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ETHOS · Capítulo 2: A Palavra
ETHOS
cap. 3

Capítulo 2: A Palavra

por Vitor Custodio3.117 palavras~14 min

PÁ!

A enxada cravou no solo seco.

PÁ!

Poeira subiu.

— Ah!! Droga, morreu tudo. Droga de ervas daninhas.

PÁ!

Árnion passou o braço no rosto para limpar o suor. Acabou espalhando terra na testa e parte entrou em seu olho. Piscou forte, irritado.

— DROGA — gritou, deixando a enxada cair no chão.

— Papai? — Ethos surgiu de repente.

Árnion, assustado, virou-se rapidamente.

— Filho? Eu... não vi você aí.

Ethos estava alguns passos atrás, com os olhos arregalados.

— Tá tudo bem?

Árnion demorou um segundo para responder.

Respirou um pouco mais fundo do que o habitual.

Sorriu e respondeu:

— Sim, só entrou um pouco de terra no olho do papai.

— A mamãe mandou água — disse Ethos, entregando uma garrafa. — Usa pra lavar o rosto.

Enquanto Árnion lavava o rosto, o garoto ficou quieto por um instante, pensativo. Respirou fundo antes de começar a falar.

— Papai...?

— O que foi, filho?

— Você e a mamãe se odeiam agora?

Árnion engoliu seco. Secou o rosto com um pano. Olhou para Ethos. O garoto mantinha as sobrancelhas levantadas, mas evitava encará-lo diretamente.

— Claro que não, filho. De onde você tirou isso?

— Eu vi vocês brigando de manhã. — Ele apertou as mãos e ergueu o olhar para Árnion. — Você vai embora? O pai do Math foi embora depois de uma briga.

Árnion ficou sem palavras por um instante. Seu coração apertou. Não imaginava que Ethos pudesse carregar esse tipo de preocupação.

— Não, cara. Eu não sabia que você tinha ouvido isso. Fica tranquilo, tá bom? — ele tentou sorrir e se aproximou do garoto. — Eu não sei o que houve na família do seu amigo, mas eu não vou a lugar nenhum. Eu e a mamãe só discutimos um pouco… isso acontece.

Ethos levantou as sobrancelhas e seguiu encarando-o.

— Mas por que vocês brigaram? Você não ama a mamãe?

Ele apoiou um dos joelhos no chão, ficando na mesma altura do garoto, e colocou sua mão no ombro dele.

— Claro que amo, filho — ele respirou fundo. — Mas às vezes brigas acontecem. É que a gente tá um pouco estressado, então acaba descontando nas coisas erradas.

Ethos franziu levemente a testa, pensativo.

— Estressados? O que aconteceu?

Árnion puxou mais um pouco de ar e apontou para a terra.

— É que as ervas daninhas acabaram matando boa parte do que plantamos. Temos reservas pra esse tipo de situação, mas ainda assim é muito estressante ver todo o seu trabalho morrendo.

Ethos escutava com atenção.

— Mas o que isso tem a ver com a briga?

Árnion deixou escapar uma risada leve.

Hahá! Na verdade... nada. É só porque eu estou muito estressado e infelizmente acabei descontando em sua mãe.

Ethos franziu um pouco mais a testa.

— Você brigou com a mamãe por causa das ervas daninhas?

Árnion se levantou novamente.

— Não… — ele cruzou os braços e fez uma negativa com a cabeça. — Brigamos porque ela mandou eu guardar as roupas no lugar. Coisa idiota.

Árnion movia os olhos por todo lado, um pouco envergonhado.

Ethos soltou o ar com força.

— Eu odeio guardar as roupas também! — respondeu, abrindo os braços e balançando a cabeça. — Não faz sentido. Se vamos usar, pra que guardar?

Árnion caiu na gargalhada.

Hahahá! Talvez você tenha razão, mas não é sobre ter razão.

Ethos levantou as sobrancelhas.

— É sobre o que então?

Árnion bagunçou os cabelos do garoto.

— É sobre cuidar! — disse, abrindo um grande sorriso. — A mamãe gosta das coisas organizadas... e a gente ama a mamãe, né?

Ethos olhou para os lados por um instante.

— Sim!

— E a mamãe faz de tudo pela gente, certo?

— Certo! — respondeu mais forte.

Árnion levantou o dedo indicador e começou a gesticular.

— Então temos que tentar manter as coisas arrumadas, já que queremos ver a mamãe feliz.

O garoto abriu um sorriso e levantou os braços.

— Entendi. Vou me esforçar pra não deixar nada jogado.

— É... Eu também! Hahahá! Você quer ajudar a refazer a plantação?

Ethos deu alguns pulos de alegria.

— Sim! — ele cerrou o punho com um olhar determinado. — Vamos matar todas essas ervas do mal! Vamos plantar de novo. A comida vai crescer ainda mais forte!

— É assim que se fala!

Árnion agarrou a enxada e começou a mostrar a Ethos como ele poderia ajudar.

Depois de um tempo trabalhando, Ethos voltou as perguntas.

— Papai…

PÁ!

A enxada cravou o solo.

Árnion parou e se virou para Ethos.

— Sim, filho.

Ethos, sentado no chão, arrancou alguns pedaços de mato.

— Você vai fazer as pazes com a mamãe?

Árnion secou o suor do rosto com a manga da camisa.

— Claro. Eu estou errado, então tenho que pedir desculpas pra ela.

Ethos parou o que estava fazendo e olhou para seu pai.

— Mas, se você sabia que estava errado, por que não pediu antes?

Árnion parou por um instante.

Ele apoiou as mãos no cabo da enxada e respirou fundo mais uma vez.

— Porque eu ainda estava irritado. Às vezes, é melhor esperar a cabeça esfriar antes de tentar consertar as coisas.

Ethos apertou os olhos, pensativo.

— Então é melhor esperar antes de pedir desculpas?

— Não exatamente. — Árnion sorriu. — É melhor não pedir desculpas só por pedir. Tem que ser de coração.

Ethos voltou a arrancar os matos.

— Acho que entendi.

— Mas fica tranquilo. Quando chegarmos em casa, a primeira coisa que vou fazer é conversar com sua mãe.

— Tá bom! Eu também vou!

Árnion arqueou uma sobrancelha.

— A mamãe brigou com você também?

— Não. Mas ela vai. Eu também deixei minhas roupas jogadas.

Árnion caiu na gargalhada.

Ethos, mesmo sem entender, acabou rindo junto.

E assim, entre enxadadas, poeira e risadas, a guerra contra as ervas daninhas continuou.

Alguns dias depois, o sol brilhava forte sobre a fazenda.

No quintal, Ethos segurava duas pequenas espadas de madeira, uma em cada mão. À sua frente, Árnion arrastou o pé pela terra, riscando um círculo ao redor de si.

— Você conhece as regras, Ethi — disse, apoiando as duas espadas de madeira nos ombros. — Se me tirar daqui, você escolhe o jantar.

Ethos estufou o peito e abriu um grande sorriso.

— Carne com batatas!

Hahahá! Hoje vai ser frango, então.

O sorriso de Ethos desapareceu. Ele apertou os cabos das espadas e estreitou os olhos para o pai.

— Não dessa vez!

Então avançou, levantando poeira ao correr.

Primeiro, tentou um golpe direto.

PLAC!

O pai bloqueou com apenas uma espada, mantendo a outra apoiada no ombro.

O impacto fez os braços de Ethos vibrarem. Ele foi jogado para trás e caiu sentado na terra. Por um instante, seus dedos ficaram dormentes.

Árnion sequer havia mudado de postura.

— As pernas, Ethi. Não esqueça o centro de gravidade!

Blábláblá. Segura essa!

Ethos rosnou e avançou novamente.

Fez uma finta para a direita.

FUSH!

Uma rajada levantou a poeira sob seus pés e, num piscar de olhos, Ethos já estava atrás do pai, com as lâminas cruzadas.

PLAC!

Árnion bloqueou sem nem olhar, como se previsse tudo.

— Nada mal, mas ainda muito lento.

Ethos não deu espaço para o pai respirar. Continuou avançando enquanto fazia a energia fluir do peito até os pés.

Uma rajada de vento o impulsionou para o alto. Ele saltou por cima de Árnion, posicionando-se contra o sol para ofuscar sua visão.

Ao mesmo tempo, ativou a runa que havia preparado sob o pé esquerdo do pai.

CRAC!

O solo cedeu alguns centímetros.

Pela primeira vez, Árnion perdeu o equilíbrio.

O sorriso de Ethos se alargou.

Era exatamente a abertura que ele vinha preparando havia uma semana.

— Finalmente! Agora você já era, Velhote!

Ethos mergulhou no ataque final. O vento girou ao redor de seu corpo, impulsionando-o ainda mais enquanto despencava.

Não tem como ele escapar!

Ele disparou.

O vento agitava seus cabelos negros. O chão se aproximava numa velocidade absurda.

Dessa vez... ele venceria.

POW!

Equilibrando-se em um único pé, Árnion apenas inclinou o corpo.

Ethos passou reto por ele, dando de cara no chão.

— Muito criativo, Ethi. Hahahá. Isso foi uma runa no chão? Aprendeu direitinho com sua mãe, mas não vai ser suficiente.

Ethos se levantou com a cara coberta de terra. Sacudiu a poeira, cuspiu alguns fiapos de grama e cerrou os punhos.

— SEU CHATO! Você vai ver só!

Rosnando, avançou outra vez.

PLAC!

Uma das espadas escapou de sua mão e girou pelo ar antes de cair alguns metros adiante.

Ethos ficou parado, com a outra espada ainda na mão, encarando o pai sem acreditar.

— Eu já falei, filho. — Árnion suspirou, cruzando os braços. — Não adianta pular etapas. Você está muito ansioso.

Ethos abaixou o olhar. Seus olhos ficaram marejados.

— Eu achei que dessa vez ia conseguir! Como é possível que, depois de QUATRO anos, eu não tenha feito você dar nem UM único passo para trás?!

— Já falei, filho. Não se preocupe tanto em vencer. Preste atenção no quanto você está melhorando. Lembre-se: cada dia um pouco mais. Um passo de cada vez.

— Mas se você nunca se move, como vou fazer você sair da linha?

Árnion sorriu de leve.

— Você não precisa ter pressa. Eu mesmo demorei mais de oito anos para tirar seu avô do círculo.

— Mas o vovô era militar! Ele devia ser muito forte, já que lutou na guerra contra os seres do outro lado...

Ethos passou a manga da camisa pelos olhos.

— Você... é só um fazendeiro.

Seu olhar caiu para a espada de madeira que ainda segurava.

— Se eu não consigo nem ganhar de você, como vou vencer alguém realmente forte?

Seus dedos apertaram o cabo da espada.

— Eu já sou menor que meus amigos...

Sua voz quase desapareceu.

— Vou ser sempre o mais fraco…

Árnion apenas balançou a cabeça e soltou um leve suspiro.

— Ethi…

Antes que o pai pudesse continuar, Ethos correu até a espada caída, agarrou-a e avançou novamente.

Então...

CLAC. CLAC. CLAC…

Passinhos atrapalhados ecoaram na varanda.

Uma garotinha surgiu carregando dois copos com as duas mãos, grandes demais para ela. A cada passo, um pouco de água transbordava pelas bordas.

— Ethiii! Papaii!! A mamãe mandou água! — gritou Íris, caminhando aos tropeços com um enorme sorriso no rosto.

Ethos virou a cabeça imediatamente.

— Íris... Cuidado!

PLAC!

— Aiii, papai... — Ethos levou a mão à nuca, esfregando o lugar onde havia levado o golpe. — Por que você me bateu?

— Morreu! — Árnion caiu na gargalhada. — Já falei mil vezes, Ethi: distração é morte numa batalha!

— Mas...

— Sem “mas”. Vamos fazer uma pausa.

Uma brisa leve acariciava o campo.

O sol ainda brilhava forte no céu.

Ao redor deles, a natureza seguia seu próprio ritmo. Pássaros cantavam, galinhas ciscavam, um mugido distante ecoava pelos campos e os porcos roncavam preguiçosamente.

Os dois se sentaram sob a sombra de uma árvore para se refrescar. Árnion passou a mão na cabeça de Ethos, sacudindo a poeira de seus cabelos.

— Ethi... a esgrima não é sobre vencer. Não é sobre força. Muito menos sobre machucar.

Árnion olhou para as duas pequenas espadas de madeira largadas na grama.

— A esgrima é para proteger. Proteger a si mesmo… e a quem você ama.

Ethos franziu a testa.

— Mas proteger de quê, papai? Os Sete Heróis já não trouxeram a paz?

Árnion ficou em silêncio por um instante, observando o campo à frente.

— A paz nunca é garantida, filho. Assim como o vento... a vida muda de direção sem avisar. No futuro, haverá momentos em que você vai precisar ser forte. Pra proteger aquilo em que acredita... e, principalmente, cuidar de quem ama. Um dia você vai entender o papai.

Ethos rabiscava a terra com um pequeno galho, ouvindo cada palavra em silêncio.

Árnion ajeitou levemente a postura e manteve o olhar baixo.

— Por enquanto, você pode aprender aos poucos, do jeito certo. Você tem a mim, a mamãe e o vovô para cuidar de você… Não precisa ter tanta pressa de ficar forte.

Ele passou a mão pelos cabelos do garoto.

— Lembre-se, Ethi: um passo de cada vez.

Um breve silêncio caiu entre os dois.

Fuuuush…

O vento balançava a grama ao redor deles.

Ethos suspirou. O galho voltou a riscar a terra.

— Mas você poderia me deixar ganhar só uma vez! É muito frustrante nunca vencer...

Árnion riu baixinho e apoiou o cotovelo no joelho.

— É... eu poderia, mas aí eu estaria mentindo pra você.

O galho parou.

Ethos ergueu os olhos para o pai.

— Mentindo? Como assim? Me deixar ganhar é... mentira?

Árnion abriu um grande sorriso.

— Sim. Se eu deixar você ganhar, vai ficar feliz hoje. Mas, quando me vencer de verdade... como vai saber que venceu?

Ele apoiou a mão no ombro de Ethos.

— Você nunca vai saber se ganhou de verdade ou se eu só deixei. E aí... qual o sentido? Como você vai acreditar na palavra do seu velho pai?

O garoto voltou a rabiscar a terra com o galho.

Por alguns segundos, ficou em silêncio.

— A palavra é algo tão importante assim?

— É essencial, eu diria.

Árnion olhou para o horizonte.

— Uma palavra pode ser mais forte que um exército.

Ethos soltou uma risada.

— Você tá exagerando, pai. Hahahá!

Árnion sorriu e bagunçou os cabelos do filho.

— Um dia você vai entender!

Ethos ainda sorriu por alguns instantes. Depois, largou o galho e começou a arrancar distraidamente os pequenos matinhos ao seu redor.

— E segredos, papai? São mentiras? Você tem segredos?

— Todos temos segredos, filho. Mas guardar um segredo não é o mesmo que mentir. Eles fazem parte da vida. Se alguém confiar um segredo a você, proteja-o. Isso é uma prova de confiança... e confiança vale mais do que ouro.

Ethos ficou alguns segundos em silêncio.

— Então guardar o segredo de alguém também faz parte de “ter palavra”, certo? Acho que entendi, papai.

Ele pegou uma pedrinha do chão e a arremessou, fazendo-a quicar algumas vezes.

— Posso esconder coisas de você?

Árnion ficou olhando para ele por um segundo.

Piscou algumas vezes.

Então caiu na gargalhada.

Ethos franziu a testa, sem entender a graça, e voltou a rabiscar a terra com o galho.

— Agora não, pestinha. — Árnion ainda ria enquanto bagunçava os cabelos do filho mais uma vez. — Por enquanto, você ainda é uma criança. Não precisa carregar esse tipo de peso. Você pode confiar na gente sempre. Nós só queremos o seu bem.

O galho de Ethos se quebrou.

— Acho que estou entendendo, papai...

— Que bom, filho. — Árnion se levantou e sacudiu as roupas. — Agora chega de moleza. Treinamento e depois você dá comida aos porcos.

— Ah, não... — Ethos deixou os ombros caírem, mas não conseguiu esconder um pequeno sorriso enquanto se levantava.

Quando a noite chegou, a fazenda já estava em silêncio. A luz das lamparinas escapava pelas janelas da casa.

— Íris, hora de dormir! Ethi, você também! — gritou Ophélia.

Ah, mamãe, não estou com sono! — resmungou Ethos.

— Eu sei, filho. Porém está na hora. Amanhã você acorda cedo.

— Conta aquela história? A dos Sete Heróis... Por favorzinho!

Íris começou a sacudir as pernas, empolgada.

— Sim, mamãe! Por favorrrr…

Ophélia suspirou, vencida.

— Tá bom...

Ela ajeitou as crianças em suas camas e se sentou no pequeno banco ao lado deles. Respirou fundo e, com uma voz calma e suave, começou:

Há muito, muito tempo, o mundo era dividido em oito grandes reinos, cada um sob a proteção de um deus.

Os deuses se fortaleciam com os sentimentos humanos e podiam intervir graças a um poder que chamamos de influência. Os humanos rezavam para os deuses... e os deuses protegiam os humanos.

Mas havia um em particular: o Deus do Medo. Ele se alimentava do terror, da angústia e dos sentimentos mais sombrios das pessoas. Porém, enquanto o mundo permanecesse em paz, seu poder era limitado e ele não ameaçava o equilíbrio entre os deuses...

— Buuuh, odeio o Deus do Medo — reclamou Íris.

Ethos riu, Ophélia também.

Ela continuou:

...Até que, certo dia, uma grande guerra se espalhou pelo mundo.

O medo tomou os oito reinos, e o poder do Deus do Medo cresceu como nunca. Sua influência se tornou tão grande que começou a superar a dos outros deuses.

Temendo que o equilíbrio fosse perdido para sempre, os Sete Deuses se uniram. Cada um escolheu um representante entre os humanos: os Sete Heróis. Vindos de sete reinos diferentes, eles receberam uma missão: trazer paz e esperança novamente ao mundo.

E conseguiram.

Pouco a pouco, as guerras diminuíram. O medo deu lugar à esperança, e a paz parecia possível outra vez.

Mas o Deus do Medo não aceitou perder o poder que havia conquistado. Embriagado por sua própria influência, corrompeu seu povo, os animais e até mesmo as florestas. Seu reino se transformou em uma terra de trevas, e um exército de demônios marchou contra os outros reinos.

Uma nova guerra começou.

Dessa vez, era toda a humanidade contra o Reino das Trevas. E os demônios eram numerosos e poderosos, alimentados pela influência acumulada durante toda a Era do Medo.

Aos poucos, a esperança da humanidade começou a desaparecer...

Sem outra alternativa, os deuses reuniram o que restava de suas forças e deram um último presente à humanidade: as Sete Armas Sagradas. Cada uma foi entregue a um dos Sete Heróis.

Era a última esperança do mundo.

Armados com elas, os Sete Heróis invadiram o Reino das Trevas. Depois de uma longa e sangrenta batalha, a guerra finalmente chegou ao fim.

O Deus do Medo e seu reino foram selados no submundo... e a humanidade, enfim, conheceu a paz.

Mas a vitória teve um preço.

Para selá-lo, os Sete Deuses sacrificaram seus próprios nomes e perderam para sempre sua influência sobre o mundo.

E foi graças ao sacrifício dos Sete Heróis e dos Sete Deuses que a humanidade pôde viver em paz novamente.

Porém, antes de desaparecer, o Deus do Medo jurou que um dia escaparia de sua prisão e recuperaria...

Ophélia parou.

O quarto estava em silêncio.

Ela olhou para as duas camas e sorriu.

— Vejo que já dormiram, meus amores... Boa noite.

Beijou a testa de cada um e apagou a lamparina.

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