Na manhã seguinte, antes de subir na carroça, Aurélio parou por um momento e olhou para uma árvore ao longe.
— Venha Aurélio — chamou Osma.
— Acho que vi algo, mas só deve ser minha impressão mesmo — disse Aurélio subindo na carroça.
Eles partiram da mansão e foram parar no portão da vila. Lá foram saudados pelos dois guardas do portão que abriram a passagem para eles.
— Boa sorte a vocês — disse o guarda forte.
— E que Deus os acompanhem — disse o guarda esguio.
Saindo da vila, os dois seguiram pela estrada sul conforme o Sr. Carl havia falado. A estrada estava coberta pelo orvalho da manhã, eles mesmos sentiram a leve brisa gelada que pairava em seus rostos.
Ao encontrar o pequeno caminho, pararam a carroça e desceram dela. Aurélio começou a analisar o lugar, enquanto Osma prendia a eguá em uma arvore. Então eles começaram a procura pela tal árvore, como estavam pela manhã, teriam bastante tempo para procurarem as pistas que os levariam até o feiticeiro.
— Ah... Aurélio, desculpa por ontem... Foi errado o que fiz na quela hora— disse Osma.
— Não se preocupe com isso, Osma, mas da próxima vez, tente não fugir — disse Aurélio, olhando para ele.
— Certo! Eu vou tentar.
— Mudando de assunto, como foi a reunião com o pessoal da guilda dos comerciantes? — disse Aurélio coçando sua cabeça.
— Até que foi interessante, eles são bem diferentes do que eu achava que seriam. Pensava que eram um bando de mesquinhos que se importavam apenas com o lucro acima de tudo, porém, vi que eles são pessoas como nós, que procuram ajudar a todos e têm o senso de companheirismo parecido com o que temos na guilda de aventureiros — disse ele com brilho nos olhos.
— Mas, você não estava como guarda costas do Sr. Demian?
— Sim, estava, mas só temporário. Já que, depois da reunião, os outros membros disponibilizaram outros guarda-costas para ele e abriram uma investigação sobre aquele outro comerciante.
— Interessante. Mas parece que chegamos ao lugar que procurávamos. — disse Aurélio, apontando para a árvore centenária.
Quando aproximaram-se, viram que tratava-se mesmo daquela árvore, seu tronco era mais grosso que as demais, o mesmo vale para seus galhos que cobriam o lugar, suas raízes eram grossas e saíam um pouco do solo. Em volta dela tinha as mais diversas plantas que cresciam na região, parecia um jardim particular.
Aurélio, impressionado com a tamanha diversidade de plantas que havia lá, aproximou-se de algumas flores para sentir seus aromas e apreciar sua beleza. Enquanto isso, Osma continua sua busca por pistas, até que ele vê algo se movendo pelos arbustos à frente.
Sem pensar duas vezes, desembainha sua espada e corre na direção daquela coisa. Mas tudo que ele consegue ver foi apenas um grande borrão preto que fugiu ao ser avistado. Aquela coisa fugiu tão rápido que o havia despistado.
— O que foi aquilo?
— Ei! O que aconteceu? — disse Aurélio aproximando-se de Osma.
— Eu não sei! Talvez poderia ter sido um lobo, mas estava sozinho. E conseguiu me ludibriar com facilidade — disse Osma, confuso. — E que cheiro horrível é esse?! — disse ele, colocando sua mão para tampar o nariz enojado.
— Parece com enxofre — disse Aurélio.
Eles seguiram o cheiro de enxofre até um lugar, onde haviam alguns trapos e uma grande mancha preta no chão, a qual era formada por plantas podres. Aurélio aproximou-se da grande mancha preta no chão, ele agachou, pegou um de seus cristais e o colocou sobre a borda da mancha, depois recitou um feitiço de análise. O cristal absorveu uma pequena amostra da mancha. Com isso, Aurélio pegou o cristal e o comparou com o outro que tinha da análise do Dr. Frederick.
— Foi aqui o lugar no qual eles foram atacados — disse Aurélio, se levantando.
— E como sabe disso?
— Simples. Olhe para esses cristais — disse Aurélio, mostrando os dois cristais para Osma. Os dois cristais possuíam a mesma tonalidade de cor roxa.
— Você consegue ver que eles agora estão com a mesma cor. Certo?
— Consigo.
— Com isso, pode-se dizer que foi aqui onde aquele feiticeiro usou aquele feitiço que está afligindo o doutor.
— Isso significa que, se nós demorarmos... O destino do doutor será o mesmo dessas plantas?
— Exatamente isso, meu caro Osma.
— Então, como podemos encontrá-lo?
— Simples, me entregue esses trapos que você encontrou e a bússola em seu bolso.
Osma pegou os trapos do chão e os entregou rapidamente junto da bussola para Aurélio, que por sua vez os envolveu nos cristais; depois colocou a bússola no meio, então murmurou um feitiço que fez com que os três itens se unissem. Sua forma final parecia com uma bússola normal, porém cheia de cristais misturados com detalhes de metálicos e de pano que a envolvia. Osma ficou impressionado com o que acabara de acontecer.
— Pronto! Agora podemos ir, essa bússola nos levará até ele — disse Aurélio.
— Caramba, que legal, Aurélio! É por coisas assim que eu gosto de te acompanhar em suas missões.
Eles retornaram para a carroça e Osma conduziu a carroça na direção a qual bússola apontava, nesse momento ela estava apontando para o sul.
Depois de um dia tedioso de viagem, pelo qual, passaram por uma grande estrada reta. Agora eles estão passando por uma planície, a estrada fica próxima de um desfiladeiro Aurélio estava dormindo. Porém foram interrompidos por três grandes pedras redondas que bloqueavam a estrada que levaria a passar mais próxima a o desfiladeiro.
Osma, ao ver isso, da uma checada na bussola e vê que ela começou a apontar para outra direção. Ela apontava em direção a outra estrada, com isso, resolveu pegar uma outra estrada, na qual os levaram até uma grande floresta. Quando eles começam a adentrar na floresta e ao passarem por cima de uma pedrinha fez com que Aurélio acorda-se de seu cochilo.
— Ah! Você finalmente acordou — disse Osma, sendo sarcástico. — Aconteceu alguma coisa?
— Eu não sei ao certo, mas precinto algo, é melhor ficar atentos.
“Você também sentiu isso, Roseta?” — pensou ele.
“Sim”.
Enquanto adentravam a densa floresta, os dois ficaram calados e bem atentos a cada canto possível, pois quanto mais adentravam a floresta, mais escura ela ficava e eles ficavam cada vez mais apreensivos com o lugar que ficava cada vez mais difícil de se localizar, até mesmo a égua que carregava a carroça estava tensa.
Eles continuam seguindo em frente até chegarem em uma bifurcação onde à duas árvores entrelaçadas uma na outra. Ao olharem para a bússola, ela estava apontando para o meio das duas árvores.
— Então, Aurélio, devemos seguir por qual caminho? — perguntou Osma, tenso.
— Bem... Vejamos — disse Aurélio, analisando os dois caminhos.
Ambos os caminhos eram assustadores, com o da esquerda tendo algumas árvores com leves traços de rostos, enquanto o lado da direita tinha árvores relativamente comuns, mas que davam a mesma sensação de estranheza.
— Vamos pela direita — disse Aurélio.
Osma guiou a carroça pelo o caminho da direita. De início nada acontece, até que na metade do caminho eles escutaram algo que parecia um sussurro, ou um murmuro, que quase não dava para escutar. Chegando à saída, eles se deparam novamente com aquelas duas árvores entrelaçadas.
— Ué, de novo?! — disse Osma, confuso. — Nós já não passamos por aqui?
— Olhe para-lá! — disse Aurélio, apontando para o caminho da esquerda. — Parece que estar um pouco diferente de antes.
Aurélio estava certo o lugar parecia um pouco diferente, nos detalhes dava para ver que aquelas árvores que seus traços estavam ressaltados formando rostos, enquanto no caminho da direita suas árvores estavam amarradas por grossas cordas e retorcidas.
Com isso, eles seguiram novamente pelo caminho da direita. Durante a travessia, o caminho ficava cada vez mais escuro, quase sem enxergar. Eles escutaram um sussurro, agora nítido comparado ao anterior, que dizia: — Sigam a luz, ela é o caminho. — Enquanto aparecia um filete de luz na frente deles, eles foram guiados novamente a mesma bifurcação de antes. Porém agora todas as árvores tinham rostos que olhavam para os dois, como se jugassem e algumas estão retorcidas .
No meio de tudo estavam aquelas duas árvores entrelaçadas, que também tinham rostos bem desenvolvidos.
— Hoo! Parece que temos visitantes — disse a árvore da esquerda, que olhava para os dois com um semblante alegre. Seu rosto era fino, com destaque em seu nariz sendo um pequeno galho com algumas folhas.
— E o que... os trazem... a nossa casa? — disse lentamente a árvore da direita com um semblante carrancudo. Seu rosto tinha um formato redondo e suas sobrancelhas ressaltadas e grossas.
— Aurélio, eu estou ficando louco ou realmente tem uma árvore conversando conosco? — murmurou Osma, segurando firme a rédia.
— Sim, elas estão falando conosco — disse Aurélio, colocando sua mão em sua testa. — Parece que caímos em uma armadilha.
— O que devemos fazer? — disse Osma, apreensivo.
— A partir daqui, teremos que seguir as regras dessas árvores se quisermos viver.
— Ho!Ho!Ho! Vejo que você já conheceu algum parente nosso.
— Eu já encontrei árvores como vocês em algumas de minhas viagens.
— Ei... Responda... Minha pergunta! — disse a árvore da direita, franzindo suas grossas sobrancelhas.
— Eu e meu parceiro aqui, viemos até sua casa por causa de um cara que está me devendo dinheiro. Vocês o viram por aqui?
— É... Só isso? — perguntou a árvore da direita.
Aurélio apenas acenou com a cabeça confirmando.
As duas árvores pararam por um tempo e começaram a conversar entre elas em um dialeto próprio que não dava para entender, nem mesmo Aurélio entendia. Com isso, Osma olhou para Aurélio, perplexo com o que estava acontecendo. Aurélio, apenas olhou para Osma com uma cara de quem sabe o que está fazendo.
— Chegamos... Em um... Veredito — disse a árvore da direita.
— Vocês poderão passar — disse a árvore da esquerda. — Entretanto, primeiro queremos que vocês resolvam um problema para nós.
— Recentemente... apareceu... um visitante... não desejável... em nossa casa.
— Ele invadiu nossa casa e nós não conseguimos expulsá-lo, por mais que quiséssemos. Então, se vocês se livrarem dele, poderão passar.
— Trato feito! — confirmou Aurélio. — Mas, como se parece esse invasor e onde ele está? — acrescentou ele.
— Ele é um espírito maligno, alto como uma árvore e usa um crânio de cervo para esconder seu rosto.
— Para encontrá-lo... Vocês devem... pegar... o caminho da esquerda... que os levará direto para... onde ele está.
— Esperem por um momento — disse a árvore da esquerda. — Deixe-me ver seu braço.
Como pedido, Aurélio mostra seu braço, revelando sua marca.
— Hummnnn... Como havia imaginado, a marca.
— Algum problema? — perguntou Osma.
— Isso significa que vocês devem tomar mais cuidado pelo caminho, já que ela pode chamar a atenção de alguns hóspedes inquietos de nossa casa.
E com isso os dois saíram de lá pegando o caminho da esquerda. Quanto mais adentravam por aquele caminho a aquelas árvores mostravam rostos cada vez mais medonhos, porém, dessa vez, elas não os encaravam, mas em si olhavam para a direção em que eles deveriam ir.
O caminho no qual as árvores os guiavam estava os fazendo adentrar mais fundo na ala leste das flores. Osma, de vez enquanto, tentava dar uma olhada para trás da carroça a procura do caminho, mas não dava para ver o que tinha atrás.
— Ei, Aurélio — Osma sussurrou. — Você confia na palavra dessas árvores?
— Confio — disse Aurélio, porém seu rosto demonstrava o contrário. — Geralmente, elas não são tão generosas. Mas, elas cumprem com sua palavra, quando você joga seus jogos, principalmente quando o assunto é sua casa.
— Se você diz, mas mudando de assunto — disse Osma, dando uma olhada para os lados. — Você tem alguma ideia do que aquela coisa possa ser?
— Pelo que aquelas árvores falaram, tenho duas opções em minha mente — disse Aurélio, alisando seu cavanhaque de forma pensativa. — Pode ser alguma monstruosidade ou o feiticeiro que procuramos usando algum feitiço de ilusão.
— Independente de quem nós enfrentemos, sei que nós conseguiremos dar uma surra neles — disse Osma em uma forma de tentar conseguir confiança.
Eles seguiram o caminho até chegarem à ala leste da floresta. Ao chegarem lá, viram que haviam muitas árvores cortadas e mortas, tendo nessas árvores mortas tinham ossadas perto delas.
— É parece que estamos quase chegando.
De repente a égua simplesmente parou de andar.
— Ué, garota, porque parou?
Ele ficou sem resposta de sua eguá, então desceu da carroça para ver o que havia ocorrido. — Ei! Cláudia, está tudo bem? — disse ele, passando sua mão no pescoço dela. Ele ficou novamente sem resposta, mas percebeu que ela estava trêmula e olhava fixamente para frente como se visse algo.
— Osmaaa. Me ajuda. — ressuo um sussurro que vinha de uma árvore.
— Você escutou isso, Aurélio? Parece que alguém está precisando de ajuda.
— Eu não escutei nada.
— Venha até mim — sussurrou novamente aquela voz. Só que, dessa vez, Aurélio também a escutou.
Osma se aproximava daquela árvore. Aurélio viu uma figura grande e esquisita entre as árvores.
— Osma! Tampe os ouvidos! Não acredite nessa voz, porque é um monstro! — gritou Aurélio, que logo desceu da carroça com seu cajado em mãos.
— Socorro! Osma, por favor, me ajuda! — disse aquela voz em desespero.
— Já estou indo! — disse Osma, que começava a correr na direção daquela árvore.
Aurélio correu atrás de seu amigo e, antes que as coisas piorassem, ele jogou seu grimório no ar enquanto fala: — Roseta, bata nele mas tenha cuidado para não machucá-lo! — E foi isso que ela fez, pegou impulso até acertar a cabeça de Osma, o fazendo cair no chão um pouco longe da tal árvore, dando tempo para Aurélio chegar.
Quando ele chegou, Roseta se levitou do chão e voltou para sua mão, dizendo: “E agora, o que devemos fazer?”
“Pesquise em sua biblioteca, se temos alguma forma de derrotar esse monstro” — pensou Aurélio.
— Ei! Osma, você está bem? — disse Aurélio o ajudando a levantar.
— Ai! Minha cabeça — disse Osma, com sua mão segurando sua cabeça. — O que aconteceu?
— Não temos tempo, Osma! Levanta logo que estamos em perigo! Temos que lutar.
Dito e feito, Osma se recompôs e desembainhou sua espada. Eles escutam o barulho de galhos se quebrando e retorcendo atrás deles, quase não dando tempo para reagir, Aurélio foi atacado por uma grande garra por trás, porém, graças aos bons reflexos de Osma, ele conseguiu chutá-lo para a direção contrária, fazendo com que a garra não atingisse Aurélio. Com isso, ambos caem no chão, Aurélio e Osma, de forma sincronizada, rolam para frente e levantam.
Nesse momento, eles ficam frente a frente com o monstro. Sua aparência lembrava a de uma pessoa do tamanho de uma árvore de médio porte, seu corpo era esguio e estava coberto de ossos humanos e musgo dos pés aos braços e carregava um colar de pequenos crânios humanos. Da distância em que encontravam-se, pareciam ser de crianças, e tinha um grande crânio de cervo em sua cabeça.
— Então, alguma sugestão de como derrotar essa coisa?
— Ainda não, essa é a primeira vez em que enfrento um monstro desses.
Sem tempo para pensar, o monstro saltou para cima de Aurélio com suas garras atacando por cima. Com tudo, Osma entrou na frente de Aurélio tentando bloquear o ataque, mas, sem sucesso, ele mesmo foi atingido e jogado para uma árvore no lado. Entretanto, isso deu tempo para Aurélio conjurar um feitiço de raio, no qual atirou usando um cristal elétrico na ponta de seu cajado. Ao ser atingido o monstro ficou atordoado.
Isso fez com que dê tempo para Aurélio chegar até Osma.
— Aqui, Osma, tome essa poção de fortalecimento — disse ele enquanto curava os ferimentos de seu amigo com um cristal de água em sua mão.
“Vamos, Roseta, você já encontrou?” — pensou ele.
“Sim, aparentemente ele é um Wendingo e o ponto fraco dos Wendigos é o fogo.” — respondeu o grimório.
— Agora sim, vamos para o segundo tempo! — disse Osma após beber a poção e levantar-se.
— Osma. Eu preciso que você distraia o monstro, enquanto eu o arrumo algum jeito de derrota-lo.
— Certo!
Osma, recuperado, correu na direção do monstro, ele juntou um pouco de sua força para dar um ataque forte na clavícula do monstro. Mas, por azar dele, o monstro rapidamente se recuperou e se protegeu do ataque com seu antebraço. O ataque de Osma acabou quebrando os ossos que ficavam acima do antebraço do monstro, e a espada ficou presa nele. O monstro pegou Osma, com seu outro braço.
— Aurélio, preciso de uma ajudinha aqui! — disse Osma, tentando se soltar.
Aurélio não poderia usar nenhum feitiço, já que poderia acabar acertando Osma junto. Então ele rapidamente procurou por outra forma de atacar-lo, até que viu um grande tronco oco no chão. Dando brecha ele se esgueirou por debaixo do tronco saindo do ponto de vista da criatura. Enquanto isso, o monstro segurava Osma com suas duas mãos e o levava até sua boca, e a abriu tentando comê-lo. Osma tentava de tudo para fugir, ele se debatia e chutava a boca do monstro, mas não funcionava, até por um triz, ele conseguiu colocar seus pés entre as mandibuladas do monstro a travando.
— Aurélio, me salva aqui, caralho! Não sei quanto tempo conseguirei aguentar esse merda! — gritou Osma, vendo o que o esperava dentro da garganta do monstro. Ele viu uma cor alaranjada e o centro era vermelhado.
As pernas de Osma já estavam no seu limite, ele não aguentaria mais nenhum segundo sequer, até que ele sente um cheiro de fumaça, isso também chamou a atenção do monstro. Então os dois olharam para trás e viram Aurélio com seu cajado ateando fogo na perna do monstro. O monstro soltou Osma, que cai no chão e bateu em Aurélio, o arremessando para uma árvore ao longe, e seu impacto o deixou inconsciente.
Com isso, o monstro começou a pegar fogo, ele gritou em agonia e acabou caindo de joelhos no chão, dando a oportunidade para Osma, que se levantou e correu até o monstro, ele retirou sua espada do braço do monstro e então a usou, junto de toda sua força, para decapitá-lo.
— Ahhhagh!
A cabeça do monstro rolou pelo chão, parecendo uma bola de fogo, ela ao atingir o chão apenas se desfez em cinzas, assim como seu corpo.
Osma aproveitou o momento para descaçar um pouco, ele sentou no chão apoiando-se em sua espada.
— Hahaha... Conseguimos!
Ofegante Osma olhou para os lados a procura de onde Aurélio poderia ter parado, ele apenas avistou o cajado dele. Pegando um pouco de folego recuperou um pouco de força se levantou usando sua espada de apoio. Caminhou até o cajado e depois encontrou seu grimório, porém, antes de ele pode-se pegá-lo, o grimório levitou sozinho e deu pequenos saltos como se estivesse andando.
— Mas oquê?! Agora essa coisa criou vida — disse Osma tentando pegar o livro. — Ora seu!
O grimório simplesmente deu um olé nele, começando a flutuar, porém Osma não deixou isso barato, ele o seguiu tentando pegá-lo. Foi assim até eles chegarem onde Aurélio estava, o grimório foi até a mão de Aurélio.
— Ei! Aurélio! Você consegue me ouvir?
Ele não respondeu, então Osma deu um leve tapa no rosto de Aurélio.
Sem resposta, Osma resolve checar se ele estava vivo. Ao ver que tinha pulsação, resolveu arrasta-lo até a carroça. Durante o caminho ele sentiu uma presença estranha, então olhou para o lado e vê, ao longe, um lobo o encarava, mas, ele apenas saiu de lá.
Depois de um tempo andando, ele encontrou a carroça junto de sua égua, ele colocou Aurélio sentado na carroça. Nisso apareceram as duas árvores enroladas.
— Bom... trabalho... Aventureiros.
— Agora que vocês resolveram nosso problema, podem passar — disse a árvore da esquerda enquanto abria o caminho para eles passarem.
Osma guiou a carroça para sair daquele estranho lugar, a tarde caia enquanto a estrada os levaram até uma pequena estrutura, uma cabana de inverno abandonada. Ele estacionou a carroça em uma parte coberta do lado da cabana e desceu dela para ver o que tinha naquele lugar.
Por fora, parecia ser uma cabana comum, com uma fachada simples de uma janela e uma porta. Quando Osma bateu na porta, ela simplesmente se abriu sem nenhum esforço.
— Com licença — disse Osma, entrando com cuidado na cabana.
Por dentro tinha poucas coisas, nada além de duas camas, uma pequena mesa no canto perto da janela e um pequeno fogão de ferro no qual ainda tinha cinzas. Osma percebeu que o lugar tinha mais alguns sinais de que alguém havia passado a noite ali, mas que não tinha a intenção de voltar. Ao ver que o lugar era seguro, ele trouxe Aurélio para dentro da cabana e saiu à procura de lenha.
Durante sua pequena expedição, ele coleta alguns galhos finos e grossos até que escuta alguns passos ao longe, vê que se tratava do mesmo lobo de antes.
“Porque ele ainda está nos seguindo, será que ele está com fome? Ou está procurando abrigo? E onde está sua matilha?” — pensou Osma, enquanto olhava intrigado com o comportamento do animal.
Após algum tempo caminhando, ele retornou até a cabana, onde acendeu o pequeno fogão e viu que Aurélio ainda não havia acordado.
— Espero que não demore muito para você acordar — disse Osma enquanto deitava na cama, aproveitando para descansar um pouco.
Não demora muito para acordar novamente com algo que passava pelo lado de fora da cabana.
