Ashveil Street - Apt.104 - 00:15 A.M
Lands entrou no antigo apartamento de Keaton, ainda bagunçado em certos locais, porém mil vezes mais limpo do que o esperado.
— Esse garoto consegue ser mais preguiçoso que eu, impressionante. — comentou ele, enquanto inspecionava cada cômodo de forma detalhada.
Ele apagou o cigarro e observou as fotos de família do homem, sentindo-se nostálgico ao ver o rosto dos que eram seus conhecidos em certo momento.
O que será que aconteceu com Marcus?
Quando se aproximou do computador de Edward, David ficou surpreso ao ver que o aparelho estava sem o SSD, levando-o a soltar um riso.
Olhando em volta, ele percebeu que o líder dos Unidos não deixou nada para trás, tirando as fotos da família.
Ele devia estar com pressa pra esquecer a foto dos pais…
Visto que não teria muito o que fazer, Lands pegou as fotos dos pais de Keaton e saiu do apartamento, deixando para trás um cenário abandonado e sem personalidade.
Prisão de Edge Times - Refeitório - 08:30 A.M
No outro dia, George tomou café com Hiro e alguns prisioneiros que se tornaram seus subordinados.
— Quer mais café, chefinho? Podemos pegar mais com a merendeira.
— Não precisa.
— Entendido.
Antes que pudesse morder um pedaço de pão, um dos guardas surgiu e o chamou. Ele ficou surpreso, e um pouco preocupado.
— Aconteceu alguma coisa?
— Sr.Ferrera, poderia me acompanhar, por favor?
— Ah… claro.
Ele se levantou e acompanhou o agente, Hiro observara a cena com um sorriso satisfeito.
Cara sortudo…
Durante a caminhada, George percebeu que o homem estava nervoso, completamente diferente do comportamento do primeiro dia.
Quando chegaram à sala, o chefe do departamento rapidamente se levantou e o cumprimentou.
— Sr.Ferrera! Que bom te ver!
O CEO foi solto das algemas e ficou confuso.
— O que aconteceu pra tanta alegria, senhor?
— Bem… depois de tudo o que aconteceu ontem, está claro que o senhor não deveria estar aqui na prisão, sinto muito pelo que aconteceu.
— Tudo bem, eu imagino que estavam sendo obrigados a isso, certo?
O chefe olhou para a mesa à sua frente, envergonhado.
— S-Sim! O Governador nos comandou nisso tudo, e mais uma vez peço desculpas em nome da ETPD, nunca deveríamos deixar uma coisa assim acontecer.
— Espero que a partir de hoje coisas como essa não aconteçam novamente — respondeu George, com um tom de voz mais grave.
— Pode ficar tranquilo, não deixaremos uma corrupção como essa acontecer no departamento de novo. Bem… o senhor está livre da prisão, pode ir para casa.
— Antes de ir, vou me despedir de um colega.
— C-Certo, fique à vontade!
Ele retornou ao refeitório, com Hiro e os outros que esperavam por ele.
— Parabéns pela liberdade, parceiro.
— C-Como sabia que eu-
— Cara… o Smith faz sempre a mesma cara quando alguém está prestes a ser solto.
Eles encararam o guarda, que desviou o olhar com um suspiro de frustração.
— Sempre bancando o espertinho, hein Kushina?
— A culpa não é minha que você é um livro aberto.
Todos riram, aumentando ainda mais a frustração do guarda.
George apertou a mão do ruivo, que retribuiu com um sorriso calmo.
— A gente se vê por aí, prometo vir te visitar de novo.
— E traga uma das suas modelos com você.
— Não prometo nada.
Os dois se despediram, os outros prisioneiros comemoraram a liberdade de George enquanto ele foi embora.
Na saída, uma viatura estava esperando para levá-lo embora.
All Star Street - Casa da Suzane - 08:40 A.M
Ferrera pediu ao policial que parasse na frente da casa de sua secretária. Assim que a viatura foi embora, ele respirou fundo e tocou a campainha.
— Já vai! — respondeu a voz feminina do outro lado.
A mulher abriu a porta, e congelou ao ver seu chefe, livre, com roupas normais, e um sorriso caloroso.
— Senti sua falta… — disse ele, abrindo os braços para ela.
A loira não respondeu, apenas o abraçou firme e chorou.
— E-Eu também senti sua falta, George.
Ela apoiou a cabeça em seu peito e ficou ali, com o toque gentil e se lembrando de todos os momentos que passaram juntos, tanto no trabalho, quanto no cotidiano.
Quando se afastaram, os sorrisos não se desfizeram, e o CEO encarou o relógio no pulso dela.
— Que horas são?
— 8:45.
— Posso dirigir seu carro?
— Pra onde vamos?
— Para onde nunca deveríamos ter saído.
Ela se empolgou ao entender o que ele quis dizer, e lhe entregou a chave do veículo, se virando para trancar a casa antes de sair.
Prédio da One Vision - 08:50 A.M
Eles entraram na agência, onde poucos funcionários acabaram de chegar, e os mesmos ficaram surpresos ao ver o antigo chefe.
— Sr.Ferrera!
— Não acredito no que estou vendo, o senhor está livre!
— Eu sempre acreditei que o senhor iria voltar!
Reunidos para cumprimentá-lo, George deixou um sorriso escapar ao ver a confiança de seus funcionários nele.
— Obrigado, gente, não sabem o quanto isso me deixa alegre.
Suzane também sorriu e segurou o braço dele.
— Vamos ver nossas estrelas? — perguntou ela.
— Com certeza.
Os dois entraram no elevador e foram para o estúdio de filmagens.
Enquanto isso, no estúdio, poucas modelos estavam presentes, Christy, Jennifer e Lincoln foram os primeiros a chegar.
— O que vai acontecer com a agência? — perguntou Jennifer.
— Provavelmente teremos um CEO interino, até decidirem quem realmente vai permanecer — respondeu Lincoln.
— Ninguém pode substituir o George, ele é o único que consegue manter isso tudo de pé — exclamou Christy, com determinação.
— Não se preocupe, ninguém vai me substituir — respondeu uma voz masculina na entrada.
Todos se viraram ao mesmo tempo e viram George com Suzane, de cabeças erguidas.
Christy ficou sem reação por alguns segundos, até que correu e abraçou os dois com força, chorando sem parar.
Ferrera riu junto com Spencer, e o homem acariciou o cabelo da velha amiga.
— Ei, sua chorona, não vá ficar com os olhos inchados antes de aparecer nas câmeras, ouviu?
Suzane levantou o rosto da modelo, as lágrimas continuaram caindo, seu rosto estava vermelho e ela soluçou enquanto tentava se controlar.
— Parabéns pelo título, Chris, você mereceu.
— O-Obrigada, chefe.
Os três se afastaram e Summers enxugou o rosto, conseguindo se acalmar com o tempo. As outras modelos e funcionários se aproximaram logo em seguida.
— Sejam muito bem-vindos — disse Lincoln.
— Obrigado por cuidar de tudo, o desfile foi espetacular, apesar do que aconteceu depois — respondeu o CEO.
— Não foi nada, chefe, tive uma excelente mentora.
Ele olhou para Suzane, que o abraçou sem pensar duas vezes.
— Você tem um dom natural pra isso, Lincoln, não poderia ter encontrado alguém melhor para ser booker da agência.
Ele permaneceu calado, desviando o olhar com o elogio.
— Prometo me esforçar cada vez mais.
— Tô contando com você.
George foi ao centro do estúdio e chamou a todos para um anúncio.
— Eu terei uma conversa com os outros líderes, vou esclarecer tudo pra voltar logo, não se preocupem, essa agência vai continuar firme e forte.
Todos aplaudiram as boas notícias, e após se despedirem, os dois foram para o escritório do CEO no último andar.
Chegando lá, Ferrera se impressionou ao ver que não havia nada de diferente depois que Core assumiu o posto.
Pelo menos ele deixou tudo no lugar…
Ele abriu o cofre, e respirou aliviado quando viu que Michael não mexeu.
— George, você nunca me mostrou o que tem nesse cofre…
Seus olhos se arregalaram levemente, o homem travou e apertou o cofre até as pontas dos dedos embranquecerem.
— Eu confio em você, Suzie, então… vou te mostrar.
O moreno pegou um envelope e entregou à loira.
— O que tem escrito?
Ele gesticulou para que ela prosseguisse.
A mulher abriu o envelope e pegou uma carta dentro. Quando começou a ler, ela soltou um suspiro de susto.
— G-George…
O homem apenas acenou lentamente, seus olhos estavam sem brilho e a aflição tomou conta.
— Minha mãe deixou isso pra mim antes de…
Ele se sentou em sua cadeira e chorou em silêncio, a única evidência disso eram seus ombros tremendo.
Suzane correu para perto dele, chorando ao seu lado enquanto o envolveu em seus braços.
— Eu sinto muito, George…
— Eu devia estar lá… eu podia salvá-la a tempo.