Depois de algum tempo descanso, escutaram um barulho alto de algo se movendo, ao olharem para direção da origem do som viram o grande portão de pedra abrindo-se.
Ao adentrarem no local viram que o lugar era todo ornamentado em prata e ouro e viram um grande túmulo e ao aproximarem da sepultura, reverenciam o túmulo do grande rei, depois viram que havia mais de um caixão no lugar. O rei havia sido enterrado junto de sua esposa, os caixões eram feitos de um lindo mármore branco e com os dizeres: “ Um brinde ao melhor rei de todos os reis... ” O resto havia sido apagado.
— Que trágico, não acha? — o silêncio havia sido quebrado por uma voz familiar. — O rei morreu e logo em seguida o reino também.
— N-não pode ser... — disse Aurélio todo arrepiado olhando para atrás.
Um cara coberto por panos e que usava uma máscara no rosto entrava no recinto junto de um grande lobisomem e um grimório flutuante.
— Já faz tanto tempo que não nos reunimos, não é, Aurélio? — disse a figura mascarada, que tirando um grimório de seus panos. — Procurando por isso, irmão.
— Calígula!!!
— Tisch... tisch... — disse a figura mascarada mexendo o dedo indicador da direita para a esquerda. — Deixa essa baboseira para outro momento, Aurélio agora temos assuntos importantes para discutir somente eu e você.
— Ângelo, cuide bem de nosso invasor — disse Calígula.
— Pode deixar, chefe. Ele não irá atrapalhá-los.
Nisso, Ângelo, em sua forma bestial, pegou Osma e o levou para o jardim. Ao sair, Calígula fechou o portão invocando duas mãos gigantes que saíram de seu grimório.
— Pronto, agora podemos começar — disse Calígula aproximando-se de Aurélio carregando em sua mão o grimório Roseta. — Quem diria que nós três iríamos nos reencontrar? Pena que o Jun não está aqui para ver como eu o superei.
Aurélio não falou nada, apenas o encarou com todo o ódio que sentia.
— Oh! Não fique assim, irmão — disse ele, jogando Roseta perto de Aurélio. — Eu quero apenas ter uma revanche justa contra vocês.
No momento em que Aurélio pegou o grimório, Calígula arremessou uma lança de gelo nele, que acabou acertando e congelando sua túnica. Aurélio, por sua vez, retirou sua túnica, pegando um cristal de pedra e trocou o cristal de luz de sua alabarda e conjurou um feitiço, no qual criou uma linha de espinhos de pedra no chão em direção a Calígula, que apenas desviou usando um pedaço do chão para se propulsar. No ar, Calígula convocou uma prisão de pedra em Aurélio, que, dessa vez, o pegou em cheio. Calígula aproximou-se, dizendo:
— Ahahahaha! Como eu senti falta de seu belo rosto, Aurélio.
— Ainda com esses papos estranhos.
— Sim, e além domais, vejo que queira saber como eu sobrevivi a nossa pequena briga — disse ele passando sua mão pelo rosto dele — É verdade, por pouco quase morri pela bola de fogo, mas isso não significa que tenha sem danos. — Calígula retirou seu capuz e a máscara que cobria seu rosto, revelando sua cabeça chamuscada.
— Você parece melhor do que imaginava.
— Ora, seu... — disse Calígula, irritado com a piada do antigo amigo. — Então, para puni-lo, que tal um tratamento de choque?
— Raio!
Calígula, começou a atacá-lo com raios, dando choque nele uma, duas, três vezes. Os gritos ecoavam por todo lugar até chegarem do outro lado do portão.
— AAAAAHHHHHHHHAAAA!!!! — gritou ele.
— Não!! Aurélio!! — gritou Roseta.
Enquanto isso, do outro lado do portão, Osma se escondia de Ângelo atrás de uma pedra, ele havia sido atingido duas vezes e estava com algumas costelas quebradas.
— Cof... Cof. Como posso derruba-lo?
Ele deu uma olhada por cima da pedra, onde se escondia, não muito longe de lá, Ângelo o procurava.
— Cadê você? A onde está se escondendo? — disse Ângelo enquanto o procurava com seu olfato. — Te achei! — disse cortando uma pedra como estive-se cortando uma arvore com apenas uma machadada. Mas quando a pedra se desfez, ele havia encontrado apenas a capa de Osma.
“ humm... Se as garras dele são suficientes para cortar pedras, então posso usá-las para cortar aquela parede ” — pensou Osma, olhou para uma pedra em cima dele que parecia estar solta pela erosão, então a uma armadilha para a besta formou-se em sua mente. “ É claro! se eu não consigo derrota-lo com a força bruta tenho que usar minha cabeça... Espero que ele não perceba ”.
Osma começou a escalar a parede, pedra por pedra.
— Argh! Cadê aquele pilantra? Você não queria sua revanche! — disse Ângelo enquanto sentia o cheiro dele, Ângelo correu na direção da pedra onde Osma estava. — Agora não tem escapatória!
Osma escalou rapidamente as pedras até chegar na que ele queria, então deu início ao seu plano. Porém, não contava com seu físico debilitado que não deixava empurrar a tal pedra.
— Então é aí onde você estava se escondendo! — disse Ângelo, começando a escalar as pedras até onde ele esta.
Osma, sem escolha, pensou em outra forma de conseguir impedi-lo. “ E se eu arremessar pequenas pedras nele, alguma pode acertar seus olhos ”. Então pegando alguma pedras do chão começou a arremessa-las nele, mas não surtiram nenhum efeito, mesmos aquelas que acertavam seus olhos.
Desesperado, correu dali, mas o ataque em suas costelas o fez ficar sem fôlego, dando tempo para que Ângelo alcança-lo.
— Agora você está morto! — disse a besta que saltava para pegar sua presa.
O que eles não esperavam era que aquela pedra realmente se soltou, fazendo com que ela cai-se no canto da pedra em que eles estavam, fazendo-a cair consecutivamente. Enquanto caiam Osma viu um homem encapuzado.
Voltando Aurélio, que ainda esta preso naquela jaula de pedra, porém esta desacordado. E Calígula sentado esperava que Aurélio acorda-se para continuar sua tortura.
— Calígula, para que esperar? É só matá-lo e pegar a outra parte da marca. — disse o grimório dele que flutuava em sua frente.
— Não, Romeu, como você pode ver, eu passei esse tempo todo planejando essa vingança para fazê-lo sofrer, então tenha paciência.
Após algum tempo de espera, Aurélio finalmente acordou.
— Vamos! Aurélio! Use o poder concedido a você. Para lutarmos igualmente!
— Nunca! — disse Aurélio colocando sua mão no chão. — Que as pedras se abram!
As grades de pedras se quebraram e foram arremessadas na direção de Calígula. Os fragmentos conseguiram empurrá-lo para longe dele. Com isso, Aurélio aproveitou o momento para se curar.
Não demorou para que Calígula recuperar-se dos danos causados por Aurélio, ele usou um feitiço de vento para propulsiona-lo para perto de Aurélio. No ar conjurou três estacas de gelo e as jogou. Aurélio conjurou estacas de pedra para defender-se, acertou duas e a terceira teve de desviar.
Tomou distancia e lançou uma bola de terra em Calígula, porém, não foi do tamanho que queria, pois seu cristal havia acabado a energia.
— Ha!ha!ha! Acabou sua magia?
— Droga! — disse Aurélio retirando o cristal da alabarda. — Quem disse que eu preciso de magia para te derrotar? — disse Aurélio apontando sua alabarda enferrujada na direção de Calígula.
— Oh, aceito seu desafio.
Calígula avançou com tudo para cima dele invocando uma mão gigante que saia de seu grimório. Aurélio tentou bater nele, porém, no momento em que a alabarda encostou naquela mão acabou por se desfazer. Aurélio foi capturado.
— Ei, acorda…
— hummm…
Osma, após a queda, acordou atordoado em meio as pedras.
— Ai, o que aconteceu? — disse enquanto era ajudado a se levantar.
Por reflexo olhou para os lados buscando algum sinal de Ângelo, mas não encontrou nenhum sinal dele.
— Ufa, sem sinal da quela besta.
— Eu não diria isso, olhe — disse o cara encapuzado apontado á um monte de pedras.
Aquele monte de pedras começou a mexer-se e Ângelo saiu de lá em sua forma bestial.
— Você achou que poderia me para com algumas pedras.
Osma empunhou sua espada em mãos assumindo sua posição de combate. O cara encapuzado também assumiu sua posição de combate, entretanto suas mãos estão vazias, apenas com suas luvas.
— Sem espadas?
— Eu não preciso de nada.
Ângelo avançou para cima dos dois e com sua garra atacou ferozmente o encapuzado. — Morra!
O encapuzado desviou do golpe e contra-atacou com um soco forte no rosto da fera.
— O que? Como?
O encapuzado deu mais uma investida nele, dando um gancho de esquerda no queixo. Ângelo tentou se proteger, porém não foi o suficiente acabando por ser arremessado para longe.
— Agora coloque sua espada no meio da quelas pedras! — disse ele que logo o seguiu dando um grande salto.
Osma correu chegando próximo das três pedras, pegou-as e as juntou servido de suporte para a espada. — Pronto!
— Certo!
Com isso o encapuzado deu um ultimo soco em Ângelo o arremessando direto na espada de Osma. A força foi tanta que a espada havia cortado o braço da besta.
Aurélio, ainda preso pelas grande mãos que Calígula havia invocado.
— Calígula pegue logo o poder dele — disse o grimório impaciente.
— Não! Eu ainda não terminei de brincar com ele — disse Calígula o apertando. — Vamos Aurélio, Reaja!
— Aaah! — gritou ele, enquanto a marca começou a brilhar fraco.
— Aurélio não! você pode acabar enlouquecendo ou, pior, pode morrer — disse Roseta.
— Eu não me importo, Roseta, temos que acabar com ele antes que ele acabe com tudo.
A marca no braço dele começou a brilhar forte em branco, ele sentiu o poder correndo pelo seu corpo, dando uma boa sensação e energia que ele precisa, e Roseta levitou-se acima de sua cabeça.
— Finalmente, Aurélio! Finalmente lutaremos de igual para igual! — a marca de Calígula brilhava em vermelho.
— Vai para o inferno, Calígula! — gritou Aurélio, jogando uma lança de pedra nele.
Calígula desviou da lança saltando no ar e usou um feitiço onde mandou vários socos de água pelo ar. Aurélio usou o escudo de terra para se defender, mas o escudo acabou por se desfazer. Entre tanto, quando a água passou, Calígula não havia o encontrado.
— Cadê ele? Onde ele se meteu? — Calígula se perguntava até que o chão começara a tremer. — Mas O QUE?!
Era Aurélio usando sua magia para sair rapidamente do chão e, aproveitando a surpresa, deu um soco no rosto de Calígula que o deixou irritado ele revidou o soco na cara dele. Nisso, Aurélio aproveitou para pegar distância usando magia de vento para se impulsionar para trás.
Calígula, frustrado, arremessou uma parede de pedra em Aurélio, que por sua vez usou o mesmo feitiço para erguer outro muro de pedra, impedindo o ataque. Então contra-atacou usando um jato potente de água o arremessando para o outro lado e ferindo gravemente Calígula.
— HaHa!Hahahahahahahah!! Olha como você é tão fraco, Calígula! Você nem sequer conseguiu me derrotar.
— Aurélio! Você tem que parar, é muito poder.
— Fica quieta, Roseta, eu nunca me senti tão incrível em minha vida toda! O poder é bom!
Enquanto Aurélio caia em loucura, Osma com a ajuda do encapuzado a arromba o portão e adentraram no recinto. Ao ver Aurélio levitando no meio do lugar com olhos brilhando em chamas brancas e emitindo uma quantidade de mana descomunal que começou até a abalar as paredes do lugar fazendo-as começar a desmoronar. Osma correu entre as pedras e os escombros da batalha e conseguiu chegar próximo de seu amigo.
— Ei! Aurélio, para com isso! Você está indo longe demais!
— Vai estabilizar! EU tenho CERTEZA! HAHAHAAAAHHHHAAAA!
O lugar continuou desmoronando até que Osma viu aquela figura encapuzada novamente. Ele atravessava rapidamente pelas pedras que caíam em sua frente e até usava que nem caíram como plataformas. O cara chegou até Aurélio e deu apenas um golpe certeiro em sua nuca, fazendo-o desmaiar e, em silêncio, o segurou em seus braços. Osma, por sua vez, entende que se tratava de fugir daquele lugar.
Começaram a escalar as pedras que acabara de formar o caminho para a superfície. Durante o caminho, Osma viu Calígula no mesmo lugar, mas ele o ignorou e subiu até a superfície.
Chegando à superfície e vendo que já era dia, eles tomam distância da cripta que desmoronou por completo e foram até as ruínas do reino arruinado. Chegando ao estábulo onde esta a égua de Osma, o cara misterioso colocou Aurélio na carroça.
— Ei! Cara, obrigado novamente por nos ajudar. Você quer uma carona? — perguntou Osma antes de subir na carroça.
— Não, obrigado. Eu ainda tenho alguns assuntos para resolver aqui.
— Se é assim, tá, mas antes você poderia dizer o seu nome?
O cara olhou para Osma e falou:
— Jun, o meu nome é Jun. — Então, Jun saltou em um telhado e de lá saiu em alta velocidade.
Aurélio, ao escutar o nome de Jun balbuciou esse nome algumas vezes antes de adormecer. Saindo daquele lugar, eles fazem o caminho de volta para o Vila do Orvalho.
Na Vila do Orvalho, Osma deixou Aurélio em uma pousada para descansar, enquanto ele foi para a residência dos Sebastian.
Entrando no quarto de Aurélio, ele o viu olhando pela janela.
— Vejo que já se recuperou, amigo.
— Osma... O que eu fiz?
— Você colocou a cripta toda abaixo.
— Enquanto a Calígula?
— Bem, ele ficou lá. Acho que ele não teria sobrevivido a tudo aquilo — disse Osma, que sentava em uma cadeira que estava do lado da cama. — Mas mudando de assunto, eu fui lá pegar a recompensa na residência dos Sebastians. Parece que deu tudo certo, o Dr. Frederick está se recuperando e recebemos um bônus pelo serviço.
— Que bom escutar isso, mas espero não ter feito nenhum mal para você ou para Roseta quando eu perdi o controle.
— Não fez nenhum mal, docinho de coco — disse Roseta, que levitava da mesa e voava até as mãos de Aurélio.
— Me desculpa, por te fazer passar por aquilo.
— Tudo bem, querido, agora estamos bem e podemos voltar para casa.
— Ha!Ha! Ha! Então vamos aproveitar para tomar uma — disse Osma empolgado.
Aurélio olhou pela janela do quarto, sentindo uma sensação estranha em seu peito, Seria o alívio de tudo aquilo ter acabado ou era a dúvida se Calígula havia realmente morrido?
Fim