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Aurélio e Osma · Capítulo 3: Maldição!
Aurélio e Osma
cap. 4

Capítulo 3: Maldição!

por TonyNorton2.463 palavras~11 min

Deixando suas máscaras na entrada, os três saíram do lugar, e caminharam rumo a casa do Sr. Carl. O Sr. Carl era magro de pele branca, seu cabelo era curto e grisalho, seus olhos verdes como esmeraldas, suas roupas elegantes e seu óculos redondo com a armação prateada.

Em sua caminhada, eles passaram por algumas casas de estilo alemão e subiram a estrada em direção ao norte até chegarem a uma área cercada por grandes arbustos. Seguindo por mais algum tempo eles chegaram até a residência Sebastian, dos portões de ferro dava para ver um lindo jardim e ao fundo havia uma mansão.

Os portões foram abertos por um porteiro bem vestido, suas vestes era feita de um material que nem Aurélio sonharia em comprar. Ao entrarem, eles atravessaram aquele belo jardim e, quando chegam até a porta de entrada foram recebidos por uma empregada.

— Seja bem-vindo, senhor.

— Obrigado, Margo. Você sabe onde Felícia está no momento?

— A Sra. Felícia está no seu quarto fazendo companhia ao Dr. Frederick.

— Certo. Senhores, me sigam.

Aurélio ao adentrar sentiu uma presença estranha que não sentia há bastante tempo algo nostálgico, porém, o lembrava de um tempo ruim de sua vida, algo que ele tentava esquecer, mas não conseguia.

“Do que você acha, Roseta?” — pensou Aurélio, encostando sua mão em seu grimório.

"Parece, mas é diferente." — disse Roseta.

A cada degrau que subiam daquela escada, a aura só ficava cada vez mais pesada, até que eles chegaram na frente da porta do primeiro. Era de lá que onde se originava tudo aquilo.

— Aurélio, você é um mago... Certo? — perguntou Sr. Carl apoiando sua mão na maçaneta.

— Sou.

Quando a porta foi aberta, a cena que eles viram era desagradável. Uma mulher aos prantos sentada em uma cadeira ao lado de seu noivo quase falecido, deitado em uma cama. A mulher tinha o cabelo comprido de cor castanho escuro, usava um lindo vestido azul escuro bordado que combinava com a cor de seus olhos verdes claros.

— Felícia, como está o doutor?

— Ele está piorando, pai — disse Felícia, passando o pano no rosto de seu noivo.

— Ele vai ficar bem, eu trouxe o Sr. Aurélio. Ele é um mago.

— O senhor pode curá-lo disso? — perguntou Felícia, enxugando as lágrimas de seu jovem rosto e com sua voz tremula.

— Eu vou ver o que eu posso fazer.

Enquanto Aurélio foi ver o homem deitado na cama, Osma tentou sair de fininho, mas foi pego por Aurélio.

— O que você vai fazer, Osma? — perguntou ele, olhando para Osma.

— Não é o que parece... Eu só irei dar uma passada no centro para comprar algumas coisas. Sabe para reabastecer — disse Osma, apreensivo.

Aurélio apenas acenou com a cabeça deixando Osma sai do lugar. Aurélio aproximou-se do corpo do doutor, pegou um cristal transparente de sua bolsa e seu grimório.

— Isso vai demorar um pouco.

— Leve o tempo que for necessário, mas por favor, o salve.

— Farei o que for possível — disse Aurélio começando a fazer sua análise no corpo do doutor. Seu grimório começou a flutuar perto dele enquanto ele recitou um feitiço, ele segurou o cristal perto do corpo seco de Frederick. A partir dele surgiu um feixe de luz horizontal de cor verde que passou por ele dos pés à cabeça.

Enquanto isso, Osma perambulava pelas barracas, perto do centro da vila. Ele carregava consigo uma cesta com algumas compras, que fez para o jantar, nada de exagero, apenas algumas frutas, legumes, pão e uma carne defumada.

Ele passou por diversas barracas e carroças, mas tinha algumas carroças diferentes, elas eram grandes e carregavam quase tudo, a maior parte delas carregavam especiarias, tecidos, vestidos e dentre um monte de coisas diferentes. Também viu pessoas diferentes que falavam em um idioma que ele não conseguia entender.

Entre tanto seu estomago resmungou de fome, então aproveitou o momento para comer uma maçã, mas quando iriá dar uma mordida notou a presença de um senhor magro sentado no canto entre duas barracas, junto dele haviam duas crianças e uma mesa com algumas bugigangas a venda. Sua aparência dizia por si e seus pelos possíveis netos quase desnutridos.

— Ei, senhor, toma você precisa mais do que eu — disse Osma deixando sua cesta para o senhor.

— Ah, o-obrigado senhor — falou com um grande sorriso. — Quer algo?

— Não precisa.

— Anda vamos, escolha qualquer coisa é o mínimo que posso fazer por sua gentileza.

Osma pensou por um momento, analisou os itens sobre a pequena mesa, nada parecia chamar sua atenção. Até que ele viu um pequeno colar de madeira entalhado com um simbolo de sol.

— Ah... O colar de prata — disse o senhor impressionado. — Pelo que vejo você tem um bom gosto.

— E o que ele faz? — disse Osma, pegando o colar pela corda de metal.

— Bem, eu não sei ao certo, mas pelas histórias que escutei acredito que ele traz sorte para aquele o usa.

— Tudo bem, vou leva-lo — disse Osma, colocando o colar em seu pescoço. — Mas, por que prata?

— É que ela foi feita por um artesão, da vila de Prata.

— A quela da lenda?! Que sorte que tenho — disse Osma, olhando para simbolo do colar. — De qualquer forma, tenho que ir, tchau e tenham um ótimo dia.

— Obrigado... senhor, tenha um ótimo dia — disse uma das crianças.

Osma, agradeceu e voltou a fazer seu caminho, pegando seu saco de moedas para contar quantas ainda tinha, já que teria de fazer novamente as compras.

Porém, algo havia chamado sua atenção, ao longe, ele viu Demian correndo de três caras encapuzados. Percebendo que ele logo passaria por ali, entrou em uma tenda à venda perto dali. Lá dentro, ele esperou até o momento certo e então, quando ele passou, o puxou para dentro da tenda.

— Mas oqu–!?

— Shiiiiu... — disse Osma cobrindo a boca de Demian.

Não demorou muito para que os encapuçados passassem por lá.

— Cadê aquele canalha! — disse o encapuçado baixinho.

— Onde aquele verme se escondeu?! — disse o outro encapuçado que parecia um palito de fósforo.

— Procurem por todo o lugar — disse o líder dos encapuzados e o mais forte dos três. — Ele não deve ter ido longe.

Com os dois dentro da tenda, Demian tirou a mão de Osma de sua boca.

— Por favor não me mate eu tenho uma família para sustentar.

— Não fique assim Demian, sou eu. — disse Osma o virando.

— Ha, ufa. é só você Osma.

— O que eles querem com você?

— Eu não tenho tempo para explicar tudo — disse Demian, tremendo de medo. — Aqueles são os mesmos saqueadores de antes, foram eles que roubaram minha mercadoria.

— Ei! E aquelas tendas, o cara deve ter se escondido lá! — disse o magrelo apontando na direção das tendas.

— Estou ferrado — choramingou Demian. — O-osma, você pode me tirar dessa situação?

— Deixa eu pensar um pouco. Depende de quanto você me pagar.

— Cadê você! Seu ingrato! — cantarolou o líder, abrindo a primeira tenda.

— Está bem, quanto você quer? — disse Demian, enquanto os passos do saqueador chegavam mais próximos.

— Quero apenas duas moedas de prata.

— Certo aqui. — Ele entregou as moedas, com sua mão esquerda trêmula.

Osma colocou as moedas em seu bolso e tirou Demian pela parte de trás da tenda, passaram por algumas lojas até chegarem em uma loja de roupas, onde Osma pegou duas mantas com capuz, e deixou aquelas duas moedas no balcão, os dois as vestiram e saíram de lá acompanhando uma daquelas carroças grandes. Conseguindo despistá-los os dois foram para um lugar mais tranquilo.

— Conseguimos despistá-los — disse Demian, aliviado.

— Agora me explique o que aconteceu?

— Bem, o que aconteceu foi que eu estava tranquilo caminhando pela vila. Até que reencontrei minha carroça com minha mercadoria e meu cavalo, eles estavam junto daqueles malditos saqueadores. Eles estavam conversando com um mercador que estava no mesmo grupo em que eu estava. Aquele canalha, havia me tachado de ladrão os contratou para me roubar! — irritado, alisou seu pequeno bigode. — E pensar que eu já o chamei de “amigo”.

— Entendo, mas agora que você está seguro, trate de não entrar em mais confusões, até outro dia.

— Espere! Osma, eu tenho uma proposta para o senhor. Quero que seja meu guarda-costas, pelo menos até a reunião terminar.

— Deixa eu pensar...

— Olhar o que encontramos!

Nesse momento eles acabaram sendo cercados pelos três saqueadores. Todos, ao verem que Demian acompanhado, desembainharam suas espadas, Osma fez o mesmo e tomou posição de combate.

— Parece que temos carne nova para provar, rapazes — disse o líder.

— É mesmo! O chefe ficará feliz quando descobrir que eliminamos as testemunhas — disse o saqueador baixinho.

— Se vocês têm apreço à vida, por favor, saiam do meu caminho — disse Osma, olhando no fundo dos olhos dos saqueadores e empunhando sua espada em mãos.

— Uuuuiii! Que medo! Ele acha que pode lutar contra nós três — disse o saqueador magrelo, zombando dele. — Aqui, quem não tem apreço pela vida é você.

Um dos saqueadores foi para cima de Osma, golpeando-o com sua espada. Osma, por sua vez, a defletiu com sua espada, aproveitando o momento chegou mais próximo e com a ponta de sua espada deu uma estocada no peito dele. O sangue do saqueador escorreu pela lamina dele, seu olhar demonstrava pavor.

Então Osma se aproximou perto de sua orelha e falou:

— Eu o avisei, agora não tem mais volta — disse Osma com um semblante sério. — Descanse em paz — disse ele, enquanto tirava sua espada do corpo já morto.

Com isso, os outros dois saqueadores ficaram sem palavras pelo que acabaram de presenciar. Agora eles tinham uma simples escolha a se fazer: fugir ou lutar.

Um escolheu ir para cima dele igual ao primeiro. Ele avançou tentando dar uma estocada com a ponta de sua espada em Osma, mas Osma conseguiu bloquear com sua espada.

— Por quê?! Eu não entendo! Por que jogar sua vida fora assim?! — indagou Osma, trocando sua espada para segurar a espada de seu inimigo com sua mão.

— Cala a boca! Seu... — disse o saqueador perplexo, sentindo seu peito sendo perfurado pela ponta da espada de Osma.

O sangue de Osma escorria pela lâmina de seu inimigo, ele retirou sua espada do corpo e lançou um olhar ameaçador para o líder dos saqueadores, como quem dizia “não faça isso, fuja enquanto pode.” O saqueador apenas se afastou aos poucos de lá, enquanto Osma colocava gentilmente o corpo do outro saqueador no chão.

— Osma, sua mão — disse Demian, preocupado, apesar de sentir medo dele.

— Ha isso, já resolvo — disse Osma, pegando um cristal vermelho de sua pequena bolsa. Aquele era um cristal elemental de fogo.

***tshiii***

— Aí! Uiuiui! — disse Osma, que sentia a dor para descontrair um pouco o clima pesado. — Pronto, chefe! Agora vamos aonde?

— Então você aceitou meu pedido?

— Sim, já que eu tenho tempo de sobra.

— Há sim, vamos para o centro comercial.

Assim, os dois foram até o centro comercial. Chegando lá, Osma sentou na escadaria, enquanto Demian as subiu. Porém, parou no meio do caminho e pediu para Osma se levantar, pois ele era seu guarda-costas, e que poderia entrar junto dele.

Enquanto isso, na residência Sebastian, Aurélio havia terminado de fazer sua análise no corpo de Frederick e estava sentado em uma cadeira folheando seu grimório à procura de qual feitiço havia sido usado.

“Aqui é esse! Mas que droga, tinha que ser justo esse!” — pensou Aurélio, levantando da cadeira.

— Então, o senhor descobriu do que se trata? — perguntou Sr. Carl apreensivo.

Aurélio exitou por um momento, procurando as palavras adequadas para dar a notícia aos dois.

— Sr. Carl. Infelizmente, seu genro não tem salvação.

— Como assim, não tem cura?! — indagou o Sr. Carl, enquanto sua filha começou a chorar.

— O único jeito de salvá-lo seria matando aquele quem o amaldiçoou, no caso é o feiticeiro, que provavelmente não deve mais estar por aqui.

Sr. Carl apenas curvou-se e falou: — Por favor, Sr. Aurélio, peço que você salve meu querido genro! Eu te imploro, posso te dar terras e dinheiro, o que você quiser.

Ao ver tamanha cena ele se comoveu, porém, ainda estava relutante com a ideia de ter de enfrentar um feiticeiro.

“Do jeito que ele está, ainda dá tempo para salva-lo. E não dá tempo para chamar outro mago.” — pensou ele.

“Aurélio, você já sabe.” — ressoa uma voz em sua cabeça.

— Está bem, eu farei — disse ele. — Eu recomendo que usem algumas ervas medicinais para anestesiar sua dor até eu voltar.

— Sério! Obrigado! — disse o Sr. Carl, feliz enquanto abraçava as pernas de Aurélio.

— Onde foi o último lugar que você o viu? E descreva como era esse feiticeiro.

Sr. Carl falou como eles poderiam chegar até o lugar, eles deveriam pegar a primeira estrada que leva ao sul, e a seguir até chegarem perto de uma grande árvore centenária. Quanto ao feiticeiro ele o descreveu como uma sombra esguia que se esgueirava pelas sombras e que usava uma máscara que cobria uma parte de seu rosto e tinha uma grande fera como companhia.

— Entendo, então partirei pela manhã.

— Seria uma honra se vocês dormissem aqui — disse Sr. Carl. — Margo prepare um quarto.

— Sim, mestre.

— Agradeço sua hospitalidade, Sr. Carl, mas com sua licença, eu vou dar uma saída. É que meu companheiro ainda não voltou, temo que ele possa ter entrado em alguma confusão.

Chegando à entrada, ele encontrou Osma voltando com sua carroça, cheia de coisas que havia trazido de sua pequena aventura. Ele deixou sua carroça no estábulo particular.

— Então, o que eu perdi? — disse Osma.

— Depois conversamos, agora entre temos um jantar para participar.

Depois do jantar, Aurélio e Osma se despedem deles e foram acompanhados por duas empregadas para seus respectivos quartos. O quarto não era muito diferente do qual estava o doutor. Ele era elegante, bem espaçoso, tinha duas janelas finas com arco, no meio delas estava a cama de solteiro e um criado-mudo. Aurélio colocou seu grimório sobre o criado-mudo e sentou na cama. Ele apoiou seu rosto em sua mão direita.

— Por que aceitei isso?

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