“ O que? A onde estou? ”
Ao acordar, Aurélio esta deitado em um lugar frio e totalmente escuro. Por momento, pensou ainda estar sonhando, mas logo percebeu que este lugar era apertado e parecia ser feito de pedra. Ele tentou levantar suas mãos até onde poderia alcançar e acabou por encostar em uma superfície lisa e fria. Tentou forçá-la, mas não tinha força para empurrá-la, entretanto, escutou alguns passos vindo do lado e de fora.
— Ei! Alguém ai?! — gritou.
— Parece que ele está aqui — disse uma voz baixa.
— EI! AQUI! — gritou novamente com todo seu fôlego.
— Certo... irei te tirar daí.
Enquanto a pessoa abria o caixão, a luz entrava e deixava Aurélio cego por um momento.
— É você, Osma? Cof... Cof — disse Aurélio, levantando-se do caixão.
— Finalmente te encontrei — disse Osma com o rosto coberto de poeira e por de pedra.
— Ai... Minhas costas — disse Aurélio passando a mão em suas costas para aliviar a dor. — Então, a onde estamos?
— Parece que estamos dentro da cripta, e aqui está cheio de mortos-vivos.
— Como assim, mortos-vivos? Não me diga que estamos lidando com um necromante?!
— É o que parece.
— Merda, agora nosso problema triplicou. Mas você está com o meu grimório?
— Não, eu não encontrei. Mas, por que temos que ir atrás daquele livro?
— Osma, você não entenderia a importância daquele livro para mim, minha... Não! Nossa vida depende daquele grimório, pois sem ele não poderemos derrotar o necromante.
— Então vamos atrás dele.
E assim foram, saíram daquela sala cheia de caixões de pedra e caminharam pelo lugar evitando um confronto com qualquer monstruosidade que encontrassem pelo caminho. Até que, em um corredor eles escutam passos pesados de algo se aproximando, então esconderam-se em uma das caixas por perto.
A figura que se aproximava era grande e estava acompanhada por um morto-vivo. Osma deu uma bisbilhotada e viu que tratava-se de Ângelo.
— Ah! Como é que você deixou que eles escapassem! — gritou Ângelo, descontando sua frustração na porta ao lado.
— Ahrrr... Arhhh.. — gemeu o morto-vivo.
— Não me vem com desculpas! Procurem por eles e os prendam. Eles não podem chegar até o mestre, não até que seu plano esteja completo.
Ângelo e o morto-vivo saem de lá, com isso, os dois aproveitam para entram em uma sala estranha em que Ângelo havia quebrado, à procura de qualquer arma que possam usar, nisso a sala se fecha com uma parede de pedra no lugar da entrada, os deixando presos do lado de dentro.
— Qual é! Preso de novo! — disse Osma.
— O que isso significa?
— Significa que teremos de encontrar um botão escondido para abrir a porta para não morrermos presos aqui — disse Osma começando a procurar pelos cantos da sala.
Aurélio ajudou Osma a procurar o tal botão, mas acabou encontrando um buraco na parede que levou a outra sala. A sala tinha um formato oval que levava uma entrada, no meio dela estavam armas que tanto procuravam, então Aurélio voltou ao buraco.
— Ei! Osma já encontrou o botão.
— Ainda não, parece que ele não esta aqui.
— Venha aqui, encontrei outra sala com algumas armas.
Osma se junta a Aurélio na outra sala, foram até as armas e viram que todas estavam enferrujadas.
— É o que temos — falou Aurélio pegando uma alabarda.
— Da para o gasto — disse Osma pegando uma espada de uma mão e um escudo.
Entretanto, não esperavam que na quela sala haviam dois caixões que abriram-se no momento em que eles pegaram as armas, nisso os mortos começavam a sair deles, um deles empunhando uma espada, enquanto o outro nada.
— Parece que as coisas estão esquentando por aqui — disse Osma assumindo sua posição de combate.
Os mortos-vivos tinham uma aparência decrépita, sobraram poucas partes do que foram um dia, anida havia poucos pedaços de carne podre pelo corpo, a maior parte só havia restado os ossos e algumas juntas. Mas, o que se destacou era a inexistência de olhos e, em seu lugar, havia uma pequena chama amarela.
Assim, os mortos vivos começam a atacar, Osma engajou o combate com um deles, enquanto o outro tentou atacar Aurélio.
— Eita! Vem tranquilo! Vem! — disse Osma, que desviava de um ataque mortal.
— Garh! Arr! — retrucou o morto que voltava para atacar novamente.
Osma bloqueou o ataque com o meio de sua espada e contra-atacou, cortando a perna do morto, mas ele apenas se equilibrou em uma perna.
— Qual é?! Você consegue ficar tranquilo com apenas uma perna?!
— Garh! Ah! Ah! — ria o morto-vivo que caçoava de Osma.
Enquanto isso, Aurélio estava em uma disputa de força com o outro morto-vivo para ver quem ficava com a alabarda.
— Ei! Por que você quer tanto essa arma?
— Ghar... harrr... ha! ah!
— Não entendi nada, mas presumo que essa seja sua arma favorita — falou Aurélio, aproveitando o momento para empurrar o morto junto da arma, fazendo-o cair no chão.
Nisso, ele pegou uma outra alabarda e tomou espaço do oponente que logo se levantou do chão escorando-se na alabarda e em seguida também assumiu sua posição de combate.
Os dois tentavam estocar um ao outro usando pontas das alabardas, até que o morto-vivo usou sua arma para mover a arma de Aurélio para o lado esquerdo, o deixando vulnerável por um momento, então ele aproveitou a oportunidade para atacar o peito dele, mas acabou por pegar de raspão, errando por pouco, pois ele havia acertado roupas dele. Aurélio aproveitou a situação para atacar a cabeça do morto-vivo, o decapitado.
— Por essa eu não esperava. Eles podem estarem mortos, mas seus movimentos permanecem como se estivessem vivos — disse Aurélio, abaixando sua guarda.
Entretanto, o corpo do morto não havia caído no chão, ele apenas ficou parado, até que voltou a se mexer.
— Mas que porr... — tentou falar ao ver o corpo se mexer e vir para cima dele, fazendo-o cair no chão junto dele. No lugar da cabeça havia aparecido uma névoa verde e os olhos estavam queimando em um tom dourado. — Ei! Uma ajudinha cairia bem!
Osma ainda estava lutando contra o morto-vivo aleijado. Ele parece sofrer para lutar contra ele, já que toda vez que fazia uma ofensiva era bloqueado, até que ele deixa de atacar e dá uma olhadinha na situação de Aurélio. Nisso, o morto-vivo aproveitou para deferir um golpe mortal no corpo do Osma, mas foi impedido por Osma que o empurrou com o escudo, fazendo com que ele perde-se o equilíbrio e cair no chão.
— Então, ainda pode lutar? — zombou Osma, indo ajudar Aurélio.
— Graaahhr.... Hahagha... — grunhiu o morto-vivo que tentava se mexer com seu braço restante até uma bolsa que estava por perto. Era uma bolsa parecida com a de Aurélio, ele começou a fuçar nela até encontrar um cristal de luz e tentou o pegar. — Mas o quê? Eles sabem usar magia?!
Mas no momento em que ele tirou da bolsa, a luz que ele emitia acabou por desfaze-lo. O mesmo ocorreu com o que estava em cima de Aurélio ficando apenas o peitoral de metal do morto-vivo.
— É isso, Osma, o ponto fraco deles é a luz forte do sol.
— Nós tivemos esse trabalho todo para descobrir — disse Osma, pegando a bolsa de Aurélio e a entregando para ele.
— Ei! Osma! Parece que essas armas têm catalisadores — disse Aurélio, colocando um cristal em sua alabarda. E aproveitou para jogar um cristal para Osma.
— Obrigado, me certificarei de usá-la com prazer — disse Osma, colocando-a em sua espada.
A porta da sala abriu-se e eles saíram da sala um pouco cansados, porém sem tempo, eles precisam encontrar logo o feiticeiro.
— Aurélio olha — disse Osma mostrando para Aurélio o cristal usado na análise do doutor, ele havia mudado de cor para marrom.
— Estamos ficando sem tempo — ele pegou o cristal da mão de Osma. — Se esse cristal chegar a ficar na cor amarela o Dr. Frederick ira morrer.
Com isso ele tirou a bússola de dentro da bolsa para ver onde esta o feiticeiro, mas o ponteiro da bússola esta girando em todas as direções.
— É, parece que teremos que seguir daqui para frente às cegas.
— Que saco!
Algum tempo procurando por aquele lugar, que parecia mais um labirinto cheio de armadilhas, eles encontram um pouco de luz. Seria isso a saída? Ou outra coisa? Quando chegaram ao local, perceberam que tratava-se de um amplo jardim situado dentro da cripta.
O lugar era belo, cheio das mais diversas flores, plantas e até tinha algumas árvores frutíferas. No lugar do teto havia um grande buraco, fazendo com que parecesse que estavam em uma tigela gigante, era uma parte do jardim do Éden.
Caminhando pelo lugar, eles chegaram na frente de um grande portão feito de pedra, o qual estava fechado e tinha os dizeres: “ Sepultura do Rei Ricardo III ”.
Então, eles decidem descansar um pouco em uma macieira, por um pequeno momento de paz. Aurélio sentou-se, encostando as costas na árvore, enquanto Osma deitou no gramado.
— Caramba, quão longe chegamos.
— É, passamos por bons e maus bocados. Mas agora descanse um pouco, nós merecemos.
Osma prendeu suas mão em sua nuca. — Aurélio, tenho uma duvida.
— Sobre o quê?
— É sobre seu grimório. — Fez uma pausa. — Você se lembra daquela vez em que fomos atacados por aquele monstro na floresta.
— Lembro.
— Aquele seu grimório ficou flutuando e me guiou até onde você estava...
— E?
— Parecia que ele tinha vontade própria... Ele tem?
— No tempo certo você saberá — disse Aurélio olhando para o céu e lentamente adormeceu.