Aurélio abriu seus olhos e viu que estava deitado em um campo florido. Estavam-lá as mais diversas flores que ele já havia encontrado durante suas viagens; como lírios, rosas, violetas, girassóis e etc. Ele levantou e caminhou por esse campo florido, sentindo uma grande leveza em seu corpo, algo que não sentia a bastante tempo e sentia que não deveria mais fazer nada, porém, uma pequena melancolia abrigava em seu peito.
Até que ele escutou uma voz vindo ao longe e logo em seguida escutara batidas de espadas:
— Você! não serei derrotado por você!
***pen! Blem!***
Com isso, ele seguiu esses sons até subir em um pequeno morro, de lá ele viu Osma lutando com alguém que não dava para ser reconhecido. O campo começara a ser coberta por lírios brancos.
Osma estava atacando a figura sem face, mas ela desviava dos golpes e revidava. Foi assim até que ela o atacou de uma forma que quebrara sua espada e o atinge-se, fazendo um grande corte.
Aurélio tentava correr até ele, mas não conseguiu, pois ele estava correndo em câmera lenta. Ele tentou gritar, mas sua voz nem sai. Aurélio viu ele ceifar a vida de Osma lá mesmo e a figura sem rosto olhou para ele. Todo o campo de flores brancas foram manchadas com o vermelho carmesim do sangue de seu amigo.
Incapaz de fazer qualquer coisa, viu aquela figura caminhando em sua direção, ele tentava fugir, mas não conseguia, pois um grande pesar o fez fraquejar. Com isso, as flores que estavam à sua volta começam a murchar e o solo começou a se desfazer, o fazendo cair em um buraco que se formara.
— Haaghhhh! — gritou ele, fechando seus olhos com força e desespero, enquanto caía na escuridão.
Enquanto isso, Osma do lado de fora da cabana, viu aquele lobo de antes, só que desta vez ele trouxe companhia. Ele estava acompanhado de cinco lobos e um cara estranho que tinha vestes escuras que misturavam-se com seus pelos saltados e escuros.
— Então é aqui onde vocês estavam escondidos. — afirmou o estranho cara peludo.
— Quem é você? E o que você quer? — perguntou Osma, que sentia um certo desconforto perante a presença daquela figura.
— Há sim, me desculpe pelos meus modos. Eu sou Ângelo e vim aqui levar o corpo de Aurélio para meu mestre.
— Humm... Que pena, mas ele não está no momento — disse Osma desembainhando sua espada e a apontando para o cara.
— Então essa é sua escolha? — disse Ângelo, dando um sorriso, mostrando suas pressas. — Vão! Peguem!
Ao sinal de Ângelo, os cinco lobos avançam em Osma. Ele retribui saltando na direção deles e, enquanto estava no ar, ele matou dois lobos fazendo um corte profundo em suas cabeças, mas quando aterrissou no chão, acabou sendo mordido por outro lobo, o fazendo ficar imobilizado por algum momento, isso fez com que desse tempo para outro lobo chegar e fazer o mesmo, mordendo a outra canela.
— HAaaA! Seu!... Desgraçado! — gritou Osma em dor, enquanto o terceiro lobo mordia seu braço, fazendo sua espada cair no chão.
— Ho! Então é tudo isso que você tem? — disse Ângelo em um tom de desprezo, aproximando-se e o cheirando. — Que desperdício de tempo você é, pelo menos tem um bom cheiro.
Osma preso pelos lobos, Ângelo caminhou até a cabana. Ao vê-lo chegar próximo à porta. “Como pude perder tão fácil?! Eu não sou fraco!” — pensou Osma, furioso. Então, ignorando a dor das mordidas, ele pegou sua espada com a mão que está livre e então a usou para matar os três lobos; primeiro matou o que segurava seu braço perfurando a garganta e depois os outros dois.
— Eu não sou fraco! — gritou Osma após matar o último lobo.
— Ho... Ho! Parece que eu o subestimei, garoto! — disse Ângelo, tirando a mão da maçaneta. — Talvez você possa me divertir um pouco mais.
— Então venha me enfrentar, se for capaz! — diz Osma, tomando novamente sua posição de combate.
Depois de algum tempo vagando pelo escuro vazio. Aurélio, ainda estava com os olhos fechados enquanto murmurava.
— A culpa pela morte dele foi minha? Não! Não foi! Ou foi?
Aurélio ficou parado em posição fetal, segurando sua mão sobre a marca de seu braço.
— Por favor, faça parar, isso não pode ser real.
— Aurélio... venha.
— Quem está aí?
— Acorda, Aurélio! Acorda! — disse uma voz familiar de forma acolhedora.
Aurélio sentiu algo o tocando, como se fosse um abraço do qual não sentia há tempos. Ele abriu seus olhos, porém, tudo que ele viu era apenas uma pequena luz azul, tão pequena diante de todo aquele vazio.
Mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, ele acordou de seu sono, levantando metade de seu corpo da cama.
Track!!! Clang!!!
— AaaAHg!
Aurélio, escutou os sons do lado de fora, deu uma olhada em todo o lugar à procura de Osma, mas não o encontrou. Ele tentou levantar-se da cama, só que no momento em que ele ficou de pé sentiu uma grande fraqueza em suas pernas que o fez cair no chão.
— Droga! Agora não! — disse Aurélio, segurando sua perna. — Roseta! Cadê você?
— Estou aqui em cima da mesa, já estou indo.
O grimório se jogou junto da bolsa, caiu na mão de Aurélio, com isso ele pegou uma poção de vitalidade e a tomou.
Enquanto isso, do lado de fora, Osma esta lutando contra Ângelo, ele esta na pior, Ângelo era mais rápido que ele e sua pele era bem resistente. Ele atacou Osma usando suas garras, mas são repelidas pela espada de Osma, que aproveitou o impacto para pegar distância.
“Merda, esse cara é bem forte e rápido” — pensou Osma, ofegante. — “Preciso matá-lo o mais rápido possível.”
Osma começou a correr para outra direção, procurando por alguma vulnerabilidade em Ângelo, só que é interceptado pelo mesmo, que o alcançou sem dificuldades, mas ele só não foi pego por causa de uma pedra na qual acabara de tropeçar. Com isso, Osma, que sentia o cheiro pútrido da besta, tinha a perfeita oportunidade de atingi-lo com sua espada. Entretanto, o golpe não foi o suficiente para penetrar no corpo dele. Ângelo desferiu um golpe nele o arremessando para perto da cabana.
Aurélio que estava dentro da cabana, dava o máximo de si para se levantar. Começou primeiro com as pernas, depois se apoiou na parede, mas o que ele não esperava era que sua marca começava a arder.
“O que?! Não pode ser! Não agora!” — pensou ele, sentindo o poder fluindo pelo seu braço para sua mão, queimando a manga de seu robe, dando forma a linhas de fogo em seu braço. Então sem escolha ele recitou:
— Bola de fogo!
A bola de fogo foi materializada em sua mão e em seguida foi lançada na porta que quebrou-se e quase atingiu Ângelo. Só não o atingiu, por causa de seu reflexo que o fez conseguiu desviar. Ao ver tamanho poder Aurélio, Ângelo por puro extinto, fugiu de imediato.
Aurélio cambaleou até Osma, para ver como o amigo estava. A situação dele é ruim, sua testa estava sangrando e tinha vários hematomas por todo corpo, mas nada que alguma poção e um bom descanso não possa resolver. Ele deu a poção para Osma tomar e depois o ajudou a levantar.
— Você é duro na queda, em Osma! — disse Aurélio.
— Aiai. Não acredito que fui derrotado por aquela besta — disse Osma, enfurecido.
Aurélio levou Osma com dificuldade até a cabana, pôs sobre a cama e em seguida se sentou na outra cama.
— O que você acha que era aquele cara? — disse Aurélio, deitando na cama.
“Por que tive aquele sonho? Será que é algo que tenho de me preocupar?”
“Boa noite Aurélio.”
“Ha, obrigado por me acordar Roseta.”
“De nada, na próxima vez tome cuidado para não se machucar.”
— Pelo pouco do que vi, pressuponho que seja um lobisomem — disse Osma. — Partiremos amanhã de manhã?
— Sim.
No dia seguinte, eles deixam a cabana e saíram floresta escura. Seguindo a direção apontada pela bússola, foram guiados até uma planície. O dia está nublado, cheio de nuvens no céu acinzentadas , o vento não estava nem um pouco gentil, soprava com uma forte correnteza gélida. Eles seguiram a estrada, na qual os levaram até uma grande pedra com um formato oval.
— Olha lá, Aurélio — diz Osma, apontando para a grande pedra. — Essa pedra diferente, em?
— Parece que estamos próximos — disse Aurélio, que arrumava seu chapéu. — posso sentir.
Osma guiou a carroça até a grande pedra e ao chegarem nela, eles viram ao longe o reino arruinado. Um lugar que foi um grande e próspero reino dês de tempos antigos, que retomam a era dos elfos. Um lugar quase magico que eram contados apensa nas lendas.
— Finalmente chegamos! — falou Osma, animado.
Eles desceram o morro e pegam novamente a estrada, até chegarem próximos do reino. De longe viram o que restou daquele lugar decrépito, o que antes era um grande reino rico e influente foi reduzido a apenas algumas ruínas.
— O que deve ter acontecido aqui?
— De acordo com as lendas, o reino caio em ruína depois da morte do Rei Ricardo III — disse Aurélio, quando eles chegam aos portões que já estavam abertos, parecia que haviam sido arrombados há muito tempo. — porém, muito fio perdido dês da queles tempos, então não tenho certeza do que é real ou o que foi inventado.
— Aurélio, para onde vamos agora?
Aurélio pegou a bússola e a observou, ele viu que o ponteiro está movendo-se para outra direção, então disse:
— Nosso alvo está se movendo, vamos atrás dele!
— Vamos, mas acho melhor ir a apé. Eu não quero colocar a Cláudia em perigo.
Deixando a carroça e a égua em um antigo celeiro, eles começaram sua busca pelo feiticeiro. Eles caminharam pelos escombros do reino, passando por diversas casas deterioradas pelo tempo, nem mesmo as tavernas sobreviveram; tudo esta coberto por musgo, limo, mato e algumas arvores que cresceram dentro das casas.
A bussola os levaram até ao portão oeste do reino que estava fechado. Aurélio, com a bússola em uma das mãos, procurou no portão uma falha e fez um sinal com a outra para Osma abrir aquele portão com cuidado. Assim ele fez, abrindo uma pequena abertura no grande portão sem derrubá-lo.
Chegando do outro lado, viram uma pequena estrada de terra batida, que os levam até um morro, no qual tinha uma estrutura que parecia ser uma cripta. Osma, de relance, percebeu algo se aproximando, então rapidamente puxou Aurélio pelo robe para se esconderem em um arbusto.
— Mas oqu-?! — Aurélio tenta indagar.
— Shiiiiu... — diz Osma, gesticulando para ele ficar quieto, ele apontou o dedo na direção da estrada. Eles viram Ângelo caminhando pelo lugar como se estivesse procurando por algo, mas eles não o enxergam direito devido à névoa que começara a aparecer. Então, eles o seguiram até a entrada da cripta, onde param perto da cerca viva que cobria os muros até o portão.
Ângelo entrou na cripta, os dois param de se esconder e adentram no local, aliais do lado de foram tem algumas lapides com os nomes riscados ou cobertos por mato. Passando pelo portão, ele se fechou, os deixando presos do lado de dentro e para piorar a neblina ficou cada vez mais densa.
— Osma, fique por perto, para não nos perder.
Mas quando ele virou-se, vê que Osma não está mais por perto, com isso, ele imediatamente olhou à sua volta procurando avistar seu amigo. Mas, devido ao nevoeiro ele não consegue enxergar um palmo a sua frente.
— Osma! Cadê você?!
— Estou aqui! — disse Osma ao longe.
Aurélio caminhou na direção da voz até chegar perto de uma lapide, com o nome dele. Ele o chamou novamente, porém, dessa vez não obteve resposta, tentou chamá-lo novamente, mas algo gelado segurou seu tornozelo. Ele sentiu um frio na espinha para logo em seguida ser puxado pela perna.
— AHHHH!!!!!!
Enquanto é arrastado pelo chão, tentou desesperadamente segurar-se em algumas gramas, mas de nada adiantou, então tentou olhar para a figura que o puxava, entretanto, acabou batendo a cabeça em uma pedra, o deixando inconsciente.
