Rota 200 - Estrada para Foxglove Hollow - 01:00 A.M
Edward olhou para o indicador do combustível, e estalou a língua quando percebeu que a gasolina estava quase acabando.
— Temos que parar pra abastecer.
— Droga… tomara que a gente encontre um posto na estrada — respondeu Lacey.
— A gente já chegou? — perguntou Kyle, sonolento e com a cabeça repousada no colo de Faith.
— Ainda não, vá dormir. — disse a mesma, passando a mão na cabeça dele.
Keaton e Kushina trocaram olhares silenciosos ao presenciar a cena fofa, e a takamorinesa não perdeu a chance de provocar.
— Estamos atrapalhando os pombinhos?
Com o rosto vermelho, Sanders retirou o hacker de seu colo, o despertando de seu sono abruptamente.
— O-O quê? Perdi alguma coisa?
— Não perdeu nada, fique calado! — disse a investigadora, desviando o olhar.
Edward riu junto com Lacey, cúmplices de algo único e agradável de se ver.
Minutos depois, eles chegaram a um posto na estrada, o motorista respirou aliviado e ajustou seus óculos.
Ele estacionou e desceu para abastecer, uma tranquilidade veio devido ao ambiente deserto, mesmo com a paranoia recorrente de ser denunciado.
Com o tanque cheio, o homem entrou no carro e assim o grupo retornou a estrada.
Foxglove Hollow - Entrada da cidade - 06:30 A.M
— Não é possível…
Para a infelicidade de Keaton, a entrada estava sendo vigiada por guardas.
— O que vamos fazer?
— Não se preocupe, vai dar tudo certo.
— Como tem tanta certeza, Lacey?
— É só seguir em frente, confie em mim.
Ainda nervoso, ele continuou, e assim que chegaram ao limite, um dos guardas se aproximou para fazer a verificação.
Após observar todos os presentes, o homem deu um sorriso leve e pediu para que os colegas abrissem o caminho.
— Bem-vindos a Foxglove Hollow.
Perplexo, Keaton conseguiu apenas acenar e dirigir para dentro da cidade, Faith teve a mesma reação do líder.
— Beleza… explique o que aconteceu, Kushina — disse Edward, de boca aberta.
Com um sorriso malandro, a mulher explicou.
— O cara que me ajudou a fundar o grupo colocou guardas infiltrados na entrada, então essa cidade é segura pra gente, praticamente.
— Por isso você recomendou que viéssemos pra cá!
— Exatamente!
— Caramba! Não sabia que os Unidos tinham tanta influência assim — comentou Faith.
— Às vezes eu fico impressionado também — acrescentou Kyle.
Enquanto dirigia, Edward observou a estética da rua inicial, moderna, elegante e que exalava luxo. As pessoas entrando e saindo de lojas famosas acrescentaram ainda mais para essa impressão.
— Agora entendo porque Foxglove é tão famosa, só a entrada já atiça meu lado ganancioso.
— Você ainda não viu nada, espere até chegarmos no centro de entretenimento.
— Ai, tô ficando ansiosa pra isso! — disse Faith.
— Vamos logo pra loja do Emil, já tô ficando enjoado com esse perfume da Faith — reclamou o hacker.
— Eu poderia dizer o mesmo do cheiro do seu shampoo, idiota.
— Qual o problema com o meu shampoo?
— É muito forte! Por que não compra algo mais leve?
— Porque eu já me acostumei com essa marca.
— Pronto! Você usa seu shampoo ruim e eu uso meu perfume.
Com um suspiro, o rapaz simplesmente abriu a janela e respirou o ar de fora. Faith lhe deu uma última olhada de canto, e bufou.
Idiota…
Loja de Celulares ACE - Avenida F.A - 07:00 A.M
O grupo avistou a loja que Lacey apontou no GPS — um prédio moderno e minimalista — com a logo sendo um sapato com asas, remetendo a Hermes. O líder do grupo levantou uma sobrancelha.
— Sei lá… essa logo ficaria melhor em uma loja de sapatos, não acham?
Todos riram, concordando com a opinião dele.
— É… acho que o Emil vai ter que ter uma reunião séria com a equipe de design — comentou Kushina.
Na loja, os Unidos ficaram hipnotizados pelos aparelhos, cada um mais tentador que o outro, e Kyle não perdeu tempo para comprar um novo modelo.
— Teu celular já não é bom o suficiente, Kyle? — perguntou Lacey.
— Ele é bom, mas a tecnologia que preciso não está nele.
— Você vai comprar no cartão? — perguntou Edward.
— Que nada! Com bitcoin tudo ficou mais fácil.
— Eu não sabia que as lojas começaram a permitir bitcoin, isso é legal — comentou Faith, com um olhar curioso para o novo modelo de Denvers.
— Viva a modernidade! — exclamou o rapaz, tirando algumas risadas do grupo.
Eles se aproximaram da recepcionista, uma moça jovem de cabelos castanhos ondulados e um sorriso tranquilo.
— Posso ajudá-los?
Lacey se aproximou do balcão.
— O seu chefe tá aí?
— O Sr.Jinx? Com certeza, vocês agendaram uma reunião ou algo assim?
— Mais ou menos, diga a ele que a Lacey está aqui.
— Tudo bem.
Ela fez uma ligação rápida, e após ter recebido a resposta, acenou e permitiu que eles avançassem.
— Vocês podem subir, fiquem à vontade.
— Obrigada.
Todos entraram no elevador e foram ao último andar. Enquanto subiam, Edward perguntou a Kushina.
— Me conte mais sobre esse homem, Emil Jinx.
— O Emil é um grande amigo meu. É praticamente o cofundador dos Unidos, com o dinheiro dele conseguimos crescer bastante e estamos prontos pra enfrentar nossos queridos líderes.
— Puxa… é uma missão e tanto, esse cara tem meu respeito.
Quando puxou a porta do escritório, a primeira coisa que Edward viu foi o extravagante CEO utilizando uma camisa de praia amarela, bermuda e chinelo, seus cabelos eram longos e castanhos e a barba bem cheia.
Emil percebeu o grupo e se levantou animado.
— Lacey! Kyle! Há quanto tempo, galera!
— Oi, Em! prazer em te ver.
— Fala, mano!
Ele se aproximou e abraçou os dois. Sua personalidade era contagiante, Faith e Edward ficaram sem reação ao terem suas expectativas quebradas depois de finalmente conhecerem o homem que financiava os Unidos.
— Eu… não esperava por isso.
— Nem eu.
Jinx cumprimentou os dois novatos e arregalou os olhos ao ver o líder.
— V-Você é o Edward?
— Sim, sou eu.
— Cara… Eu sou o seu maior fã!
O homem o abraçou tão forte que quase o deixou sem ar, porém o sentimento agradável de ter um fã foi difícil de ocultar.
— Eu assisti ao desfile, não sei como conseguiram escapar.
— Também estou surpreso, mas aliviado em saber que conseguimos.
Voltando a sua cadeira, Emil pediu para que eles se aproximassem.
— Qual o plano de vocês quatro no momento?
— Bem… por enquanto vamos descansar e nos preparar para prosseguir, a invasão que fizemos foi muito cansativa, e precisamos deixar a poeira baixar pra não chamar atenção indesejada.
Com a explicação, o homem mexeu em sua barba e soltou um grunhido de compreensão.
— É… não dá pra se precipitar nesse momento, a Central com toda certeza vai querer vir atrás de vocês.
— Em, existe algum lugar que possamos ficar?
— Olha… tenho algumas ideias, vocês podem falar com os meus comandantes na cidade, eles estão nas duas regiões principais e vão ajudá-los.
— Onde podemos encontrá-los? — perguntou Kyle.
— O mais próximo está na região de Starqueens, na Wave Records.
— Wave Records… ok! vamos pra lá! — respondeu o líder.
— Ótimo! Vou avisá-lo que estão indo, queria passar mais tempo com vocês, mas tenho que trabalhar, me desculpem…
— Tudo bem, Em, nós entendemos, até outro dia. — disse Lacey.
— Até! Boa sorte na jornada.
Os membros saíram do escritório, voltando para a loja do primeiro andar. Antes que saíssem, a recepcionista os chamou.
— O Sr.Jinx me pediu para orientá-los sobre o caminho, vou mostrar as coordenadas.
Keaton sorriu e olhou rapidamente para o crachá da mulher.
— Obrigado… Scarlet.
— De nada. É um prazer ajudá-los, Sr.Keaton.
Depois que mostrou as coordenadas do GPS, ela retornou para a loja, e os Unidos foram para a região de Starqueens.
Danna’s Heaven - 05:30 P.M
A luz do fim de tarde iluminou o rústico restaurante, frequentado geralmente por nostalgistas e amigos da dona. Sentado na mesa dos fundos, estava um homem jovem de cabelos pretos bagunçados, seu olhar estava focado em um ponto específico da xícara. Ele tomou o café em ritmo lento, pensativo com algo.
Danna se aproximou dele e sentou à sua frente, pensando no que falaria enquanto mexia no cabelo grisalho.
— O que houve, garoto?
Ele não respondeu de imediato, soltando um longo suspiro, o que sinalizou à mulher, o que ele estava pensando.
— Feliz aniversário.
— Obrigado.
— Escuta… sei que queria vê-lo aqui, e sinto muito por isso. Você é um pirralho depressivo, mas me importo muito contigo, Dam.
O homem sorriu de canto e a encarou finalmente.
— Por que está tão melosa, velha? Você não é assim.
Ela riu de deboche e desviou o olhar.
— Devia agradecer que eu ainda te deixo tomar café de graça aqui, seu moleque.
— O café tá gostoso, aliás.
— Pelo menos ainda sabe elogiar.
Os dois se levantaram, e Damian abraçou a mulher, que ficou um pouco envergonhada, mas retribuiu com a mesma afetividade.
Após isso, eles se afastaram, e uma expressão mais suave se formou no rosto de Danna.
— Se cuida, Dam.
— Você também, Danna.
Eles se despediram. Quando saiu do restaurante, o rapaz ajustou sua jaqueta de couro antes de subir na moto, voltando para seu apartamento na área mais pobre da região.
Chegando na rua, ele torceu o nariz ao observar o ambiente abandonado pelos políticos, as luzes piscavam, haviam buracos na estrada e ele observou a cena de um bandido roubando a bolsa de uma mulher.
Na próxima vez, vou me lembrar de não economizar em alugar um apartamento…
Damian entrou em seu apartamento, um pouco melhor que a visão da rua, o dinheiro que recebia serviu para melhorar o interior da moradia enquanto procurava outro lugar.
Sentando no sofá, ele recebeu uma ligação, e atendeu logo em seguida.
— Sim?
— Ei, Dam, tudo bem? — disse uma voz feminina do outro lado.
— Sim. Temos serviço?
— Não vai nem perguntar como eu tô? Achei que fosse sua melhor amiga.
— Você é… Bem…
A mulher riu da hesitação dele.
— Deixa pra lá, eu tô brincando, sei como é difícil pra você demonstrar afeto por mim.
— Você fala como se a gente estivesse namorando.
— Hum… não parece uma má ideia.
Ele suspirou pesado, entediado com a conversa.
— Diz logo o que precisa, Holly.
— Ok, ok. Temos uma nova missão, capturar um grupo anônimo chamado Unidos.
O homem levantou uma sobrancelha.
— Unidos!? Que nome ridículo é esse?
— Não é? O Lance disse a mesma coisa quando a Guardiã nos contratou.
— Vou me preparar, Agente Shadow desligando. Salve Nexus.
— Salve Nexus.
A ligação foi encerrada, e ele se dirigiu ao seu quarto para preparar o equipamento.
