Em uma tarde aconchegante, Dr. Frederick e o Sr. Carl caminhavam pela floresta perto de sua vila à procura de algumas plantas medicinais. Eles caminharam por uma trilha que acostumavam a fazer há tanto tempo que se formou terra batida.
— Dr. Frederick, o senhor acha mesmo que essa planta pode curar minha filha? — perguntou Carl, colocando sua mão na bolsa de couro que carregava.
— Acredito que sim, Sr. Carl. Já a usei em outros pacientes, e todos se recuperaram — respondeu Frederick, ajeitando seu bigode bem tratado.
Carl suspirou, lançando um olhar de preocupação ao médico. — Dr. Frederick, você ainda pretende se casar com minha filha?
— Sim, pretendo me casar. O senhor não precisa se preocupar quanto a isso, eu serei o melhor marido e genro que você já viu — disse Frederick, inclinando-se para observar uma pequena flor no chão. — Aqui! Essa é a planta.
A planta parecia com capim, mas dentro dela, em suas raízes, havia uma propriedade que poderia curar a tal doença. Frederick a colheu e a entregou para Carl, que a guardou cuidadosamente em sua bolsa. Porém, antes que eles pudessem retornar escutam algo quase um sussurro.
— Socorro, a-alguém me ajude. Cof! Cof!
Frederick segue a voz até chegar próximo de alguns arbustos e ali encontrou um homem. Era um senhor que estava coberto por uma túnica com capuz. Sua situação não é uma das melhores, ele estava ofegante, seu corpo magro com vários machucados dispersos e possuía uma máscara que cobria parcialmente seu rosto.
— É sua situação está péssima. Mas não se preocupe, sou médico, vou levá-lo para meu consultório. Sr. Carl, preciso de sua ajuda — disse Frederick, se agachando para avaliá-lo.
— Não precisa... eu já tenho o que preciso — murmurou o senhor, levantando sua mão ferida e segurando o ombro do doutor.
— O que você... ah! AAAGH! — gritou Frederick, sentindo uma enorme ardência em seu ombro.
Em dor, Frederick permaneceu no chão, enquanto o senhor se recuperava de seus ferimentos, até rejuvenesceu um pouco no processo. Carl tentou impedi-lo, porém, foi interrompido por um grande lobo preto que surgiu das sombras. Sua presença era tão ameaçadora que o fez cair imóvel no chão.
Pouco a pouco, Frederick ficava cada vez mais seco, enrugando até parecer como uma uva-passa. Ao terminar com Frederick, o senhor apenas se levantou e caminhou até o grande lobo preto.
— P-por favor! N-não me mate! — implorou Carl, todo tremendo de medo.
O senhor apenas olhou para ele com seus olhos obscuros através de sua máscara quebrada... Mas ele não fez nada. Apenas se virou e desapareceu nas sombras junto do grande lobo, sem fazer nenhum barulho, como se fossem apenas qualquer folha que se desprendia de uma árvore seca.
