe mais do que eu e ainda quer que eu pague tudo?
— Sim, você é o homem, tem que ser cavalheiro.
A loira piscou os olhos para ele, uma tentativa sem vergonha de comprá-lo, apesar de nunca ter dado bola pros jogos da melhor amiga, Keaton suspirou e puxou a carteira.
— Tá… Dessa vez eu pago tudo, mas quando se tornar a melhor modelo da agência vai ser sua vez, combinado?
— Combinado!
Assim, os dois amigos foram juntos ao restaurante no fim da rua, conversando tranquilamente e apreciando a companhia um do outro.
Juniper Falls Street - Mansão do G.S - 09:00 P.M
No outro lado da cidade, perto das lindas florestas de pinheiro, estava a mansão do G.S, o líder máximo de St.Dennis, que aproveitou seu momento de lazer para jogar golfe sozinho, ele limpou a poeira de seu terno azul e se preparou para continuar.
— Elizabeth! Venha aqui!
Com seu comando, uma linda mulher ruiva de olhos verdes, usando um vestido vermelho justo, se aproximou do homem.
— Sim, Sr. Core?
— Como está a minha agenda para amanhã?
— Amanhã o senhor tem um encontro com os outros G.Ss, a inauguração do novo colégio de St.Dennis e por fim, um jantar com os donos da Holy Terra.
— Mais alguma coisa?
— Não muitas, mas na lista de prioridades está o desfile de moda da One Vision, o CEO te convidou.
— Desfile, hein? Minha esposa gosta dessas coisas, parece divertido.
Em silêncio, ele acertou a bola no buraco, sorrindo com satisfação. Em seguida acenou para a secretária.
— Será que dá para colocar mais alguma na agenda?
— Tipo o quê, senhor?
— Veja se é possível uma reunião com o Sr.Ferrera, quero conhecê-lo antes do desfile.
— Farei o que for possível.
— Você pode ir pra casa, boa noite.
— Até amanhã, senhor. Boa noite.
Enquanto ela saía da mansão, ele observava o céu, seu rosto neutro, pensando no futuro encontro com George.
