Casa da Lacey - 12:00 P.M - 2 dias para o desfile
Kyle estava se recuperando dos ferimentos causados por Sting. Enquanto se aquecia com cuidado, Lacey se aproximou dele com um sorriso travesso.
— Então… quer treinar um pouco comigo?
— Agora? Eu não me importo de treinar um pouco, mas você vai pegar leve?
O sorriso da mulher ficou mais evidente, ela cutucou a testa do companheiro, deixando-o incomodado.
— Sim, eu prometo pegar leve com você, fracote.
O espírito competitivo do rapaz se acendeu, rapidamente se dirigindo para o quarto de Kushina, pronto para o desafio.
Lacey ficou empolgada com a aceitação dele, dando um leve pulo, e o acompanhando logo em seguida.
O quarto dela tinha paredes adornadas por papéis de parede com caligrafia antiga e katanas penduradas. Um tatame estava preparado no chão.
— Acha que pode vencer com seu taekwondo de araque?
— Com toda certeza, karatê kid.
Os dois riram e começaram a lutar, sequências rápidas e poderosas de socos e chutes. Kyle avança para acertá-la com um chute direto, porém Lacey segurou sua perna.
— Muito previsível, Kyle.
— Ah é?
Pegando impulso com a outra perna, ele mirou para chutar a cabeça dela, mas a mulher usou as mãos e se defendeu. Ela respirou fundo, aliviada por ter pensado rápido.
— Tem certeza que está ferido?
— Eu não posso pegar leve com você, senão você vence.
— Esperto.
A luta continuou, nenhum dos dois demonstrou hesitação nos ataques, suas habilidades estavam refinadas e evidenciaram os anos que treinaram. Em um certo momento, Kyle utilizou seu chute giratório para acertá-la, porém Lacey desviou e acertou seu estômago, fazendo com que o rapaz caísse no chão.
— Cof! Cof! Essa doeu!
— Deixa de ser um bebê chorão, vem, eu te ajudo a levantar.
Quando ela estendeu a mão, ele agarrou seu braço e a derrubou, usando as pernas para prendê-la.
— Ei! Isso não é justo, idiota!
— Eu ganhei no final, parceira.
A mulher revirou os olhos e se juntou a ele nas gargalhadas, cedendo para a prisão inofensiva do colega. Finalmente ele a libertou e os dois se levantaram, com um cumprimento respeitoso para finalizar a luta, Kyle saiu de seu quarto para tomar banho.
Quando ambos terminaram de se refrescar, foram em direção a sala de estar para almoçar. Sentando na mesa, Kyle suspirou e brincou com a comida.
— Eu não esperava que quase seria morto por um agiota, conheceríamos o Edward e ainda entraríamos em um confronto direto com o governo, que semana agitada.
— Pois é. Quero nem pensar no que vai acontecer em seguida, o melhor que podemos fazer agora é estar preparados para o que for preciso.
— Você tá certa.
Casa do John - 12:30 P.M
O motorista almoçou com sua família, discutindo assuntos do cotidiano, como as notas das crianças, as contas que precisavam pagar e a próxima viagem de férias.
Ele bocejou e coçou os olhos. Após tantos eventos perigosos, um momento calmo com seus entes queridos foi bastante necessário.
— Querido! sua comida vai esfriar — disse sua esposa, apontando para o prato.
— Ah sim! Obrigado Helena.
Depois do almoço, as crianças foram para seus quartos, deixando John e Helena sozinhos. Antes que pudesse se levantar da cadeira, a mulher segurou sua mão e o encarou diretamente, a mesma expressão que ela fazia quando algo a incomodava.
— O que houve, querida?
— John, o que tem acontecido? Você parece tão distante da gente.
— É apenas o cansaço do trabalho, querida, não precisa ficar assim.
Ela balançou a cabeça em discordância, insatisfeita com a resposta.
— Você não me engana, John Conan, eu sei quando está mentindo para mim, e até hoje eu me pergunto com o que você trabalha tanto que não pode compartilhar comigo.
O homem deixou escapar um suspiro pesado, lembrando das consequências de revelar o grande segredo sobre suas missões perigosas.
— Tudo bem, eu conto.
— Estou ouvindo.
Ele segurou o ombro dela, a mulher respirou fundo e levantou o canto da boca, apreciando o toque do marido.
— Eu trabalho como segurança particular de um funcionário do governo, querida, eles me pediram para manter segredo, é algo muito perigoso, e eu já estou com medo do que pode acontecer só de eu te confessar isso agora.
Helena arregalou os olhos com a revelação, o toque firme de John foi o que a mantinha de pé, desde que suas pernas estavam bambas e quase perdeu o equilíbrio.
— U-Um segurança particular?
— Sim, querida.
— Sempre me perguntei de onde vinha o tanto de dinheiro que você recebia… Estou mais aliviada em saber que não é algo ilegal.
Uma pontada de culpa atingiu John, que a abraçou, tanto para oferecer carinho, quanto para esconder seu olhar distante.
— Eu te amo, Helena, quero sempre o melhor para você e nossos filhos.
— Eu te amo também, e obrigada por confiar esse segredo comigo, mas eu peço uma coisa.
— O que é?
— Tome cuidado! Eu não quero te perder, ouviu?
Ele sorriu e a beijou.
— Sim, senhora.
Prisão de Edge Times - 03:00 P.M
Após o interrogatório cansativo e cheio de rodeios desnecessários, George foi levado para sua nova cela.
Ele não esboçou reação com a iluminação fraca, grades enferrujadas, e nem pelos olhares de desprezo dos outros presos.
— Olha o filhinho de papai.
— O que um mauricinho como esse fez pra estar aqui?
— Calem a boca agora! — respondeu o guarda, batendo o cassetete nas grades das celas.
George foi colocado em sua cela, a beliche no canto chamou sua atenção, tinha alguém deitado na cama de cima, mesmo assim, o homem ignorou e se deitou, tentando se distrair dos problemas.
Espero que a Suzane esteja bem…
— Você não parece um criminoso — disse o companheiro de cela.
Ferrera não se mexeu, mas focou no homem da cama de cima.
— Eu não sou.
— Sofreu injustiça, não foi? Consigo perceber no tom de sua voz.
Ele levantou uma sobrancelha, impressionado com a habilidade do misterioso indivíduo.
— Quem é você?
O homem desceu da cama e ficou de frente para o CEO.
— Hiro Kushina, muito prazer.
— George Ferrera, o prazer é meu.
Os dois apertaram as mãos e o homem se curvou para a frente. Hiro era um takamorinês ruivo, aparentava estar na faixa dos 25 a 28 anos, e tinha uma tatuagem de samurai no braço direito. Apesar de ser um prisioneiro, sua expressão facial emitia tranquilidade e gentileza, algo que acendeu um alerta na cabeça de Ferrera.
— Por que você foi preso, George?
— Eu sei coisas demais sobre o governo, é isso.
— Ah… Faz sentido, eles têm medo da verdade, então você está no caminho certo.
— Espero que sim…
Após segundos de silêncio, o moreno decidiu perguntar.
— E você? Por que está preso?
— Eu matei meus pais, estou preso há 12 anos.
Ferrera recuou um pouco, ele sabia que o motivo de um homem jovem estar preso foi graças a um motivo bastante perturbador.
Vendo o desespero no olhar dele, Hiro riu levemente e se aproximou com as mãos em evidência para acalmá-lo.
— Sei que parece terrível, mas eu garanto que foi necessário, só queria proteger minha irmãzinha, nada mais.
A expressão de Kushina mudou para algo mais sério, perdido em pensamentos do passado, assim, George finalmente se acalmou.
— Deve ter sido algo bem ruim para você chegar a esse ponto. Se não for incômodo, eu gostaria de saber o que aconteceu.
— Talvez em outro momento, não quero falar sobre isso agora… — ele coçou a nuca e observou a grade — Sabe, se for sortudo, pode acabar saindo daqui mais rápido do que imagina.
— Tem certeza?
— Claro! Bem… se não acabar morrendo por causas desconhecidas.
George engoliu em seco, paralisado com o que acabou de ouvir. Hiro deixou escapar um riso e colocou a mão no ombro dele.
— Eu tô zoando! Devia ver sua cara.
Ele respirou aliviado e balançou a cabeça.
— Muito engraçado, Hiro.
— Olha só, gostei de você, então prometo te ajudar no tempo que estiver por aqui, nunca se sabe o que aqueles caras podem tentar.
— Obrigado.
O ruivo se deitou novamente e observou o teto fixamente. O moreno fez o mesmo e relaxou, apesar da pressão constante nas costas por causa do material de baixa qualidade.
Eu irei me vingar de vocês…
George repetiu essa frase em sua mente, uma promessa sólida de um futuro que viria para pessoas que lhe tiraram um pedaço de sua paz.
ETPD - 03:30 P.M
Faith se preparou para ir ao esconderijo, garantindo que nenhum trabalho ficasse pendente, assim não despertaria a ira de seu chefe. Antes que pudesse sair do prédio, o próprio apareceu com alguns documentos na mão.
— Sanders, preciso que investigue sobre essa pessoa, estamos perto de pegá-la, mas ainda faltam provas mais concretas.
Como ela estava de costas, o homem não viu que ela revirou os olhos quando terminou de falar, ela se virou com um sorriso falso e pegou os documentos.
— Isso precisa ser feito hoje?
— Sim, não podemos perder tempo.
Droga…
O chefe do departamento voltou ao seu escritório, deixando a jovem travada, mordendo o lábio para se acalmar.
— Ainda está aqui, pirralha?
Faith se alegrou ao ouvir a voz de David, correndo até ele com uma expressão familiar para o homem.
— Senhor…
— Sim?
— Você pode terminar essa investigação por mim? Por favor…
Lands massageou a própria testa, o estresse do dia era evidente, somado a sua personalidade rabugenta de sempre, fez a mulher repensar o que pediu.
Porém, para sua surpresa, ele puxou os documentos da mão dela.
— Muito obrigada, senhor!
— Tsk! Tá, Tá! Me traga café e donuts amanhã.
— Pode deixar!
Ela correu para a saída e entrou em seu carro, a caminho do esconderijo dos Unidos.
Red Maple Loop - 03:35 P.M
Todos chegaram ao esconderijo, Edward, Kyle e Lacey já estavam fazendo suas coisas, organizando tudo o que conseguiram.
— Olha só! Parece que vocês dois se divertiram bastante hoje — comentou Faith.
Com um sorriso descontraído, Keaton respondeu.
— De certa forma, sim. Eu e Kyle não tivemos nenhum problema para acessar o prédio.
— Pois é, o funcionário nos ajudou bastante lá — complementou o hacker.
Os membros se sentaram à mesa, ansiosos para ver o que conseguiram, Lacey ligou o projetor e passou o slide do plano.
— Prestem bastante atenção, porque se qualquer coisa fugir do plano, podemos nos ferrar de verdade.
Todos acenaram e focaram no que ela tinha a dizer.
— O desfile será um evento grande, reunindo diversas pessoas do mundo, incluindo famosos, governantes e repórteres. Vai ser o cenário perfeito para nossa aparição.
— Ainda bem que estaremos usando máscaras, não sou um cara de se expor muito — disse John.
— Cara, eu não acredito que você é tímido.
— Não sou tímido, Kyle, apenas cauteloso.
O rapaz fingiu que acreditou no que ele disse e retornou a atenção para Lacey.
— Continuando… Todos terão que utilizar disfarces, não queremos que ninguém descubra nossas identidades reais.
— Ah! Eu não vou precisar.
— Por que, Faith?
— Meu mentor me disse que fomos convidados pelo G.S para o desfile.
O grupo ficou surpreso com a revelação.
— Caramba, seu mentor deve ser alguém importante para o Governador o convidar pessoalmente — comentou Edward.
— Deve ser isso.
— Entendido, todos exceto a Faith terão que usar disfarces, estão de acordo?
Os Unidos concordaram com a proposta.
— Beleza… é com você, Eddie.
O homem se levantou e continuou a explicação do plano.
— Em resumo… Eu e Lacey estaremos disfarçados de fotógrafos, John e Kyle de seguranças. Eu consegui os crachás com o meu contato, então não terão problemas, a parte final do plano é expor o Core e retirá-lo do comando da agência, então temos que nos preparar de verdade.
O resto da explicação focou no posicionamento dos participantes e o tempo correto para agir.
— É um bom plano — disse Faith.
— Acredito que vai dar certo — continuou Kyle.
— Só tenho uma dúvida… Se vamos expor o Core, com toda certeza seremos caçados pelo governo quando aparecermos, vocês já sabem o que faremos após isso?
Keaton ficou um pouco pensativo com a pergunta de John, não por falta de ideias, mas por saber a mudança drástica que isso teria em suas vidas, ele suspirou e finalmente disse:
— Sim, John, eu sei o que faremos, não vai ser fácil, mas é a melhor opção no momento.
Ele encarou Lacey e Kyle, que com acenos, permitiram que ele continuasse.
— Quando finalizarmos o plano, nós iremos para…