Noc..! Noc..! Alguém bate à porta.
“ Tem alguém batendo na minha porta, mas estou tão cansado... não vou me levanta ”. — Pensou Aurélio virando para o lado da porta
Bum!...Bum! A pessoa insistiu. — Ei, Aurélio! Acorda já é de dia!
— Mais que saco, quem deve ser a essa hora? — murmurou enquanto tirava o coberto.
Ele levantou-se de sua cama e sonolentamente caminho até a porta de seu quarto. Quando a abriu, viu que tratava-se de Calígula, seu amigo, ele era um jovem de mesma idade, de cabelos loiros e olhos castanhos iguais ao dele, seu rosto era fino e de nariz pontiagudo. Ele estava usando o uniforme da academia, que consistia em um terno preto e uma calça preta, ambas com detalhes dourados que destacavam-se com sua pele pálida.
— O que você quer?
— Temos que ir rápido! A aula já ira começar.
— É o que?! Vamos! Mas espera que eu tenho que me trocar.
Aurélio rapidamente retornou para seu quarto indo direto para o guarda roupa, pegou o primeiro uniforme que viu e o colocou. “Eu não deveria ter passado anoite estudando”, depois de se trocar correu até a porta, mas antes de abri-lá ele olhou para sua cama bagunçada, “arrumo na próxima vez”.
Ao sair do quarto correram pelos corredores da academia, claro que eles não poderiam fazer isso, mas era questão de vida ou morte, dependendo do professor que estivesse dando aula no momento poderiam levar um castigo severo.
— Então, Calígula é a aula de hoje?
— É do prof. Romeu.
— Droga! tinha que justo na aula dele.
— É, você teve sorte de eu ter lembrado de você — disse Calígula em um tom alegre. — Você me deve uma.
— Vai achando.
“ Droga! Esse é justamente um dos professores mais chatos, ele geralmente manda os alunos para fazerem tarefas desconexas ou chatas; como colher mandrágoras, ficar parado no intervalo ou limpar os frascos de poções e fazer alguma missão. Apesar dele ser jovem para um professor nessa academia de magia cheia de anciões ”.
Passaram por um lance de escadas e mais dois corredores até chegarem na porta da sala de aula. Ambos agacharam-se para não serem vistos.
Calígula levantou-se e olhou pela pequena janela que tinha na porta.
— Então, qual é a situação?
— A aula já começou e ele está lá.
— Droga! — murmurou Aurélio frustrado.
— Tive uma ideia — disse Calígula puxando Aurélio para o outro lado.
— E o que seria?
— E se nós passarmos despercebidos. O plano é o seguinte, esperamos ele sair da sala e quando ele sair, vamos entrar de fininho e voltarmos para nossos lugares. Ele nem vai perceber a nossa presença.
— Calígula você é um gênio.
E assim fizeram, esperaram até que o prof. Romeu sai-se da sala e quando saiu colocaram o planto em pratica. Eles entraram sorrateiramente na sala, com Calígula liderando a empreitada e logo atrás vinha Aurélio. Aparentemente ninguém havia percebido a presença dos dois, o plano estava ocorrendo como foi planejado, entretanto, Calígula percebeu algo de relance, uma das garotas havia dado um pequeno sorriso de canto. Isso fez com que ele olha-se para trás, seu rosto logo revelou que havia algo atrás deles, Aurélio por sua vez olhou lentamente para trás.
— Peguei vocês no flagra!
— AAAHHHH!!! — os dois gritaram assustados.
— HA!!HA!!HA!!HA!!AH! — riram os alunos da sala.
— Ha!hah... hah...ha. Foi quase, mas dessa vez, vou deixar passar. Agora vão para seus lugares — disse o prof. Romeu.
Com a incursão mau sucedida e com os rabos entre as pernas, foram para seus lugares. A mesa de Aurélio ficava na quarta posição do lado da janela, enquanto a de Calígula ficava na segunda posição no meio da sala. A aula começou com o prof. Romeu desenhando um cristal mágico no quadro negro.
“ Pensando bem, não faz muito tempo que ele começou a dar aula aqui na academia, apesar dele ser um professor jovem e bonito com seu cabelo cacheado de cor castanho escuro, seus olhos azuis claros como os cristais de água e um físico impressionante. Ele nem parece um professor ”. — Pensou Aurélio olhando para o professo. “ Mas o que eu acho mais chato nele é sua popularidade com as garotas, quase todas ficam derretidas por ele ”.
— Meus caros alunos, alguém sabe do que se trata esse desenho?
Todos os alunos levantaram suas mãos.
— Vejamos... Roseta.
— É um cristal elemental e para ser especifica esse é o respectivo simbolo do cristal da terra.
— Ótimo Roseta, está correta. Bem como sua colega respondeu, esse simbolo representa um cristal do elemento terra... E sabem como ele pode ser usado? Ele precisa de um catalisador para ser usado, pois sem um ele o não consegue ser manipulado usando a magia — disse o professor pegando sua varinha de sua mesa. — Como por exemplo minha varinha, ela tem uma cavidade na base dela para acoplar um cristal elemental.
O professor colocou um cristal elemental em sua varinha.
— Agora que eu o coloquei na varinha é só usar um pouco de mana nela e fazer alguns gestos e recitar algum feitiço... Vejamos um... Bola de terra!
Uma pequena bola de terra formou-se na ponta da varinha e foi disparada contra a parede e a bolinha de terra se desfez ao acertar a parede.
— Viu como é simples. Eu poderia ter feito o mesmo com uma bola maior, só que para isso, eu precisaria usar mais mana... Bem agora me respondão: o que aconteceria se eu usar mais de um cristal elemental em um catalisador que possua mais de um compartimento para cristais?
Aurélio levantou a mão e respondeu:
— Ela com certeza explodiria.
— Correto! Pelo simples motivo de que em catalisadores que possuem dois compartimentos, o outro compartimento só sera utilizado em caso do primeiro fique danificado ou pare de funcionar.
Prof. Romeu continuou sua explicação, Aurélio sentindo-se cansado olhou pela janela como costumara a fazer. O clima do lado de fora estava nublado e fresco, mas algo em uma arvore que fica ao lado da sala chamava a atenção. Era nada mais que um casal de Juritis começando a construir um ninho.
“ Hooo, que fofo ” — pensou colocando seu rosto sobre sua mão direita.
— Pisiu. Aurélio — sussurrou uma voz feminina.
Ao olhar para frente Aurélio viu uma garota de cabelos ruivos e ondulados, usava óculos de lentes circulares com uma armação de metálica que combinavam com seus belos olhos verdes esmeralda. Seu corpo era esbelto e atrativo, algo que ela fazia questão de cuidar, nem parecia ser a irmã de Calígula.
— Ei docinho, você está bem? — perguntou ela colocando sua mão sobre a testa dele. — Sua temperatura esta boa, mas você parece pálido.
— Não é nada, só não tive uma boa noite de sono.
— Tem certeza?
“ Ela até parece uma mãezona ” — pensou ele dando um leve sorriso. — Tenho.
— Ei! Vocês parem de conversar!
— Sim, professor.
— Como ia dizendo... Sabemos que não podemos usar os cristais sem antes ter um catalisador. — Fez uma pausa dramática. — Mas se eu disse-se ha vocês que é possível usar magia sem eles, ou até mesmo sem precisar dos cristais. Isso seria possível somente com a pura magia. E além disso ela poderia copiar objetos, criar vida ou até mesmo reviver os mortos.
— Mas a pura magia não só passa de teoria? — perguntou Calígula.
— Sim, mas recentemente venho estudando mais afundo isso e descobrir algo...
Noc... Noc... Alguém bateu na porta da sala.
— Pode entrar.
Naquele momento entrou outro professor na sala. Ele tinha uma barba grisalha e comprida, olhos prateados que combinavam com suas roupas acinzentadas e seu chapéu cinza. Já seu rosto demonstrava um semblante carrancudo e amargo, como se tivesse chupado um limão antes de entrar na sala.
— Há, prof. Gray que bom vê-lo aqui.
— Deixe de cordialidades Prof. Romeu, já deu seu horário.
— Mas já?! Eu nem vi o tempo passar — falou enquanto colocava sua mão esquerda atrás da cabeça de forma descontraída. — Mas, antes que eu saia quero ver os dois na minha sala no intervalo — disse ele olhando para Aurélio e logo depois para Calígula.
Ao termino da aula, tocou o sinal para o intervalo. Os alunos levantaram-se e saíram aos poucos da sala, algumas garotas passaram do lado de Aurélio cochichando algo enquanto olhavam para ele com desdem.
— Queria eu ter sido chamada para a sala do prof. Romeu.
— Não é, tenho inveja desses sortudos.
“ Que garotas estranhas ” — Pensou Aurélio arrumando suas coisa.
Quando levantou-se de sua mesa Roseta aproximou-se dele e o abraçou.
— Boa sorte, docinho — disse ela dando um beijo em sua bochecha o deixando corado. — Estarei os esperando no lugar de sempre junto de Jun.
— Certou — disse ele retribuindo o beijo com outro beijo.
— Vamos Aurélio! — disse Calígula esperando na porta da sala.
No corredor Aurélio e Calígula começam a caminhar na direção da sala dos professores.
— Ei... Aurélio do que você acha dessa tal magia pura?
— Eu não gosto dessas coisas. Pelo que escutei dos meus pais e do prof. Gray isso não passa de teoria — disse Aurélio quando sobem as escada que leva ao próximo andar. — Além disso, aqueles que buscam por esse poder acabam mortos ou ficão loucos ou misteriosamente desaparecem.
— Deixa isso de lado Aurélio, isso não passa de coincidência. Se eu tivesse esse poder eu protegeria a todos do reino e tornaria o mundo um lugar melhor.
— Blá... Blá... Pare com essas bobagens, só vamos logo para a sala do prof. Romeu e aproveitar o resto do intervalo que temos — disse ele na frente da sala dos professores.
Em frente da sala, Aurélio bateu na porta e não demorou para que fossem atendidos.
— Sejam bem vindos meus caros alunos, vocês podem se sentar... Querem chá?
— Opa, obrigado professor.
A sala era pequena, havia muitos livros nas prateleiras, uma janela e na frente de sua mesa tinha duas caideiras, nas quais, se sentaram. O lugar era bem organizado e limpo aparentemente ele faz a limpeza dessa sala com alguma frequência.
Não Demora muito para que Romeu volta-se com um bule de chá e duas canecas e os serviu. Aurélio, apesar de preferir café, não recusaria tomar um bom chá.
— O que o senhor quer conosco? — perguntou Aurélio.
— Bem, vamos aos negócios. Como punição por terem cegado atrasados na aula quero que um de vocês coletem algumas velas para mim.
— Isso vai ser fácil, deixe que eu faço isso — respondeu Aurélio.
— Então, vá no deposito de materiais. Enquanto isso, Calígula fique aqui, tenho outra tarefa para você.
No deposito, Aurélio procurou pelas velas em todos os cantos possíveis, porém, não encontrou nem uma.
“ Sabia que isso não seria tão fácil ” — pensava enquanto voltava a procurar.
Até que alguém entrou no deposito.
— O que você está bisbilhotando ai? — disse a pessoa em um tom ríspido.
Aurélio, acuado virou-se rapidamente e viu que era do prof. Gray. Ele com sua cara carrancuda e carregava consigo uma pilha de caixas.
— Ah, eu vim aqui para pegar algumas velas que o prof. Romeu havia pedido.
— Só isso?
— Só.
— Então, pode pegar esse pacote de vela — disse prof. Gray enquanto colocava os materiais no chão.
No topo da montanha de caixas havia uma caixa cheia pacotes de velas, Aurélio por sua vez pegou uma delas, enquanto o professor olhou atentamente para que ele não pega-se algo a mais.
— Obrigado professor.
— De nada.
Aurélio saiu da despensa e fez o caminho da volta, porém, quando subiu as escadas avistou um grupo de alunos de outra turma aproximando-se.
“ Vishi! é o grupo do Bali, espero que eles não notem a minha presença ” — pensou, passando de fininho.
— Ei! Bali, aquele ali não é o imundo? — disse uma garota.
— Ei, Aurélio já faz quanto tempo?
Ao ser descoberto, Aurélio correu o mais rápido para o próximo corredor, mas, acabou por trombar em outros dois garotos do grupo de Bali que o seguram e o levaram até Bali. A aparência de Bali era nojenta, ele era gordo de cabelo loiro e olhos azul. Seu uniforme parecia estar sempre lutando para conter tamanha gordura.
— Pegamos ele.
— Ótimo rapazes. Bem agora aos vamos negócios, cade o dinheiro?
Aurélio o ignora.
— O que aconteceu Aurélio? — fez uma pausa. — O gato comeu a sua linguá?
Ele novamente o ignora.
— Não me ignore seu sujo! — disse Bali dando um soco no estomago de Aurélio o fazendo cair no chão.
— Hahhahhahha! Olha como ele é tão fraco! — disse um dos garotos.
— Cof... cof... Olha quem fala... — respondeu Aurélio levantando a cabeça para encarar Bali.
Bali por sua vez pisou na cabeça de Aurélio com seu sapato sujo de terra.
— Ah, Aurélio você sabe bem sua matricula aqui está em jogo né. — disse ele esfregando a sula do sapato no cabelo dele. — Bom, pelo menos, você presta como tapete.
“ Eu não posso fazer isso ” — pensou ele. “ Quais serão as consequências? Mais quero que ele pague por tudo que ele já fez.”
— Vai a merda — falou ele deixando escapar todo ódio que havia em seu coração.
— Ora seu...
— Ei! Vocês ai! — disse uma voz conhecida vindo do começo do corredor.
O dono dessa voz não era nada mais do que Jun que veio correndo na nossa direção e deu uma voadora em Bali o arremessando no chão.
— Cof... Quem ousa bater em mim! — disse a rolha de poço que tirando sua varinha e a apontou para Jun.
— Não pode usar magia nos corredores Bali — disse Jun.
— Ele está certo Bali — disse um amigos de Bali.
— E quem se importa com isso, ele nem se quer consegue usar magia!
— Não, mais posso bater em você até acabar sua mana. —- disse Jun estralando os punhos.
No mesmo instante em que ele terminou de falar alguém surgiu atrás de Bali, ele apenas sentiu algo nas suas costas o cutucando. Esse alguém era Calígula com um rosto medonho.
— Não faça nenhuma gracinha, se você não quer perder sua dignidade.
Bali o obedeceu guardando sua varinha, então Calígula o solta para seus colegas o segurasse.
— Não pense que isso ficara assim — disse Bali que corria longe de la junto de seu grupo.
Com isso, Calígula e jun ajudaram Aurélio a se levantar e logo Roseta chegou.
— Você está bem? — perguntou Roseta que o abraçou e depois tirou a terra do cabelo dele.
— Haha, não foi nada... eu estou bem graças a vocês.
— Você é mesmo duro na queda Aurélio — disse Jun colocando a sua mão no ombro dele. Seus olhos eram verdes, seu cabelo bem curto de cor escurou mas a exposição de luz lhe dava um brilho esverdeado.
Depois do ocorrido Aurélio foi até a sala do prof. Romeu para entregar o pacote de velas e depois de entregue foi direto para o jardim da academia, onde estavam Calígula, Roseta e Jun debaixo da quela mesma arvore, a arvore que tinha o ninho de juritis e dava para ver a sala deles. lá eles comeram e jogaram conversa fora até bater o sinal.
Depois das aulas, Aurélio, Calígula e Jun estão passando pelo corredor dos dormitórios.
“ Calígula parece que está um pouco para baixo, o que deve ser ”.
— Então, Calígula o que o prof. Romeu lhe pediu para fazer?
— Ah, ele pediu para ajuda-lo co seus experimentos por alguns dias... Então ficarei por algum tempo sem ficar com vocês.
— Ok... só não taca fogo na sala de magia — disse Jun dando um pequeno soco no ombro de Calígula.
— Hahahahha... você é mesmo um piadista Jun. — disse Calígula devolvendo o pequeno soco.
Chegando ao quarto de Aurélio ele despediu-se de seus amigos e adentrou em seu quarto e foi tomar um banho.